Terminei de ver um
anime que, apesar de ser bem antigo, até então só conhecia de nome. Foi um dos
primeiros animes a passar no Clube da Criança, programa oitentista da Manchete,
e ainda no tempo da Xuxa como apresentadora, mas eu ainda era um zigoto
praticamente e não cheguei a aproveitar. Anos mais tarde o anime foi para a CNT
junto com outros clássicos, como Macross e Don Drácula, na programação infantil
noturna, um horário um tanto ingrato, e não me interessei em acompanhar.
Depois de assistir já
adulto, percebo a vantagem que foi não ter conhecido a animação quando criança.
Primeiramente pude experimentar, sem nostalgismo e de olhar maduro, essa animação
de qualidade, de roteiro sensível e primoroso. Depois, que eu iria simplesmente
desabar em lágrimas a cada drama explorado nos episódios. Sim, porque o anime é
uma sofreguidão só. Sendo uma produção dos anos 70 a animação tem todas as
características de produções da época, mesmo as americanas, como as da Hanna
Barbera. Seus traços, cores, visual dos personagens, todos usando roupas de
época e de calças tradicionais boca de sino, efeitos sonoros, e mesmo as
músicas. As músicas são ótimas, remete bem ao estilo da época, tanto de abertura
quanto das cenas de combate, e o curioso é que na trilha de Piratas tem até um
sambão. No nosso caso a dublagem ajuda a manter a padronização, como Cleonir
dos Santos (voz do Daniel Larusso, de Karatê Kid) como a voz de Jô, o mocinho principal,
piloto de acrobacias que se uniria a Rita, uma gailariana em fuga, no controle
do Pirata do Espaço contra a invasão do inescrupuloso exército do Império
Gailar, e as famosas vozes de José Santa Cruz e do saudoso Orlando Drummond,
para os vilões. Só que, diferente das produções americanas, Pirata do Espaço (Groizer
X no original) carrega em sua fórmula elementos tão presentes nos animes, dos
mais antigos aos atuais, como mortes, sangue e violência. Sim, muita violência.
Parece que no Japão a criançada é mais familiarizada com esse tipo de coisa e
as histórias dos episódios não se sustentariam sem isso tudo. A nave Pirata do
Espaço comandada por Jô e Rita se converte em um super robô de combate contra
os Robôs Bomba, naves de batalha comandadas pelos vilões do Império Gailar, que
têm o Imperador Geldon como líder. O pai de Rita, um cientista bondoso, foi
obrigado pelos seus até então companheiros a entregar o colossal Pirata do
Espaço, sua maior invenção. O cientista, no entanto, se sacrifica ao enviar a
filha para bem longe dos bandidos. Rita e a nave vão parar nas mãos da equipe
do professor Tobishima, veterano da segunda guerra e chefe da base aérea Akane.
Além de Jô, com quem passa a fazer parceria, a equipe conta também com o
mecânico Ippei, o garoto Sabu e o também veterano de guerra Baku, dono do avião
biplano Dragão Vermelho, fora tantos outros personagens que aparecem por
durante toda a série. Como um dos mais simpáticos cito Gen, um pescador doido
para ser piloto igual aos amigos da base Akane, mas que nunca conseguiu sequer
levar jeito para coisa. Todos eles vão mostrando, no decorrer da série, serem
dignos companheiros de Jô e Rita.
