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sábado, 1 de janeiro de 2022

Tente fazer um Feliz 2022!!!

 


Então é ano novo. O que trará de novo? É difícil imaginar. Aliás, dá medo imaginar. Não dá para não falar de pandemias. Aqueles que tiveram o azar de se contaminar mas se recuperaram têm motivos de sobra para agradecer aos céus, mesmo assim o sofrimento existiu para todos, mesmo os que conseguiram fugir disso, pois não foi fácil tanta privação, medo, isolamento, falta de trabalho, dificuldades em consequência, sem contar os que tiveram casos na família, os que perderam seus entes e mesmo a vida. Mas não quero pensar nessas coisas e sugiro a ninguém pensar, por mais que possa parecer difícil. A esperança está aí, motivos temos para ter.

Independente de qualquer caso ou coisa que venha a aparecer, estejamos prontos, preparados para combater, com as armas que temos em mãos. Devagar, sempre, aumentando a confiança gradativamente. 

A vida nos ensinou que a felicidade está em coisas simples, que deveríamos desde sempre ter dado valor. Que esse ano de agora traga menos doenças, mais oportunidades e chances de poupar ou aproveitar nossos recursos financeiros. 

Que aprendamos mais, mesmo a duras penas, lembrando que somos maduros e estamos calejados com tanta coisa bizarra que apareceu, mas não foi de graça e nos deixou mais fortes. 

Não espere nada cair do céu, não pense no que não pode fazer, e sim no que você pode. Menos pode ser mais, saiba fazer a diferença. Faça boas surpresas, mesmo que não necessariamente caras. Tenha, contudo, boa vontade em receber carinhos simbólicos, entendendo sua real importância. Seja grato e aja de boa fé.

Estude, aprenda, faça um bom empreendimento, lembrando que isso não significa, em hipótese alguma, perder mais do que ganhar. Use a imaginação, esqueça, supere, mude, lute, controle sua mente, jogue fora o que não presta, jogue fora o que não for essencial. Não tente mudar o que não pode ser mudado e não for de sua responsabilidade, o que não tiver remédio, remediado estará. 

Estenda a mão sem esperar que estendam para você, não olhe para trás, não se envergonhe, não tenha medo, desde que seja algo que goste ou que valha a pena lutar. Não precisa ser igual a tantos outros, mas o respeito, bom senso e juízo deve ser levado a sério.

Ensine, aprenda, mas nunca discuta, não gaste energia se não valer a pena. Não se exiba, mas tenha orgulho de você, se cuide, capriche, tenha vaidade. Não se exponha sem necessidade. Nunca tenha vergonha de aprender com qualquer pessoa, e em qualquer situação. Não tenha medo de mudar.

Viaje, poupe, gaste, só você pode saber o quanto, quando e como. Não espere aprovação dos outros, mas tenha autoaceitação, desde que tenha certeza de sua integridade.


Algumas coisas estão sob nosso controle e outras não. Quanto as que não tiver, apenas cuidados, rezas e água benta. Quanto ao resto, só mesmo você pode saber. Este ano pode ser até melhor que os anteriores, porque não? Não tenha medo, também, de saber aproveitar as oportunidades. 


Feliz 2022 então. Respiremos fundo e.... boa sorte para todos!!!!

quarta-feira, 15 de dezembro de 2021

10 Filmes Ruins Que Eu Adoro

 


Sou o tipo que não liga para opinião alheia. Não me importa o que todos dizem, se determinado filme é bom ou ruim, eu preciso assistir para tirar minhas próprias conclusões e muitas vezes o resultado é surpreendente. Por essa razão nunca vá na onda dos críticos, seja seu próprio crítico. Listei aqui dez filmes que todos tentaram me fazer detestar, mas tudo que consegui foi amar e me divertir a cada vez que assisto.



1 – Mortal Kombat II - A Aniquilação: Do jeito que terminou o primeiro Mortal, tudo levava a crer que fariam uma continuação, e de fato torcíamos para isso. Queríamos ver os outros personagens em ação. Foi lançado Mortal Kombat – Aniquilação, mas foi de maneira discreta, poucos ficaram sabendo na época, e diretamente para VHS. Tudo bem que a qualidade era inferior, provavelmente produzido com orçamento menor, efeitos especiais toscos e figurinos que parecem cosplay, sem contar o uso de atores desconhecidos, com exceção dos que retornaram com seus papéis originais, Robin Shou  (Liu Kang) e Talisa Soto (Kitana). Jhonny Cage (Chris Conrad) não conta, pois morre bem no comecinho e da maneira mais idiota possível, desperdiçando chances de uso de falaties ou de um drama maior no time dos heróis. Apesar dos pesares, o filme continua sendo Mortal, e sinceramente, bem melhor que esse último aí que foi lançado. As cenas de ação são iguais às do game, todos os personagens aparecem com exceção de bem poucos, e o conjunto da obra, os monstros, as cores, explosões, lutas coreografadas, visual hi-tech de Cyrax, e Smoke (faltou o Sektos. Snif, snif,) nos dá a impressão de que estamos assistindo a um tokusatsu. Sem contar que a atriz que faz a Sonya Blade é uma gata. Pena que hoje é considerado uma vergonha alheia, sabe-se lá porque.



2 – Batman e Robin – Considerado, desde sempre, uma vergonha alheia danada, essa pérola de Joel Schumacher merece crédito por ter grandes nomes em seu elenco, George Clooney (então galã de Plantão Médico) como o herói, Uma Thurman como Era Venenosa, Arnold Schwarzenegger como Sr Frio e Alice Silverstone (então muito conhecida por As Patricinhas de Beverly Hills) como Batgirl. Além desses vilões geniais, ainda podemos ver a primeira versão de Bane, tudo bem que com um visual bem mais tosco, mesmo assim mais próximo dos quadrinhos, só que não fala, sua origem é outra e é bem menos ameaçador, limitando-se a ser capacho da Era venenosa. As cenas glaciais à la Frozen, a dupla dinâmica brigando como adolescentes disputando uma mina, os ´´Bat-mamilos`` da fantasia, a gatíssima Barbara Gordon em seu traje que a deixa bem mais sexy, as piadas tontas (quem viu jamais vai esquecer do Bat-cartão), o visual colorido, clima bem humorado, uma vilã sensual, e Alfred num drama típico de novela mexicana. Parece receita de filme de sucesso, não? Difícil entender por que o diretor teve que pedir desculpa.

 



3 – O Mundo das Spice Girls ­– Na segunda metade da década de 90, tudo que era moleque fantasiava em pegar ao menos uma da Spice... e quem era menina, sonhava em ser uma delas. Tudo bem, o filme O Mundo das Spice Girls foi feito para elas, é tudo bem feminino e fofinho, e ao contrário do que podiam pensar na época não se tratava de um documentário musical ou bastidores de uma turnê, e sim de um filme ficcional, com direito a extraterrestres e espionagem tosca. Entre os atores famosos podemos destacar Allan Cumming, praticamente irreconhecível como um paparazzi. Mas como as musas além de apimentadas eram divertidíssimas, o filme é uma curtição embalada com hits do grupo que fizeram moda na época. Dê o braço a torcer e assista escondido, livre de preconceitos.



4 – O Gato – É um desses filmes infantis que consegue ser engraçado sem ser tonto ou piegas. Espevitado que só ele, o Gato (O Gato do Chapéu, no original) é uma criação do mesmo autor de O Grinch, Theodor Geisel, popularmente conhecido por Dr. Seuss. O gato apronta tanto que se torna o tio que toda criança queria ter, sendo ele tão fantástico, agitado e cômico como um personagem da Carreta Furacão. Algumas crianças, bem sei, chegam a ter medo dele, mas... O filme conta também com uma participação bem rápida (e sem graça) de Paris Hilton. Injustamente foi indicado ao troféu Framboesa de Ouro em 2003, ano de seu lançamento, assim como também foi Mulher Gato e o recente Cats. Definitivamente a academia de cinema não gosta de gatos.



5 – As Panteras – Essa colocação serve para os dois filmes, o de 2000 e sua continuação, As Panteras – Detonando, que para mim são igualmente bons. Esqueça esse último de 2019 com Kristen Stewart, que tenta a todo custo provocar lacração feminista como se os dois primeiros já não fossem feministas suficientes, em uma época onde tudo era mais sútil. Eu muito pouco ouvia falar da série dos anos 70 até então, só ganhando intimidade com o time Alex, Dylan e Nat. Depois de me divertir bastante com o ritmo ágil e cômico, porém de roteiro fraco e de pouca profundidade do primeiro filme, vibrei com a participação irrisória do Rodrigo Santoro na continuação, além da tentativa de uma versão sombria, com a volta do personagem de Crispin Glover e com as referências engraçadas de outros filmes e séries. Achei até mesmo o Bosley do saudoso Bernie Mac melhor que o do Bill Murray. Mas claro que o que eu mais gostei foram das beldades que aparecem nos dois filmes.



6 – Double Dragon – Dizem que até hoje não existe um bom filme adaptado de jogos de videogame, inclusive o agora citado foi massacrado até dizer chega, mas sinceramente, achei o filme bem legalzinho. Tudo bem que é cheio de gracinhas, piadinhas infames fora de hora, podiam ter feito uma história mais séria, mas o filme diverte a maior parte do tempo. A descaracterização de alguns personagens nem incomodou tanto assim, como o Billy Lee moreno e não louro como nos games e o Abobo, vilão bem conhecido que virou uma espécie de monstro marombado e descerebrado dos Power Rangers, pois, afinal de contas, temos personagens interessantes como o ´´gran boss`` Chuko, Marian Delario, parceira dos irmãos Lee, e Linda Lash, interpretada pela belíssima Kristina Wagner. O elenco feminino, aliás, é para ninguém botar defeito, não podemos esquecer a gatinha singapurense Julia Nickson-Soul como Satori Imada, a matriarca dos irmãos dragão. Sem contar que pra mim esse é um filme especial, pois o assisti em uma época muito gostosa da minha vida. Minha memória emotiva, contudo, só me permite enxerga-lo com bons olhos.

 



7 -  Dragonball Evolution - Como adaptar uma série tão extensa e querida no mundo todo, dos mangás aos animes, com tantos personagens e arcos de histórias, para uma versão live action de aproximadamente 90 minutos? Parece uma tarefa complicada, certo? Sem contar que, para ter continuação, o filme precisaria ir bem na bilheteria, e a obra de Akira Toriyama é tão fantasiosa e cômica, com situações tão absurdas, que assim que noticiaram o filme todo mundo entendeu que o diretor tinha em mãos grandes responsabilidades. Pois bem, mudaram muita coisa, cortaram personagens, ignoraram a infância de Goku por mais que tentassem resgatar elementos da primeira saga Dragon Ball, condensaram um grande arco da história para caber no tempo de projeção tendo Piccolo como vilão principal, e deixaram os personagens e as situações mais críveis para que qualquer pessoa pudesse assistir, não só o otaku fan do anime. Muitos torceram o nariz para a escolha de Justin Chatwin para o papel de Goku, mas os produtores sabiamente lembraram que o saiyajn não deveria ter olhinhos puxados como o restante do elenco, e isso é ponto positivo, assim como a caracterização dos personagens no que era possível, mas o mais interessante para mim foi o penteado (ou a falta dele) do protagonista ter sido respeitado. As atrizes que fizeram Bulma, Chi Chi e Mai são tremendas gatas bem escolhidas, as cenas de luta são boas e só o que me incomodou foi o tempo curto de projeção. Teve umas coisas diferentes como o visual do mestre Kame, um Yamcha menos tímido e Goku como um colegial vitima de bullying, mas também teve muito fan servisse como Sheng Long aparecendo, Goku virando um Oozaru (macaco gigante que os saiyajin viram ao olharem a lua cheia) e a luta final se encerrando com o kamehameha. Precisa de mais coisa para o filme ser maneiro?



8 – Os Mestres do Universo – O príncipe de Etérnia tem algo a mais que muitos personagens dos desenhos animados dos anos 80; um filme com ´´personagens de carne e osso`` como anunciava na televisão. Até hoje tem gente reclamona achando defeito, esquecendo o ano que foi feito, as tendências da época e as inevitáveis limitações. Permanece sendo o único filme de He-Man, o que me faz assistir sempre que quero rever o herói na pele de alguém que honre seu nome, e vamos ser sinceros, Dolph Lundgren ficou ótimo para o papel, e seu visual muito bem representado. Temos uma produção digna de Star Wars com direito a frase clássica do personagem ´´Pelos poderes de Grayskull, eu tenho a força!!`` e só sentimos falta do príncipe Adam, Gorpo e Pacato/ Gato Guerreiro. O roteiro pode ser um pouco infantil, mas vamos lembrar que a animação também não era nada adulta.

 



9 – DOA – Vivo ou Morto – Baseado em um jogo que ninguém conhece, fica difícil esperar algo bom, sendo que até jogos populares nunca foram bem representados. Mas saca só, cenas de ação coreografadas bem ao estilo Matrix, narrativa dinâmica, humor ácido, violência e muitas, mas muitas garotas bonitas, são ingredientes que deixam qualquer filme interessante. Aqui, as lutadoras são o atrativo principal. O visual e as cores deixam tudo mais leve e alegre. Pode confiar.

 



10 – A Bússola de Ouro – Filmes únicos, sem continuação, podem ser considerados um flop. É o caso de a Bússola de Ouro, adaptação do primeiro livro da série de Phillip Pullman, Fronteiras do Universo. O filme conta com uma história que busca atrair tanto crianças como adultos, de drama comovente, personagens carismáticos e excelentes efeitos especiais e visuais. Sem contar as fofuras que ajudam a quebrar a densidade da trama. A série de livros não chega a ser um Harry Potter aqui no Brasil, a história é mais complexa, cheia de fundamentos teológicos e menos gostosa de ler. Já no filme temos a gracinha Lyra Belacqua (Dakota Blue Richards) e seu amiguinho daemon (no caso dela, uma espécie de ratinho chamado Pantalaimon, que quando preciso se transforma em outros bichos, como um gato), seu amigo e companheiro de aventuras Roger Parslow (Ben Walker), cujo daemon é Salcillia, um cão de raça terrier, e a cereja do bolo, o urso polar super cuti Iorek Birnison, pois não é sempre que vemos uma fofura dessa enfiada numa armadura de guerra, dando porrada e enchendo a cara deprimido, o que faz a gente ter vontade de botar no colo e dar muito carinho. Nicole Kidman como a vilã bela e sedutora Marisa Coulter também ajuda a vender a trama, no entanto, toda essa dramaticidade não casou bem com certos elementos infantis e público e crítica estranhou a combinação. Nem o visual glacial à la Frozen foi capaz de dar ao filme uma experiência sensorial mais palatável. Mas o espectador maduro que sabe acompanhar as nuances a cada direcionamento da trama vai entender que o filme é maior do que parece. Enfim, um filme nem para crianças nem para adultos, e sim para poucos.

 

Esses são apenas alguns filmes que têm meu respeito, minha admiração, independente se são sucesso ou não. Você, espectador, busque sua opinião, não vá atrás do que as pessoas dizem. Assista e opine você mesmo. Tem tanta gente por aí detestando coisas sem nem saber porque.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

O que dizer de colecionadores que não tiram os brinquedos das cartelas?

 


Desde sempre me sinto incomodado com uma mania que atinge grande parte dos colecionadores, sobretudo os de brinquedos, o fato de não tirar o produto, no caso brinquedo/ boneco, da caixa/ cartela, principalmente os mais antigos, os mais raros, os que custam uma grana. Segundo se diz, o produto perderia o valor uma vez retirado da embalagem, além do que, no caso daqueles que revendem ou trocam seus itens, o prejuízo seria considerável. Nesse caso seria até mais compreensível, mas a verdade é que mesmo aqueles que jamais abririam mão de seus itens de coleção costumam ostentar seus artigos em suas respectivas embalagens. Cada qual tem seu gosto de colecionar, mas juro não conseguir entender como é ter preciosidades embaladas, sem poder mostrar, sem poder ver direito, envoltas em plático e papelão. Nada como a sensação de sentir nas mãos um brinquedo raro, manusear, sentir o cheiro de plástico, a consistência, mexer em suas articulações, definir poses e variar o modo de como expor em sua prateleira. A embalagem não permite que contemplemos o produto, as caixas de papelão não permitem provar  que o colecionador detêm de fato o produto que a mesma estampa, fica parecendo um engodo, o ideal seria, se quiser guardar a embalagem, a deixar exposta estratégicamente atrás do produto. O pior mesmo é saber que tem gente que costuma pagar uma nota alta com embalagens vazias, mas como dito antes, gosto é gosto.

Ainda bem que não é regra, e existem muitos colecionadores que expõem sua coleção para apreciadores em páginas e canais de internet fora da caixa, com a preocupação de não deixar seus nichos parecerem paredes de lojas de brinquedos. Muita gente como eu chega a sentir uma coceirinha nos dedos só de pensar em abrir cada embalagem daquelas para ver como o brinquedo se apresenta de fato. Então, uma dica que dou aos colecionadores, de brinquedos antigos aos novos, dos fakes aos originais, é que se permitam sentir o prazer de sentir em mãos aquela peça que conquistou, que estava só esperando que você a arrematasse como dono, independente do tempo que passou. Consegue sentir o quanto isso pode ser encantador? Relações utópicas a gente tem só em nossas mentes, não com bens tangíveis. Não se torture, meu amigo. 

segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

A Família Dinossauros - Nem parece que foi há tanto tempo

 



O fenômeno

 

Tem séries que não acabam nunca enquanto existem aquelas que, por mais que sejam boas, contam com poucos episódios e se perdem no tempo. Às vezes é até melhor assim, as boas ideias da premissa original acabam sendo corrompidas em nome da audiência, o que, por sorte, não é o caso de A família Dinossauro. Exibida por aqui de 92 A 94, tempo quase simultâneo à sua produção, exibição e encerramento em seu país de origem, a Família Dinossauro, juntamente com Os Simpsons, vendia a ideia de uma produção destinada a todas as idades, explorando o cotidiano de uma família como qualquer outra, cada membro com suas peculiaridades, de fácil identificação ao público. Mas enquanto Os Simpsons estão aí até hoje em sua produção mais simples e de popularidade cada vez mais global, a família de Dino e cia só não se perdeu no tempo por ser uma série um tanto diferente, pioneira em sua época, levando o nome de Jim Henson e sua produtora na concepção de materiais utilizados em cena, o recurso que combinava atores em vestimentas especiais, fantoches e tecnologia animatrônica, animados por computador. Por aí já dá para imaginar a trabalheira que era dar vida a cada personagem em cada episódio, e o quanto isso era caro. Mas fazendo justiça, o seriado era muito mais que isso, a história contava bastante, com personagens carismáticos, muito humor negro e crítica social, e inovação ao retratar o cotidiano de uma família pré histórica na qual os ´´lagartos terríveis`` eram considerados seres pensantes, fazendo uma analogia aos dias atuais da época, e que mesmo hoje em dia continuam iguais, pois o seriado envelheceu bem, nem parece ter sido produzido há tanto tempo. O curioso é que, se aqui temos ´´Família`` já no titulo, no original a série não dá tantas pistas do que se trata a premissa, batizada apenas de Dinosaurs. Mesmo os personagens centrais, nada de Silva Sauro, nada de Dino, nada que lembre sua natureza reptiliana pré-histórica. O nome do patriarca é Earl, e o nome da família é Sinclair, talvez tenha sentido dentro de algum contexto norte-americano, ou não. De qualquer maneira, sabemos que as versões brasileiras para títulos e traduções costumam serem as melhores.


Era interessante ver que, ao alcançar grande popularidade, a série passava a não ser mais um programa semanal, indo de vez para as manhãs diárias da Globo misturando-se aos desenhos animados da programação infantil, isso perto do almoço, momento em que os adultos costumavam estar também presentes na preparação da ida das crianças para a escola, e acabavam tendo sua atenção despertada por essa família pré-histórica. Em terras brasileiras, sem dúvida o programa inicialmente era considerado um produto infantil, lembro que na época o país foi tomado por uma tal de ´´Babymania`` nome dado à modinha que o dinossaurinho rosa, caçula da família, atingia as crianças com seus brinquedos, roupas, acessórios de cama e colecionáveis. Um personagem infantil tão carismático e de fácil apego emocional, paródias de programas de televisão da época em um tom mais cômico, dinossauros se comportando como gente e um visual que lembrava bonecos de filmes dos Muppets e mesmo os cães da TV Colosso, realmente levavam a série para o reconhecimento de mais um conteúdo para os baixinhos, mas quem assistiu a série depois de ter crescido ou quem já era adulto na época, sabe que de infantil não tinha quase nada. Os temas centrais de cada episódio são muito bem trabalhados, envolve questões e termos super atuais já naquela época, como direitismo e esquerdismo, manipulação de massa, consumismo, o controle que a mídia exerce sobre nós, feminismo, fundamentos do trabalho, drogas entre os adolescentes, contestação política, ecologia, assédio moral no trabalho, xenofobismo, liberdade de expressão, alimentação carnívora e antinatural se contrapondo à alimentação saudável, novas tecnologias, capitalismo desmedido, noções de história, geologia e até mesmo vida sexual. O que devemos lembrar que todas essas questões eram veladas, não era nada, digamos assim, escancarado, nada de lição de moral no final, apenas os mais atentos entendiam e começavam a se questionar sobre cada acontecimento do episódio, ou seja, os adultos. Se visto nos dias de hoje, a única diferença é que no lugar da televisão, tecnologia tão consumida pela família, teríamos também a presença de internet, celulares e tablets, inclusive nas mãos do Baby Sauro, já que a alienação era amplamente abordada em cada história. Tanta criatividade nesse inteligente seriado acabava o tornando um item popular igualmente entre os adultos, melhor que isso, os adultos da série, não sendo meros coadjuvantes, passavam a fazer parte do imaginário das crianças, não mais apenas o Baby com seu irritante bordão exaustivamente reproduzido nas escolas e em brincadeiras infantis ´´Não é a mamãe!``. Qual criança da época não queria ter um pai igual o Dino da Silva Sauro, por mais que, como outros pais de séries da época, fosse recheado de maus exemplos? Apesar de irresponsável Dino era um pai de família bem melhor que muitos por aí, marido amoroso, paciente com os filhos e um grande exemplo de proletário, disposto a aceitar tudo para manter uma vida razoavelmente confortável em sua casa. Era fácil identificar membros da própria família com os personagens, tanto que qualquer item que levasse a imagem de qualquer um deles passou a ser fruto de desejo e ostentação. Foram lançados gibis, material escolar, LP com canções em português pela Xuxa Discos, biscoito Passatempo recheado, álbum de figurinhas, chicletes, artigos para festas, bonecos e diversos outros produtos, originais e piratas. Na mesma época, aproveitando o embalo da moda já lançada por essa família, veio outros produtos que exploravam a figura histórica de dinossauros, como o filme Jurassic Park e o seriado Power Rangers, cujos heróis representavam poderes de animais pré-históricos, que também renderam vários produtos, sem contar o extinto chocolate Surpresa, que oferecia de brinde figurinhas com imagens de dinossauros e uma resumida das características de cada espécie em seu verso. Crianças passavam a se interessar pelos répteis gigantes, e os adultos redescobriam uma curiosidade e passavam a ter noções básicas de paleontologia. Porém, a família Silva Sauro, dês de sempre fictícia, não apresentava com precisão histórica sua natureza. Sabemos que Dino é um megalossauro, e a Fran, matriarca da família, é uma alossauro, mas os filhos, e a própria mãe de Fran, parecem ser de espécies diferente, em nada combinando entre si. Roy, melhor amigo de Dino, é um tiranossauro, e senhor Richfield, chefe inescrupuloso de Dino, é um tríceratops, só que essa seria uma espécie vegetariana (se bem que, mais recentemente, soubemos que essa espécie sequer existiu, mas...) e a despeito de sua natureza, Richfield é um terrível predador. Mesmo assim, sabendo mesclar fantasia, humor e alguns pontos realistas, principalmente ao remeter à realidade humana social, o seriado conseguiu lembrar fatos do período em que se situava, a origem dos continentes, o princípio de sua separação, a era glacial, e a inevitável extinção das espécies nas quais pertenciam, retratada com justiça no episódio final, aquele que chocou todo mundo e foi banido em alguns países, mas que você pode encontrar na internet.

 



Pontos do seriado.

 

Tudo bem, a produção do seriado era dispendiosa por contar com recursos tão modernos para a época, isso sem contar com o esforço e o trabalho da equipe técnica para casar tudo isso, o que pode ter contribuído para a série ter poucos episódios se comparada a outras produções semelhantes. A série tentava ser econômica a seu modo, personagens como Zilda e Richfield permaneciam a maior parte do tempo sentados, o que poupava esforços técnicos, eram usados planos fechados para não ser preciso criar cenários demasiado grandes e de muita profundidade, bonecos eram reaproveitados para vários personagens e omitia-se alguns detalhes, como o carro da família, que apareceu em poucos episódios e em soluções práticas, como mostrando apenas o interior do veículo. Quem assistiu a série deve ter visto alguns personagens reproduzidos com a mesma aparência, isso acontecia porque para a criação de figurantes a produção mudava apenas as roupas de velhos conhecidos, mas que não eram da família original, o que contava com nossa aceitação. Inconscientemente imaginávamos apenas que eram indivíduos da mesma espécie. Inclusive era possível mudar o sexo pela troca de vestuário e pela voz da dublagem. Era assim com os colegas de trabalho de Dino, que ´´viraram``, em outros episódios, médicos, juízes, fotógrafos, ´´Mago do Trabalho``, namorados dos filhos adolescentes, entregadores, analistas, professores, populares e demais figurantes, inclusive o próprio Baby em sua versão adulta. Falando nisso, é quase deixado claro, em um determinado episódio, que Baby não é filho de Fran e Dino, tudo não passou de um acaso por uma troca de ovos, fato esse que Salomão, o Grande, conseguiu fazer não importar. Apenas o elenco principal não contava para outras participações como outros personagens, caso de Dino, Zilda, Fran, Bobby, Charlene, Baby, Sr Richfield, Mônica Invertebrada (que engenhosamente contava apenas com sua cabeça e seu pescoço comprido, em poucas vezes aparecendo seu corpo em uma panorâmica longínqua da casa da família), Roy e Carlão, melhor amigo de Bobby. Só em casos excepcionais podíamos vê-los como outros personagens, como quando aparece a irmã idêntica de Dino e quando a família recebe a visita do possível autêntico filho de Dino e Fran, no caso um Baby verde, menos travesso do que o que estávamos acostumados.




Como tudo que é bom dura pouco, em 94 os produtores do seriado decidiram que já era hora de terminá-lo, o que talvez fosse o tempo certo, antes que começasse a perder a graça. Para isso decidiram um final um tanto comovente, mas interessante em termos de história, que seria a extinção dos dinossauros já na geração dessa família querida que aprendemos a amar. Mesmo amenizado com o humor e a alegoria tão característicos dessa série, o épico episódio final traz nas entrelinhas a mensagem de que o capitalismo, o consumo desmedido e o desperdício de nossos recursos naturais podem simplesmente nos levar ao fim de tudo isso, o que acaba fazendo não valer à pena tais esforços, e que o melhor a fazer é usufruirmos tudo de forma natural, aceitando o preço sem querer dar um passo maior que as pernas. É incrível pensar que um seriado retratado em tal época e considerado apenas um sitcom ou um simples programa infantil, pudesse trazer mensagens tão profundas para os dias recentes, e que, aliás, faz muito mais sentido nos dias ainda mais atuais, onde tudo tem andado em um ritmo cada vez mais desordenado, nos fazendo ter uma perspectiva não muito boa do futuro. Será que, tal como os répteis gigantes pré-históricos, nós humanos poderíamos ter um destino semelhante? Bem, seriados como esse são raros hoje em dia, e talvez por isso não mais exista. Estava bem à frente de seu tempo, o que se torna irônico em vários sentidos. Hoje ele seria ajustado para se tornar uma comédia mais leve e sem mensagens políticas ou ecológicas. Hoje o ´´canibalismo`` e o humor negro seria tratado como algo indigesto para a TV aberta, onde um certo bebê Yoda não conseguiu ser tratado com tanta naturalidade ao passar aos olhos pseudo conservacionistas, gerando militância em meios midiáticos. Você pode não lembrar ou sequer ter percebido, mas sim, A Família Dinossauro previu tudo isso.




quinta-feira, 14 de maio de 2020

Regina Duarte mereceu ser crucificada?


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A princípio não tive vontade de fazer um post sobre esse tema, mas, como esse blog se propõe a falar de todo tipo de manifestação artística e meus gostos especiais de um entusiasta de artes em geral, acho que um assunto tão recente tratando-se da ministra da cultura atual não pode passar despercebido. A entrevista de Regina Duarte para um programa da CNN divide opiniões. Longe de querer misturar com assuntos políticos e partidários, acredito que, desde o início, a mulher foi colocada numa saia justa por uma equipe jornalística pouco profissional, antibolsonarista, que sem se preocupar em não evidenciar perguntas tendenciosas, foi logo atacando com perguntas que fugiam à sua função. Não necessariamente Regina precisaria estar de acordo com propostas do partido com a qual trabalha, se já há muito tempo desejasse ter a oportunidade de propor suas ideias, direitos e deveres a toda uma classe artística, classe da qual faz parte há tantos anos. Como ela mesma disse, esse negócio de esquerda e direita é algo descabido, não passa de um rótulo. Não vou dizer que gosto da Regina Duarte como artista ou ministra, para mim tanto faz, mas é certo que suas propostas não precisam estar associadas com o sistema do governo Bolsonaro, é uma área totalmente específica, esse governo nada ou muito pouco entende de cultura, e se é sua chance de fazer alguma coisa nessa época tem mais é que aproveitar a chance. Ao menos a cultura dos dias atuais pode estar sob boa gestão, longe de toda sujeira e desordem do sistema político atual, e o que a Regina Duarte pode fazer é botar a mão na massa e cuidar do que pode. Ela foi duramente interrogada e criticada pelo sistema fascista brasileiro que se manteve até 1985, principalmente depois de ela falar sobre sua relação com o presidente. O jornalístico fez questão de frisar que o presidente enaltecia o poder e a ´´competência`` de coronel Ustra, em atividade no movimento e responsável por prisões e torturas de jovens, inclusive crianças. Mas, com sinceridade, esse assunto não cabe à Regina, com certeza ela não seria favorável a esse movimento, e ela não se referia a essa fala e a todas essas questões quando contava os momentos em que conversava com o presidente e este explicava as duras penas que enfrentaria aceitando o cargo. Pessoas normais não compactuam com as falas do presidente e menos ainda com o sistema político que o Brasil atravessou nessa fase, com certeza essa época vai ficar para trás sem jamais se repetir, lembrando que o primeiro passo que o Brasil precisaria tomar para voltar com a ditadura hoje seria tirar a internet do alcance de todos, veículo onde mais temos liberdade de expressão. Também não estou dizendo que sou a favor do governo Bolsonaro, apenas quero ser justo com aquilo que podemos salvar, se feito com boa vontade. Regina Duarte, com sua imagem bem viva de certas ´´Helenas`` de novelas do Manuel Carlos, quase todas ambientadas no Leblon, bairro do Rio de Janeiro, tem carisma, fala mansa, e esbanja a satisfação e a  simplicidade de uma pessoa feliz. Pode ser que ela não saiba se expressar muito bem, precisaria de um assessor, ela ainda é mais atriz do que ministra, mas é só com isso que ela peca. Mas é aquela coisa, você pode se enforcar com suas próprias palavras, as pessoas não perdoam, é normal se prejudicar por até muito menos. As pessoas não têm boa vontade de procurar entender ou ter apatia, pois julgar é mais fácil. Quando Regina mostrava-se ´´não ligar`` para as pessoas que morreram em épocas passadas pelo sistema ditatorial fascista, comparando com holocaustos e outros ditadores, ela queria dizer que era algo que ficou preso no passado, que nada mais podemos fazer além de deixar para trás e não reproduzir, que devemos ´´olhar para frente`` e pensar no que fazer para o futuro, dentro de sua função, projetos envolvendo a classe artística, logicamente. Afinal, o que essas questões teriam de ligação com o trabalho que a Regina vem fazendo, sendo que não tem nem mesmo com o governo Bolsonaro? A ministra não é desnaturada, não quer passar panos quentes, apenas dizia que nada mais poderia ser feito, e que, a partir de agora, devemos pensar em um futuro melhor, um futuro vivo, com artes e qualidade de vida. Sei que é um assunto sensível, que é preciso cuidado na hora de se pronunciar, mas mesmo assim, vivemos uma época em que precisamos ser solidários, tentar entender e encontrar um senso comum. Lembrando que a área da Regina é somente a cultura.
Quanto às doenças, essa pandemia que não podemos esquecer e todas suas mortes, inclusive de artistas, vítimas ou não do covid-19, Regina foi obrigada a tomar um posicionamento, e como grande parte do mundo, encontrava-se de mãos atadas. O que pôde fazer é entrar em contato com a família de artistas falecidos ou convalescentes, como qualquer pessoa de bem. Regina não é culpada pela disseminação de doenças ou por mortes, e como ela mesma disse na entrevista, não quer falar disso.  Mostra-se focada em trabalhar pensando na vida, recuperação, trabalho e artes. O que ficou para trás, o que não é de sua alçada, ou planos políticos que não influem no que ela pode oferecer, não estão dentro de sua proposta. Não adianta querer despejar na ministra todo seu descontentamento com a política no Brasil. Regina Duarte pode parecer sim aluada, dissociada da realidade, mas isso é apenas um reflexo de sua veia artística, acho que ela devia ser mais respeitada, tem todo direito de ocupar essa cadeira, atriz com tantas novelas no currículo, a eterna ´´namoradinha do Brasil``. Precisa de um crédito de confiança. Quanto a não querer responder o depoimento de Maitê Proença, foi só uma reação natural a um programa tendencioso que não avisa o que tem em pauta. Mesmo assim, acho que ela devia responder, com imparcialidade, independente do tema a ser analisado, como boa ministra que acredita ser, ouvindo e acatando as pessoas envolvidas em seu meio. Regina foi intransigente, geniosa, sequer ouviu o que a colega tinha a dizer, e essa é minha única crítica quanto a seu comportamento de ministra da educação. No mais, Regina não é a culpada por todas essas coisas ruins que vem acontecendo, culpem o governo Bolsonaro, os órgãos específicos, não o ministério da cultura.

terça-feira, 12 de maio de 2020

Capitão Planeta e os Protetores


Túnel do Tempo – Capitão Planeta | Gabo Carvalho

Insisto em dizer que os desenhos antigos são os melhores. Hoje em dia é difícil encontrar um desenho que funcione tão bem para todas as idades, melhor que isso, que seja sim infantil, mas um infantil levado a sério, que não fique datado, preso no tempo. Uma clássica animação que podemos destacar é Capitão Planeta, que, visto em qualquer época, continua sempre atual. Passava nos anos 90, nas manhãs da programação da Globo, e enquanto crianças não percebíamos a grandiosidade das mensagens que o desenho passava, para muitos era apenas uma animação tradicional de cinco jovens escolhidos de diversas partes do mundo a dedo, por uma entidade da mãe natureza para combater o mal, sendo que, na verdade, o principal mal não é nada como uma invasão espacial, por exemplo, e sim uma ameaça que existe mesmo na vida real; a poluição. Cada um portava um anel do qual extraía poderes baseados em cinco elementos da natureza; o ruivinho novaiorquino Willer, jovem bonito e forte candidato a protagonista (o que não podia ser diferente, já que o desenho é americano) possui o poder do fogo, o que é condizente com sua personalidade e seus desejos ardentes à flor da pele, levando em conta sua idade e seus hormônios em ebulição, sempre tentando conquistar a loirinha russa Linka, mas nunca obtendo sucesso. O jovem é um tanto ignorante quanto às questões naturais, mesmo sendo por conta da influência das pessoas à sua volta ao longo de sua vida. Também é impulsivo, corajoso, viril, mas sempre gente boa. No time masculino também temos Kuami, representante da África. Preocupado com plantações de árvores e alimentos em sua terra árida e pouco fértil, acaba ganhando o anel cujo poder é a manipulação da terra. Como representante da América do Sul temos o indiozinho Ma-ti, um provável brasileiro, habitante de uma tribo da Floresta Amazônica, o mais novo do grupo, e um tanto frágil e sensível. Seu poder é o ´´Coração``, que, embora não sendo um dos elementos naturais, é importante para a conexão, o respeito e o desejo de preservação a tudo de importante à sua volta. Ma-ti vive acompanhado por seu macaco prego de estimação, Sushi, embora seu nome não faça o menor sentido. No time feminino temos a asiática Gui, que em contrapartida à modalidade de pesca aos golfinhos tão comum nos países asiáticos, a menina tem como paixão esses simpáticos mamíferos. Também é uma exímia nadadora, razão pela qual ganhou o poder de manipulação da água. E a já citada Linka possui o poder de manipulação do vento. O desenho não deixa claro se os jovens possuem a capacidade de criar tais elementos ou apenas manipulá-los através de matéria prima já fornecida, na maioria das vezes parecia que apenas Willer tinha capacidade de criar seu elemento. Conforme as coisas iam ficando piores, os jovens uniam seus poderes (quase sempre por iniciativa de Kuami) e formavam o Capitão Planeta, um herói peculiar de corpo metálico, cabelo verde e partes vermelhas, não necessariamente obedecendo às cores do planeta Terra, super forte, com capacidade de voar e o dom de reciclar materiais destrutivos para alguma coisa que a natureza possa aproveitar. O interessante é que ele não fazia o tipo indestrutível, tinha lá seus pontos fracos, como a poluição e a toxicidade, que enfraquecia seus poderes. Eu até chego a achá-lo fraco, pois vivia levando a pior no combate aos inimigos. A poluição, inclusive, enfraquecia os poderes dos anéis. Nesse caso, os jovens heróis tinham que criar outra estratégia.
Batizado por Os Protetores, os jovens foram escolhidos e reunidos por Gaia, entidade representante da natureza, que se manifesta por uma morena formosa e altiva. Eles se reúnem na Ilha da Esperença sempre que surge uma ´´Ecomissão``, como bem diz Gaia. Além dos anéis, Gaia também ofereceu aos Protetores o Geo-planador, nave ecológica movida a energia solar, que os jovens se revezam para pilotar e se dirigir a diversas partes do globo, e onde podem observar a tudo pelo Planeta visão, monitor embutido no painel do veículo. Eles usam também o Geo-submarino, para missões aquáticas. Se os jovens retornam para seus respectivos continentes, casas e família após cada missão, não sabemos, mas é certo que os cinco passam muito tempo juntos, se divertindo ou trabalhando, como grandes amigos. Ao longo da série eles chegam a conseguir alguns aliados que os ajudam a manter a ordem e o equilíbrio ambiental.
As ameaças ecológicas representam problemas reais, mas nessa animação os gananciosos, que muitas vezes fazem uso de planos antiéticos, são vilões fixos, estigmatizados, fácil para a compreensão das crianças de como funciona o lado sombrio do progresso e suas consequências para o futuro. A série se preocupa em sugerir o melhor modo de como deve funcionar as indústrias, o comércio, respeitando a vida, o espaço geográfico, fazendo observar que, a longo prazo, o respeito ao meio ambiente é mais importante que o dinheiro, do contrário nada faria sentido. Os vilões são interessantes e bem trabalhados, representados por poluidores como Greendler, um homem de sugestivo aspecto suíno sempre acompanhado por seu braço direito Rigger, a Dra Blight e seu fiel computador de inteligência artificial M.a.l, Duke Nuken, Bil Plender, Matreiro (Dr Lodo), Verminoso Scum, Celsu Jeira, Zarm, Roupa de Couro e muitos outros, dos mais terríveis aos mais atrapalhados. Ao final de cada episódio, os heróis passam mensagens de como devemos cuidar da natureza.
Mesmo depois de tantos anos a série continua atual, com suas questões ambientais. Já adulto, percebo que o desenho é muito mais que um simples espetáculo infantil, e o quão importante ele é para o desenvolvimento de um adulto responsável, consciente com o mundo em que vive. Pena que a maioria dessas questões nos passava despercebidas quando crianças. Eu diria até que é uma animação à frente de seu tempo, e se mais animações como essa fossem produzidas na época, quem sabe o mundo hoje não seria bem melhor. O desenho já citava, mesmo nos anos 90, aquecimento global, crescimento populacional, uso de drogas por adolescentes, poluição, desperdício de dinheiro, pragas, pestes, quarentena, desmatamento de florestas, mau gerenciamento na criação de animais, preconceito com certos tipos de animais, caçadas ilegais, desequilíbrio na fauna ambiental, falta de ética na venda/ aquisição de produtos e mercadorias, ciência ilegal, enfim, tudo de maneira didática, permitindo-se o uso de alegorias, mas tratando com seriedade, de modo que toda a família pudesse entender. Permitia-se o uso de imagens chocantes para fins educacionais. Pena esse desenho ter praticamente se perdido no tempo com todas essas mensagens, porém, acredito que ainda não é tarde para redescobrirmos seu conceito e pôr em prática tudo que a animação sugere. Vivemos um momento de preocupação com o meio ambiente e a vida na Terra, nada mal para estudarmos meios de preservação do mundo onde vivemos. Seja conversando com as pessoas, pesquisando por aí, e seguindo o bom senso. Já somos grandes e sabemos o que precisa ser feito. Na dúvida, podemos até mesmo lembrar quando éramos crianças e revisitar episódios antigos da série animada Capitão Planeta. Vai que refresca nossa memória?

quarta-feira, 11 de setembro de 2019

O QUE TORNA UM FILME ADULTO?

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Até hoje não consigo entender quando falam que determinado filme de super herói ou personagem oriundo de quadrinhos e animações, é feito para o público adulto. Nós adultos também gostamos de super heróis, mas é difícil não concordar que esse gosto adquirimos ainda na infância, assistindo as animações, ganhando seus brinquedos e mais tarde, conhecendo ou não, suas histórias em quadrinhos. Além do mais, me pergunto o que de fato torna um herói ou qualquer personagem fictício ´´coisa de adulto``. Suas histórias bem elaboradas, cenas de violência, drogas, linguajar inapropriado, clima sombrio e muito sexo? Bem, em minha opinião é exatamente isso que infantiliza a produção. 

Vamos lá, basta pensarmos em nossa própria vida. Conforme envelhecemos, passamos a levá-la de um jeito mais, digamos, ameno, nos tornamos mais tolerantes, deixamos de levar as coisas a ferro e fogo, aprendemos a valorizar a paz e as pequenas coisas. Se você me pega, por exemplo, um desses filmes da DC atuais, com um Bat-Man ´´emo``, dark e depressivo, vou achar das duas uma, ou ele precisava de tratamento psicológico urgentemente ou ainda não atravessou a adolescência. Em Liga da Justiça, que muita gente reclamou, encontrei um Bat-Man que devia ser, uma pessoa melhor, mais alegre, de ar jovial, talvez por ter conhecido o ´´amor`` ao lado da Mulher Maravilha, aquele tesãozinho juvenil que deixa tudo mais colorido e tanto contribui para nossa maturidade. Aliás, o filme todo estava nessa pegada, pena que ninguém soube reconhecer seu devido valor. E parece que até agora ninguém sabe o rumo exato das produções que a Warner pretende tomar.

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Do outro lado temos a UCM, e paradoxalmente as produções mais tidas como ´´adultas`` são os filmes do Deadpool. Sinceramente, o personagem mais infantil de todo universo Marvel, mas isso não quer dizer que seja ruim. Se pegarmos novamente os exemplos de nossa própria vida, encontramos no longo caminho de nossa estrada pessoas infantis, imaturas, e talvez nós mesmo sejamos tal pessoa, e nos filmes essa questão não pode ser jogada fora e sim aproveitada, afinal, o alívio cômico é um ingrediente importante. E exatamente como uma pessoa imatura qualquer, Wade é desbocado, vive fazendo piadas, cheio de gracinha e um tanto ´´pervertido`` sexualmente, lembrando um adolescente. Quando adultos somos mais centrados, deixamos de lado certos instintos básicos de nossa natureza para se adequar na sociedade, pelo menos nos momentos em que estamos fora de casa. 

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O que acredito é que um bom filme de ficção/ fantasia deve ser interessante tanto para crianças como para adultos, abrindo bem seu leque de público. Precisa sim ter um roteiro bom, coeso, seguindo o bom senso, equilibrado com cenas de ação que todo mundo gosta independente de qualquer coisa. Bons cineastas sabem fazer isso. Enxugando o desnecessário, com maturidade e sabedoria, deixando apenas o que as pessoas querem ver. Me pergunto, ainda, se teoricamente cenas de violência se enquadram na classificação adulta, mas imagino que não. Filme de super herói sem violência não combina, se tomarmos como base os quadrinhos e as boas animação de até a primeira metade dos anos 90, pelo menos. Se não for algo como banhos de sangue, o que também acho que infantiliza o filme, é a citada questão de tirar o que é de mais, sem precisar tentar ´´chocar`` ou ``causar`` como num desespero de uma criança para chamar a atenção.

Torço para que o filme do Coringa não seja mutilado a tal ponto que descaracterize o personagem. Quem o conhece desde sempre de outras mídias está preparado para o que virá e torce para que realmente seja o mesmo personagem de sempre, longe da demagogia de certos grupos para ´´castrar`` o personagem. Talvez o filme esteja sendo lançado em uma época errada, quem sabe. 

segunda-feira, 12 de agosto de 2019

RAMBO: A FORÇA DA LIBERDADE - Viva as animações dos anos 80

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Sem dúvida os desenhos antigos são melhores que os atuais, e isso não tem nada a ver com o fato de já estarmos bem velhinhos e perdendo o interesse pela coisa. É só assistir novamente, dessa vez com olhar mais crítico, os clássicos das animações dos anos 80, 90, e, dependendo, indo mais longe ainda, para percebermos o quanto as histórias, as técnicas de animação, os personagens e os roteiros são ricos. Hoje em dia, as produções todas feitas em computação gráfica, vetor, técnicas em 3D e de custo bem mais baixo, podem até ter a chance de serem produzidas em maior quantidade e de poder arriscar, mas no geral acabam sendo direcionadas em sua maioria para um público mais infantil, pastiche do pastiche, sem criatividade e sem coragem de ousar. E ainda temos aí o politicamente correto, tudo precisa ser bem fofinho e educativo, é outra geração, mais sensível e menos corajosa. E foi com imensa saudade dos desenhos antigos, desses que não se importavam em mostrar para os meninos como um macho de verdade deve se comportar e enfrentar seus problemas, que passei a rever a série animada do Rambo produzida em 86 e exibida aqui no Xou da Xuxa, ainda no finzinho dos anos 80. Já pensava em matar a saudade do clássico há um certo tempo, mas só agora, com a perspectiva de um novo filme do Rambo depois de tanto tempo que desencanamos do personagem, que me bateu enfim a iniciativa de garimpar esses episódios pela Internet afora, e o que posso dizer agora não é diferente do que já imaginava; é um desenho muito bom! Aliás, bom não, excelente, como poucos foram feitos. Do meu tempo de criança, embora lembre da animação, das festinhas de aniversário com o tema dos personagens, das brincadeiras da escola e de alguns brinquedos da coleção que vim a ter, pouca coisa me lembrava da série animada, mas também pudera, eu era muito pequeno quando o desenho estava no auge. Mas o roteiro, para uma criança, é trabalhado a tal ponto que acaba mesmo sendo mais sugestivo à uma audiência mais velha, como era costume das animações dos anos 80. Os pequenos se contentavam com as cenas de ação, que não eram poucas, como tiroteio, explosões, sequencias de perseguição de automóveis e aeronaves, inclusive muita briga e violência. Hoje em dia com certeza o desenho seria inviabilizado a se destinar ao público infantil, e por isso a animação se torna tão interessante para mim. Sem esquecer a trilha sonora, que é belíssima e emocionante.
A animação é bem fiel aos filmes que fizeram bastante sucesso na época, estando em sua primeira sequencia até aquele momento. O personagem principal podemos dizer que é a versão em desenho do próprio Stallone na pele do ex-boina verde, e na história podemos encontrar outros personagens que integraram os filmes, como o Coronel Trautman. Claro que tem alguns outros acrescentados para enriquecer o universo da história, alguns bem fantasiosos, outros amigos, aliados, e equipe de vilões bastante criativa, mas mesmo assim está de acordo com o que podia se esperar de histórias envolvendo militares, guerras e espionagem. Talvez Rambo: A Força da Liberdade fique pau a pau no quesito ´´melhor desenho de soldado dos anos 80`` com G.I Joe. Nos Estados Unidos existem outras adaptações animadas de filmes que na verdade não têm muita coisa de tão infantis, mas grande parte ficou por lá, tivemos a sorte de poder ter contato com Rambo em uma adaptação bem fiel às origens e com personagens tão criativos que nos fazem passar a gostar tanto deles quanto do herói principal, uma grande sacada dos produtores.   
Teve apenas uma temporada e poucos episódios para que pudesse considerar a série animada um sucesso, mas até hoje é lembrada por muitos que viveram os anos 80 e por isso é fácil de encontrar episódios em sites de compartilhamento de vídeo. De fato, é uma série bem difícil de ser esquecida. Ainda estou no sexto episódio, e torço para que consiga encontrar todos e acompanhar até o final. Muito obrigado a quem postou!

terça-feira, 6 de agosto de 2019

HOLY GUACAMOLE! - ÁUDIO ORIGINAL DAS TARTARUGAS NINJA




Dando uma boa garimpada pela internet afora descobri o quanto é difícil encontrar a série clássica completa de As Tartarugas Ninja, tudo que consegui foram apenas 22 episódios dublados, mesmo assim o suficiente para acompanhar novamente as aventuras e ficar satisfeito.  Mas por sorte, depois de algum tempo, encontrei outro site de desenhos antigos que disponibiliza 80 episódios com áudio original e legendado por fans, embora em português lusitano, mas nada que atrapalhe nossa compreensão. Eu nem sabia que a série teve tantos episódios e olha que nem foi disponibilizada completa, pois o site disponibiliza até a quarta temporada e segundo ele vai até a décima, e que podemos encontrar os episódios sem legendas dentro do próprio site, se bem que tentei encontrar só por curiosidade mesmo, mas não encontrei, esses episódios se perderam num bug do próprio servidor, mas quem disse que fez falta? Esses episódios todos que podemos assistir é mais do que um presente especial, e o melhor mesmo fica por conta do áudio ser original, nunca vi as Tartarugas falando em seu próprio idioma, acompanhar as histórias foi como redescobrir o seriado. É claro que a dublagem brasileira era ótima, deu a cada uma das Tartarugas uma característica peculiar, como uma marca registrada delas. Quando crianças vivíamos querendo imitá-las, as vozes, os bordões, o vício de linguagem, e se na época imaginássemos que a voz delas pudesse ser diferente, com certeza rejeitaríamos, acreditando que desse jeito pudesse desconstruir os personagens. Já adultos, mais abertos e entendendo a natureza da coisa, podemos assistir sem se preocupar com o choque inicial do estranhamento, afinal, tanto tempo se passou. O resultado? Bom, como disse antes, foi uma boa experiência, inclusive satisfatória. