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segunda-feira, 24 de abril de 2017

Bem melhor que o original



Vou dar o braço a torcer. Power Rangers: Ninja Steel é bem melhor que Shuriken Sentai Ninninger.
É a primeira vez que consigo achar uma adaptação da Sabam melhor que o sentai original, mas é por aí mesmo. Ninninger foi uma série horrível, e quem assistiu alguns episódios sabe bem do que estou falando. A nova série Power Rangers, exibida pela Nick EUA, foi interrompida em seu oitavo episódio, não sei exatamente porque, apenas que continuará no semestre seguinte. Dos episódios que foram exibidos até então, os dois últimos estou achando bem difícil encontrar para assistir. Mas essa temporada é muito boa, espero de coração que continue, nem parece que aproveitaram apenas o visual para criar uma série totalmente nova, tem cara mesmo de remake, e um remake melhorado. O vermelho, Brody, tem toda uma explicação para ser um cara infantil e esquisito, já que passou os últimos dez anos longe de nossa civilização terrena, além de também ter feito parte de uma família ninja. O azulzinho, Preston, é mesmo um mágico de quinta categoria que faz apresentações tosquíssimas no colégio, além dos outros personagens, todos bem carismáticos, com destaque da brasileira Chrystiane Lopes como Sarah, a Ranger Rosa. É interessante ver o robô de Brody, RedBot, ser bem parecido com o Zord que ele pilota, e outros elementos que fazem Power Ranger continuar sendo a franquia que sempre foi, como o humor ingênuo e o espírito adolescente. Micky Kanic então, está se saindo meu mentor favorito. Recomendo essa série, que nos dá a impressão que ao menos Ninninger pôde ser aproveitado para uma coisa boa. Estreará em nossa terra em junho, no Cartoon Network