Mas nada é tão fácil
para nossos heróis. Muito sacrifício precisou ser feito, muitas lágrimas
derramadas, muito sangue, dor, perdas, sofrimento e raiva, muita raiva! Tudo
isso pode definir a série. Confesso que me emocionei bastante em muitos
episódios, e se eu tivesse visto quando criança talvez levasse anos para
superar. Mas como de praxe o bem vence o mal, entre as coisas justas da série
é revelado que o pai de Rita estava vivo, e o reencontro entre pai e filha foi
mais que satisfatório. Bem, isso depois de Rita já ter sido adotada pelo doutor
Tobishima, o que custou suor para ela decidir se aceitava ou não. Os dois
retornam ao planeta Gailar afim de retomar sua vida normal após o fim da grande
ameaça, mas deixam o Pirata do Espaço como mimo para Jô e a equipe do professor
Tobishima. Isso significa que entre o casal protagonista não existia nada além
de amizade, e honestamente prefiro o final assim, cada um para seu lado, sem
deixar a impressão de que homem e mulher não podem apenas ser amigos. E como
diria aquele policial do filme Velocidade Máxima, toda relação construída a
partir de uma situação de estresse tende a não durar. No entanto, a despedida
dos dois amigos não me comoveu, o que quase me fez chorar mesmo foi o episódio
da morte de Baku.
A série como um todo é
muito boa, sabe mesclar com perfeição momentos cômicos e momentos trágicos, sem
deixar de lado as cenas de ação e a motivação dos personagens. É muita coisa em
se tratando de animação infantil. Se você não conhece ou se viu há muito tempo,
não perca a chance de aproveitar todos os episódios em canais no Youtube.
Quando eu era moleque
era normal ouvir falar que a Xuxa, a tão famosa ´´Rainha dos baixinhos``, tinha
feito um filme pornográfico. Para muitos, não passava de lenda disseminada por
línguas invejosas e destrutivas, lembrando que eram os anos 90, época em que
vivíamos de boa sem internet e muita coisa ficava sem provas. Eu era um desses
que não acreditava, achava difícil imaginar a loura se prestando a esse papel,
mesmo antes da fama. O que diziam por aí é que a Rainha dos Baixinhos, depois
de ter ficado famosa, tinha decidido apagar seu passado obscuro e para isso
desembolsou uma grana para tirar todas as cópias do mercado do filme em que
aparecia fazendo sexo com um garoto de 14 anos, mas alguns espertalhões que
ainda detinham o material divulgavam por aí de maneira clandestina.
Eis que na primeira
metade dos anos 2000, já com o poder da internet em mãos, finalmente pude ter
acesso ao material, ao menos uma parte. Era uma cena decepcionante, longe do
que diziam as línguas ferinas nos anos 90. Na cena em questão Xuxa aparecia
vestida de pelúcia dentro do que parecia ser uma caixa, e um adolescente não
parava de encará-la. Percebendo isso, a musa chama o garoto de maneira sedutora
e inicia um diálogo no melhor estilo predador e vítima inocente. Ela explica que
vai ser dada de presente para um homem muito rico e pergunta se o rapaz não
estaria sentindo desejo por ela. Seduzindo-o, a Rainha oferece o seio para
acariciar, e o jovem, virgem e bobo, se contenta em ficar passando a mão por
sua mama. A cena se resume apenas a isso, e acredito ter sido decepcionante não
só para mim, como para muita gente que estava esperando coisas mais explícitas,
apesar do teor realmente pedófilo.
Só que não parou por
aí. Essa cena que viralizou é um recorte muito pequeno do filme, que
pode ser encontrado com facilidade pela internet afora. Trata-se de uma
pornochanchada do começo dos anos 80 chamada Amor Estranho Amor, e Maria da
Graça Xuxa Meneghel não é a atriz principal, e sim Vera Fischer, contando
também com participações de nomes como Tarcísio Meira, Mauro Mendonça, Otávio
Augusto e Rubens Ewald Filho.
Ambientada em 1937 às
vésperas do golpe de estado no qual o então presidente
Getúlio Vargas institui
o Estado Novo (a Terceira República Brasileira), a trama apresenta já no início
o jovem Hugo (personagem de Marcelo Ribeiro) sendo deixado pela mãe aos
cuidados da personagem de Vera Fischer, dona de um bordel no qual acolhe o
adolescente. O então desorientado rapaz acaba se aproximando de uma prostituta
do local, personagem de Xuxa Meneghel, e com ela acaba perdendo a virgindade.
Quem assistiu ao filme sabe que a primeira cena divulgada é coisa pouca
comparada com o que vem a seguir; o casal chega a fazer sexo de fato, claro que
tudo não passa de uma encenação, nada real. A musa dos baixinhos rendeu também
ótimas cenas solo, danças sensuais, e sua atuação não deixa nada a desejar
entre os nomes da dramaturgia nacional que participaram do longa.
Resumo da ópera, a
glamourosa Rainha dos Baixinhos apanhou bastante por anos a fio, e praticamente
por nada. Não se tratava de produção pornográfica e não esteve envolvida em
nenhuma ação real de pedofilia, era simplesmente mais um filme entre o
gigantesco acervo da pornochanchada brasileira. Meramente uma ficção. Por
que não citar os outros atores também? Por que, em outro exemplo, não colocaram
na cruz Marília Pêra por ter encenado momentos libidinosos com um garoto de dez
anos em Pixote, A Lei do mais Fraco? Por mais que saibamos a resposta, pois são
atores há longos anos e sempre participaram de produções do gênero, não
artistas de imagem vinculada às crianças, é difícil não se indignar. Existem
outros filmes com a loura antes da fama de Rainha dos Baixinhos, é só procurar.
Antes dos programas infantis a loura se aventurava em áreas como a da atuação, e no momento que nosso Brasil passava eram produções como essa que rendiam bom
faturamento. Ela simplesmente ia aceitando os papéis que lhe eram oferecidos.
Entendamos também que no ano de produção de Amor Estranho Amor a musa estava
recém saindo da adolescência. Por pouco era uma baixinha também.
Sem dúvida os desenhos antigos são melhores que os atuais, e isso não tem nada a ver com o fato de já estarmos bem velhinhos e perdendo o interesse pela coisa. É só assistir novamente, dessa vez com olhar mais crítico, os clássicos das animações dos anos 80, 90, e, dependendo, indo mais longe ainda, para percebermos o quanto as histórias, as técnicas de animação, os personagens e os roteiros são ricos. Hoje em dia, as produções todas feitas em computação gráfica, vetor, técnicas em 3D e de custo bem mais baixo, podem até ter a chance de serem produzidas em maior quantidade e de poder arriscar, mas no geral acabam sendo direcionadas em sua maioria para um público mais infantil, pastiche do pastiche, sem criatividade e sem coragem de ousar. E ainda temos aí o politicamente correto, tudo precisa ser bem fofinho e educativo, é outra geração, mais sensível e menos corajosa. E foi com imensa saudade dos desenhos antigos, desses que não se importavam em mostrar para os meninos como um macho de verdade deve se comportar e enfrentar seus problemas, que passei a rever a série animada do Rambo produzida em 86 e exibida aqui no Xou da Xuxa, ainda no finzinho dos anos 80. Já pensava em matar a saudade do clássico há um certo tempo, mas só agora, com a perspectiva de um novo filme do Rambo depois de tanto tempo que desencanamos do personagem, que me bateu enfim a iniciativa de garimpar esses episódios pela Internet afora, e o que posso dizer agora não é diferente do que já imaginava; é um desenho muito bom! Aliás, bom não, excelente, como poucos foram feitos. Do meu tempo de criança, embora lembre da animação, das festinhas de aniversário com o tema dos personagens, das brincadeiras da escola e de alguns brinquedos da coleção que vim a ter, pouca coisa me lembrava da série animada, mas também pudera, eu era muito pequeno quando o desenho estava no auge. Mas o roteiro, para uma criança, é trabalhado a tal ponto que acaba mesmo sendo mais sugestivo à uma audiência mais velha, como era costume das animações dos anos 80. Os pequenos se contentavam com as cenas de ação, que não eram poucas, como tiroteio, explosões, sequencias de perseguição de automóveis e aeronaves, inclusive muita briga e violência. Hoje em dia com certeza o desenho seria inviabilizado a se destinar ao público infantil, e por isso a animação se torna tão interessante para mim. Sem esquecer a trilha sonora, que é belíssima e emocionante.
A animação é bem fiel aos filmes que fizeram bastante sucesso na época, estando em sua primeira sequencia até aquele momento. O personagem principal podemos dizer que é a versão em desenho do próprio Stallone na pele do ex-boina verde, e na história podemos encontrar outros personagens que integraram os filmes, como o Coronel Trautman. Claro que tem alguns outros acrescentados para enriquecer o universo da história, alguns bem fantasiosos, outros amigos, aliados, e equipe de vilões bastante criativa, mas mesmo assim está de acordo com o que podia se esperar de histórias envolvendo militares, guerras e espionagem. Talvez Rambo: A Força da Liberdade fique pau a pau no quesito ´´melhor desenho de soldado dos anos 80`` com G.I Joe. Nos Estados Unidos existem outras adaptações animadas de filmes que na verdade não têm muita coisa de tão infantis, mas grande parte ficou por lá, tivemos a sorte de poder ter contato com Rambo em uma adaptação bem fiel às origens e com personagens tão criativos que nos fazem passar a gostar tanto deles quanto do herói principal, uma grande sacada dos produtores.
Teve apenas uma temporada e poucos episódios para que pudesse considerar a série animada um sucesso, mas até hoje é lembrada por muitos que viveram os anos 80 e por isso é fácil de encontrar episódios em sites de compartilhamento de vídeo. De fato, é uma série bem difícil de ser esquecida. Ainda estou no sexto episódio, e torço para que consiga encontrar todos e acompanhar até o final. Muito obrigado a quem postou!
Lembro de ter visto em uma novela um homem sendo preso numa solitária, e para matar o tempo e não enlouquecer mantinha a mente ocupada se recordando dos nomes de jogadores de seu time de um ano específico. Recentemente, nos meus dias pós operatórios de uma cirurgia de hérnia inguinal me vi em uma situação parecida, tentando ocupar minha mente enquanto meu corpo precisava de repouso absoluto, sem ter nada para fazer depois de ter lido e relido tudo que tinha separado e com o celular carregando em uma tomada longe da cama. Mas como não sei nada de esportes e não tenho interesse por futebol, tentei uma coisa diferente, levando em conta o fato de me considerar um nerd e apreciador de cultura popular. Decidi então recordar os nomes de todos os Autobots que eu conhecia, lembrando ter revisto a animação clássica dos Transformers (Transformers G1) e os filmes recentemente. Com certeza a animação teve muitos personagens, alguns figuras recorrentes, outros apareciam do nada, outros desapareciam no decorrer da série, alguns foram criados apenas para vender brinquedo e outros simplesmente reapareciam depois de muitos episódios desaparecidos. Não me esforcei para lembrar dos Decepticons, a série tinha bem menos vilões do que heróis, mas os principais não eram menos interessantes, por isso fiz questão de recordar de um ou outro. Só sei que vou tentar reproduzir aqui os nomes e as características deles, do jeitinho que me lembrava, e se minha memória for boa a Internet vai me dizer logo na rápida pesquisa que farei depois dessa postagem. Nada melhor do que exercitar a higiene mental, não é mesmo? Claro que não vou acrescentar Optimus Prime e Bubble Bee nesse exercício de memória por achar que estaria sendo cara de pau.
Os Autobots que conseguia me lembrar fazer parte desde o início da série são: Clifjumper e Ironhide que eu vivia me confundindo sem saber qual era qual, pois ambos são vermelhos, mas creio que Ironhide é bem maior. Inclusive, tecnicamente Ironhide é mais importante, pois participou dos filmes do Michael Bay, sendo um exímio conhecedor de artilhria pesada, embora sua cor não tivesse sido respeitada, sendo retratado pela cor prateada. Round, um robô de personalidade, carismático, de cor verde (um jipe, acho), que também participou dos filmes, mas o que me incomodou foi ter sido retratado como um barbudo fumante. Brown, que era parecido fisicamente com o Mentor do He-Man, WillJack,o nerd, gênio, cientista, que infelizmente não foi aproveitado nos filmes do Michael Bay, Ratched, o médico, que em sua forma de veículo sugestivamente era uma ambulância, que apareceu no filme, porém de cor amarela escura, Mirage e Gears (que eu jurava ter um boneco dele, porém era um pirata de uma animação semelhante). Com o passar dos episódios foram aparecendo: Jazz, que imagino ser uma viatura policial, e que tem esse nome porque vive reproduzindo músicas do som do veículo. Apareceu no primeiro filme e foi a primeira baixa que os Autobots tiveram em batalhas terrenas contra os Decepticons. Alerta Vermelho, Inferno, que em sua forma automobilística é um carro de bombeiro, um que não me lembro o nome, mas que se transforma em uma escavadeira e que lembro vagamente de ter um boneco dele quando muito pequeno, Blaster, que também reproduz sons, mas ao contrário dos outros Autobots, não se transforma em veículo, e sim em um aparelho de som potente que toca rock pesado, Drax, um Autobot grandalhão que só perde em tamanho para Omega Supremo, talvez esse sendo o Transformer unitário mais complexo da série, Cosmos, que se converte em um disco voador, Power Glade, o único Autobot ´´com vontade`` de ser um Decepticon, que se converte em um avião/jato, Seaspray, que se converte em um submarino, outro Autobot diferente dos demais, e Perceptor, que se transforma em uma luneta/telescópio gigante. Não podia me esquecer do Teletran 1, super computador de inteligência artificial que passava todas as informações necessárias aos heróis em seu quartel general. E é tudo que consigo lembrar com relação aos heróis, tirando os aliados humanos Spike Witwicky (porque diabos será que tiveram que chamá-lo de Sam nos filmes?), seu pai que não lembro o nome, sua namoradinha Carly e um menino inteligente cadeirante. De aliados parecidos com eles tem os Dinobots, Transformers não oriundos de Cybertron e sim fabricados por WillJack e pelo pai de Spike, que também apareceram nos filmes de Michael Bay embora tardiamente. De nomes que consigo lembrar deles, era algo do tipo Grimlock, Slagh, Slug. Tem também os Aerobots, uma tentativa de aproximar os heróis dos poderes/habilidades dos vilões de se converterem em aviões, jatos e naves espaciais. Os Aerobots pelo que me lembro também não tiveram a mesma origem dos demais Transformers, eram mais jovens, mais rebeldes e inconsequentes, por isso viviam dando dor de cabeça, principalmente ao líder Optimus Prime. Lembro que também aparece uma namoradinha do líder Optimus e é contada toda uma história revelando sua origem. Sua namorada, inclusive, aparece em outro episódio com um visual diferente ao lado de outras amigas que compunham a equipe feminina dos Autobots, derretendo o coração dos rapazes.
Claro que não podia deixar de pensar nos Decepticons, mas na verdade os mais importantes eram Megatron e StarScreen mesmo, que viviam de rixa, um querendo superar o outro. Mas StarScreen para mim é o vilão mais interessante. Depois desses dois os que ganhavam destaque eram SoundWave, que se transformava em aparelho de som tal qual Blaster, e dentro dele vivia dois ´´mascotes`` Decepticons que serviam como espiões coletando informações importantes dos Autobots, Laserbick, uma espécie de passarinho, e Ravaji, uma espécie de tigre. Outros dois que eram bem parecidos com StarScreen era Thundercraker e Skywarp. Mais tarde apareceram outros dois que se convertiam em jatos, só que mais diferenciados, que apareciam episódio sim e episódio não, que não consigo lembrar os nomes, creio que alternavam sua participação com os outros dois já citados. Também é viva na minha memória a lembrança de um tal de Skyfire, que se convertia em uma nave gigante, que acabou ´´apadrinhado`` por Megatron embora não quisesse de fato fazer parte dos Decepticons, e sua participação foi tão pequena que, se apareceu em mais de um episódio, foi muito; um tal de ´´Rambo`` (acho) que não se transformava em nenhum veículo, e sua habilidade consistia em transformar seus braços em dois ´´socadores`` que causava terremoto no solo, Shockwave, que operava a ponte espacial que levava a Cybertron, pois apenas os Decepticons detinham os meios de operar essa tal ponte, e AstroTrem, que podia se transformar tanto em um trem quanto em uma astronave. Entre robôs aliados eles tinham os Constructicons (adoro aquele tom de verde) que juntos se convertem no grandioso robô Devastador, que também apareceu nos filmes, os Insepticons e os Acrobaticons, ´´tentativa`` Decepticon de emular os poderes/habilidades dos Autobots, já que eles também tinham os Aerobots. Mas se os Autobots eram ´´cidadões`` de bem que cumpriam a lei e a ordem, sua versão Decepticom não poderia ser tão íntegra assim, por isso os Acrobaticons pilotavam de maneira perigosa, usando e abusando de manobras malucas, sem respeito às regras de trânsito e limites de velocidade. Essas novas equipes podiam se fundir em um robô grandioso formando o seu próprio ´´Devastador``, e isso faz lembrar os seriados japoneses live-actions, até hoje acho interessante reproduzir isso num desenho animado, as crianças se amarram.
Bom, para mim essa é uma excelente animação até a terceira temporada, onde perdi o interesse. Não lembro de ter visto quando passava na televisão. Até cheguei a assistir os primeiros episódios, mas a história futurista distópica passada em 2005 (data longínqua para a época da animação), a atmosfera espacial, os novos personagens e o fato de praticamente todo o elenco original ter sido dizimado não me agradaram. O episódio que mais gostei foi quando ressurgiu Starscreen. Nem mesmo a volta do líder Optimus me empolgou. Entre a segunda temporada e a terceira é recomendado assistir ao longa animado de 1986 para poder entender o processo de transição em riqueza de detalhes. Apesar dos pesares, o longa animado é muito bom ao apresentar uma história tão dramática envolvendo os personagens principais bem diferente da que passava na televisão. Claro que a gente sabe que é tudo para vender brinquedo, mas... Quanto aos filmes vendo-os hoje quase simultaneamente com a animação, já não me parecem mais tão ruins quanto achei antes. O problema mesmo fica por conta de aparecerem mais os humanos que os próprios habitantes de Cybertron, já que no desenho havia uma guerra de Transformers no meio dos humanos, e nos filmes há uma guerra envolvendo humanos provocada por Decepticons. Não foi nem como retrataram os personagens e nem a computação gráfica que compunha os corpos de cada robô que desrespeitou a verdadeira essência da animação, nada disso. Mas fiquei sim, desejando aparecerem mais Autobots e Decepticons, nem que para isso precisassem ocupar o espaço desses humanos malditos. É nessas horas que entendo Megatron. Ah, e também não achei que todos os vilões devessem ter a tonalidade de cor mais escura e sem cor, quase todos prateados, para criar um aspecto dark que o distinguissem dos heróis. Sei que devo ter esquecido de citar alguns Autobots, mas sabe como é, tantos personagens...
Hoje em dia ele é muito pouco lembrado, mas com certeza você já viu um trabalho dele. É dele o visual adotado pela turma do Sítio do Pica-Pau Amarelo em sua versão em desenho, de 1997 a 2001, quando a Rede Globo optou por outro estilo de traço em suas animações. Mas o que dói lembrar é que esse grande quadrinista brasileiro, aliás, não só isso, como também animador, publicitário e grande criador de conteúdo, está em total esquecimento. Antes mesmo de sua morte, em 2007, vitimado pelo Mal de Parkinson, já não se falava mais dele, isso porque o brasileiro tem mania de falar que em nosso país não temos quadrinistas de expressão, e sequer sabemos reconhecer nossos talentos de verdade. Quem tem mais de 30 anos viveu bons momentos na infância com seus personagens. Mantenho viva na minha memória as historinhas da Turma da Fofura, do Gordo, da Patrícia, personagens que para mim não ficam devendo em nada aos personagens do Maurício de Souza, por exemplo. Lembrando que nos anos 60, ao lado de Maurício de Souza, Júlio Shimamoto e Gedeone Malagola (criador de heróis nacionais, como o Raio Negro), integrou a Associação de Desenhistas de São Paulo (ADESP). Contarei agora minha experiência com as obras desse estimado autor, e a contribuição que ele deixou para minha admiração pela leitura, quadrinhos e animação.
Quando criança eu adorava ler revistinhas em quadrinhos da Turma da Fofura, gibis que dividiam minha atenção (e a disponibilidade nas bancas para o adulto que fosse buscar para mim) com a Turma da Mônica. Anos mais tarde é que fui descobrir a leitura dos quadrinhos Disney. Eu achava o gibi da Turma da Fofura tão bom quanto os do Maurício de Souza, e é curioso hoje saber que a Editora Abril o lançou em substituição aos gibis da Mônica e sua turma, que tinham migrado para a Globo. Fofura é o nome de uma coelhinha branquinha e fofinha, dentuça e de vestidinho vermelho, sendo até fácil fazer uma maliciosa analogia ao personagem mais famoso do Maurício de Souza. Faziam parte de sua turma o cachorro Lambão, o coelho Escovão, e o Nenê, que assim como o Cebolinha, também falava ´´elado``. Como podemos ver, essa turma era mesmo uma fofura. Além da Turma da Fofura, Ely Barbosa lançava pela editora os gibis de seus outros personagens, a Patrícia e o Gordo, que faziam parte de outra turminha, entre ela personagens como Terremoto, um garoto encapetado que tinha como tique produzir o ruído TTTRRRRR, Fininho, e mais outros que minha memória já não permite mais lembrar. Como desde sempre os personagens do Maurício de Souza eram grandes expoentes do sucesso do quadrinho nacional, não é difícil imaginar que os personagens de Ely Barbosa carregassem grande influência de suas obras, era possível reconhecer características semelhantes neles. Terremoto, por exemplo, sempre achei muito parecido com o Cebolinha em suas travessuras, além de acabar se ferrando bonito no final das historinhas. Mas Ely Barbosa era versátil e buscava influência não apenas em um único lugar, se baseava também nas animações que faziam sucesso na época, sem contar seu estilo próprio e a inovação em misturar personagens humanos com animais humanizados, todos eles pertencendo ao mesmo universo de fantasia.
Bom, mas isso foi nos anos 80, e não foi nessa época que se iniciou a carreira de Ely Barbosa. Seu primeiro trabalho com quadrinhos foi desenhando para os gibis dos Trapalhões, na época da editora Bloch, nos anos 70. Cheguei a ver umas edições avulsas em alguns sebos do meu bairro de infância, e para falar a verdade nunca me interessei em conhecer. O legal mesmo era a versão mirim do quarteto, publicada também pela Editora Abril, muitos anos depois. Ainda nos anos 70 chegou a trabalhar com o Silvio Santos produzindo animações e criando personagens para publicidades. Produziu o comercial, hoje cultuado, da DDDrin, empresa especializada em controle de pragas, bem ao estilo da Insetisan, velha conhecida até mesmo de quem não foi da época. Produziu trechos de animação do filme Aventuras com Tio Maneco (1971, Flávio Migliaccio), juntamente com Ziraldo.
Mas creio que seu grande êxito artístico foi o lançamento do gibi Cacá e Sua Turma, lançado em 1977, quando decidiu desistir de trabalhar com animação e passar a se dedicar aos quadrinhos. Cacá é um cachorro simpático, e em seu gibi tinha historinhas de Lili e Dentinho, personagens já conhecidos do tempo em que trabalhava com Sílvio Santos, João Banana, Turma da Fofura, Turma do Gordo, e em sua segunda fase, os Tutti-Fruttis e os Amendoins, estes últimos de grande apelo ao público não infantil. Apesar de todo sucesso inicial, o gibi saiu de circulação em 1982.
Os primeiros quadrinhos feitos por Ely Barbosa foi para o gibi de Os Trapalhões
Em 1983 vai ao ar na Band o programa TV Tutti-Frutti, do Estúdio Elly Barbosa, com bonecos animados de seus personagens. Uma espécie de TV Colosso ou Vila Sésamo da época. O programa rendeu o prêmio APCA (Associação Paulista dos Críticos de Arte). Pouco depois, a Rede Bandeirantes exibia Boa Noite Amiguinhos, um programinha que passava às 20:00 com uma história de até cinco minutos com os personagens da Turma da Fofura. No final, um clipe bem fofo para botar as crianças para dormir. Mais tarde estreava Fofura na TV, série de conteúdo didático, que teve uma boa projeção internacional. Esses programas me lembram um pouco os Muppets.
No começo da década de 90, os gibis de Ely Barbosa pela Editora Abril foram cancelados. O autor volta então a se dedicar à publicidade, além de publicar romances e livros infantis. Seu maior sucesso literário até hoje é Onde Estamos, publicado pela editora Paulinas. Em 2002 é relançado a coleção Sílvio Santos Para Crianças, projeto feito em parceria entre o apresentador e o desenhista nos anos 70, porém com a arte refeita.
Contudo, o que realmente aproveitei do autor foram seus quadrinhos dos anos 80 mesmo, o que para mim já é uma experiência muito estimada. Os detalhes de sua biografia e de suas obras fui me informando pouco a pouco em sondagens pela internet, e tudo que me rendeu foi a sensação de que perdemos um grande autor brasileiro de obras infantis que sequer foi prestigiado corretamente. Pois, se nos anos 70 e início dos anos 80 ele pôde ter um certo reconhecimento, nos dias de hoje ele mereceria ser relembrado, suas obras republicadas, e seu nome creditado como um dos maiores cartunistas e empresários brasileiros, ao lado de Maurício de Souza e Ziraldo. Esperaremos que, mesmo depois de sua morte, sua obra possa ser apreciada por gerações futuras, e que aprendamos a tempo que nossas obras, ao menos em termos de criação, não estão abaixo de produções como a Disney, já que dinheiro e empreendimento é bem diferente.
Um Passeio no Cometa
Ainda quando lia seus gibis, morria de vontade de ter um brinquedo da Turma da Fofura, mas não existia. Fantasiava em ver os personagens reais, em carne ou osso, mesmo em animação (ainda era muito pequeno e nem sabia que chegou a existir o Boa Noite, Amiguinhos), tal como tinha com os personagens da Turma da Mônica, pessoas reais interpretando os personagens com máscaras e fantasias em rápidas apresentações. Eis que um dia vi estampado atrás de um gibi a propaganda da peça com a Turma da Fofura chamada Um Passeio no Cometa, sendo trazida em VHS pela Globo Filmes. Não cheguei a assistir a fitinha, mas já deu para matar um pouquinho minha vontade de ver os personagens fora das páginas dos gibis apenas olhando a capa da VHS. É lógico que fiquei sonhando por um bom tempo que estava assistindo a fita, mas só pude satisfazer minha vontade dia desses, graças ao nosso querido Youtube.
Curiosidades:
Ely Barbosa era irmão do novelista Benedito Ruy Barbosa. Os personagens do programa Oradukapeta, apresentado por Sérgio Mallandro nos anos 80, Anjinha e Capetinha, foram criações de Ely.