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

50 Tons Mais Escuros deveria passar nas tardes do SBT


Vamos falar sobre o filme 50 Tons Mais Escuros. Antes de tudo, vamos lembrar que a proposta da série literária que o deu origem é sim inovadora. Antes dela, o que tínhamos de mais parecido com o tema a nível mundial é o clássico A História de O, da autora francesa Anne Desclos, que o escreveu sob o pseudônimo de Pauline Réage, romance erótico de sadomasoquismo lançado em 1954, rendendo diversas adaptações desde que foi traduzido para grande parte do mundo. Claro que em se tratando de 50 Tons de Cinza tudo é mais plastificado, mais moderno culturalmente, para atingir um público mais amplo sem erro de interpretação, e até mesmo quem ama falar mal está vendo todos os filmes, se bem que são mais leves que os livros. As pessoas de hoje já não se impressionam tanto pelo estético e sim pelo psicológico, o que o livro tem de melhor, mas talvez a proposta inicial da história não tenha sido bem aproveitada nem nas páginas nem nas telas, que é a relação amorosa não convencional entre pessoas de sexo diferente, de maneira saudável. Se a obra de E. L. James começou como uma fanfic de Crepúsculo, seguiu por um caminho de romance adulto doentio e bizarro, longe de ser o relacionamento sadomasoquista como as pessoas, algumas delas até acompanhando as obras, pensam. Temos um filme interessante sobre isso, Secretária (Steven Shainberg, 2002), que todo mundo que conheceu 50 Tons deve assistir. Estrelado por Maggie Gyllenhaal e James Spader, que coincidentemente (ou não)  também interpreta um tal mr Grey, Secretária é um filme de romance entre um advogado excêntrico e dominador e sua submissa secretária, moça problemática com histórico de tentativa de suicídio que precisa se reabilitar à sociedade, descobrindo-se novamente satisfeita com a vida ao mergulhar em um relacionamento de perversão e jogos de dominação propostos por seu chefe, com o qual passa a viver junto no final, tornando-se felizes para sempre. O filme comete as mesmas falhas de 50 Tons de Cinza, como veremos adiante, mas não é levado a sério, soa mais como uma comédia romântica bizarra com momentos picantes do que com qualquer outra coisa, por isso o tom é mais leve e podemos perdoar. Quanto aos filmes adaptados dos livros de E. L. James, se a princípio é difícil encontrar um tom que o identifique, veremos juntos alguns aspectos que devem ser levados em conta para que não percamos a linha de raciocínio para os filmes seguintes. Ou mesmo achar a que nunca foi encontrada, como muitas pessoas por aí que não sabiam se riam, se choravam ou se se emocionavam.
Antes de tudo, 50 Tons Mais Escuros é uma novela mexicana. Sim, tipo aquelas que passam de tarde no SBT. Pense assim que não vai ter erro de interpretação. Até o nome é cafoninha igual. Temos uma mocinha singela e indefesa que poderia perfeitamente ser chamada de Carmen Adelita, um mega empresário jovem, machão, bonitão e conquistador que podia se chamar Juan Manoel, temos uma vilã de meia idade que é até bonitona, mas muito ruim, mesmo que sua ruindade se limite a destilar veneno, cenas de acidente dramático, vilã problemática e perigosa, chefe cafajeste, vilanesco e metido a conquistador barato, cenas de ciúme, tapa na cara, bebida na cara e casamento chique e cafona como toda produção de novela da televisa tem direito. A relação sadomasoquista é um tempero adicional, como as picardias também. As cenas de sexo, salvo algumas prática excessivas e desnecessárias, não chegam a incomodar, apenas enaltece o amor caliente que jorra do casal. E é justamente nessa relação carnal dos dois que as esquisitices de Christian Grey torna-se um mal a ser combatido, que tanto atrapalha a felicidade plena do casal, pois como sabemos, sexo é muito importante na relação de um casal jovem. Ana não é a moça submissa que Christian desejava que fosse, mas o rapaz é tão bom de traquejo que acaba a fazendo concordar com algumas coisinhas aqui e ali, desde que o clima esteja gostoso e ele faça com jeitinho, sem nem precisar pedir. Mas, como o próprio tal diz, ele não é necessariamente um dominador. O rapaz teve problemas com a mãe usuária de drogas e o pai agressivo, muitas vezes a mãe acabava queimando seu peito e sua barriga com cigarro quando o carregava no colo quando bebê, suas queimaduras não o deixam esquecer disso, tornando-se o limite para os toques, os beijos e carícias de Ana, devidamente demarcadas com batom. Na verdade ele é um sádico, como em suas próprias palavras, e seu prazer em humilhar, infringir dor e sofrimento nas mulheres é para ´´se sentir vingado de todas as mulheres que lhe lembram sua mãe``. Como podemos ver, a pimentinha sadomasoquista que podia ser usada para dar um up grade na relação de qualquer casal, desde que bem empregada, na verdade é um distúrbio, uma patologia, um problema psicológico, e isso ajuda a gerar uma certa intolerância sexual e preconceito quanto a quem gosta desse tipo de prática. Se você quer um estudo acerca do relacionamento BDSM (Bondage, dominação, sadismo e masoquismo) passe longe da série, senão você vai passar raiva. Esse estilo de vida e sexualidade é simplesmente tratado como um comportamento doentio que tanto atrapalha a vida de uma pessoa e tem de ser corrigido imediatamente, seja com tratamento psicológico ou mesmo religião.
Aceite estereótipos e lugares comum. Alguém sempre vai se submeter aos jogos de dor e dominação de Christian, seja uma garota qualquer, ou seja a própria Ana. Por que? Ora, o cara é O CARA. Rico, jovem, bem sucedido, bem arrumado, boa pinta, etc e tal. Do contrário, quem se sujeitaria às humilhações que o homem propõem? O livro ensina que (a culpa é sempre do livro) para ser um dominador você tem que ser o bambambam apessoado, e que qualquer um jamais pode ser um dominador. Fica surreal, a maioria dos homens não é igual o Christian Grey, fazer brincadeiras de dominação passa a se tornar um desejo bem difícil de se realizar. Aquele tal quarto de jogos, mais conhecido como Quarto Vermelho da Dor é um requinte sem tamanho, que passa longe da realidade. Por mais endinheirado que o homem fosse e por mais fan que fosse de sadomasoquismo, teria um ou outro objeto para usar em suas brincadeiras, não aquilo tudo. Fica parecendo que na verdade esse Christian Grey é um garoto de programa. Ou então, sonha ser dono de motel. Aposto que tem coisa ali que ele nem lembraria de usar. Uma coisa que fico pensando é em como seria se a Ana Steele dominasse Grey, será que teria história para contar? Ah, não dá, né? A história tem seu público alvo feminino e todos nós sabemos como nossa sociedade é machista. Além disso, eles são de posições diferentes, e isso implicaria na aceitação da história. Mas tem uma ceninha aqui e ali em que ele parece perder a identidade e decidido a aceitar se manterem em posição de igualdade para um bem em comum, o amor que existe entre os dois. É por essas e outras que percebo que ainda não foi dessa vez que conseguiram abordar o tema de relação sadomasoquista corretamente, por mais que o filme se mantenha único pela falta de medo do ridículo e da falta de senso comum. Insisto em acreditar que esse filme pode perfeitamente ser adaptado para uma novela da Iris Abravanel, só que sem as cenas mais picantes, que não haveria prejuízo nenhum.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

Zyuohger : Impressões



Hoje assisti o segundo episódio de Doubutsu Sentai Zyuohger e agora já me sinto confiante para dar minhas impressões sobre o seriado, já que os primeiros episódios costumam ser apenas introdutórios. Bem, em se tratando do 40° sentai da franquia esperava algo não muito parecido com o anterior, Shuriken Sentai Ninninger, uma grande flopada por sinal, e em Zyuohger muita coisa me fez lembrá-lo, seja no visual do Yamato (Zyuoh Eagle), seja no encerramento coreografado, e mesmo nas bizarrices, humor pastelão e no infantilismo exagerado já recorrente nas últimas produções. Todos sabemos que o gênero se dedica especialmente às crianças, mas com toda sinceridade não acredito que para ser uma produção infantil precisa necessariamente ser boba. Uma história diferente com um roteiro preocupado em transmitir boas lições e emocionar o público alvo por anos e anos, até mesmo se eternizando em boas lembranças de tempos passados, como os tokusatsus dos anos 80/90 fizeram com todos nós, deveria ser a missão dessa série comemorativa de 40 anos, só que aparentemente não trouxeram nada de especial, nem mesmo o visual dos heróis, que mais parece um sentai chinês de tão simples. Já teve não só sentais, mas vários tokusatsus muito bons e nada tão tatibitati. Podiam ao menos dar uma roupagem mais refinada, tal como Go- Busters. O fato dos heróis serem alienígenas animalizados, com excessão de Yamato, não me incomodou, apesar de achar que, antes de adotarem formas humanas, o fato de usarem capacetes não caiu nada bem, mas até aí beleza. Nem mesmo o visual do robô, um misto de Lego com Minecraft, talvez uma escolha até interessante levando em conta o objetivo de gerar identificação com a garotada de hoje em dia. Os tempos são outros, é verdade, mas porque não adicionar itens originais, abandonar a ideia de que a comédia pastelão é o tom infantil ideal para conquistar o público almejado, apresentar um universo cativo de super heróis para aqueles que os estão descobrindo, em vez de repetir a afetação exagerada e sem próposito de Ninninger, até mesmo sabendo que não foi uma boa escolha, o que é uma pena, pois o visual dos heróis era bom, ou a Toei  company não se preocupa mais com a audiência dos seus produtos em seu país de origem? Podiam, ao menos, manter o ritmo e o estilo de ToQger, já que a ideia é não inovar e repetir clichês passados. Continuarei assistindo o seriado, des de já torcendo para que não o deixem ir ralo abaixo como fizeram com Ninninger, que trabalhem mais os personagens, os vilões, as histórias, e diminuam certos comportamentos e situações espevitadas que não acrescentam em nada. E que de alguma forma busquem gerar identificação com o pessoal que os assiste, não tanto pelo visual, como também pela história, motivações, comportamento e atitudes dos personagens.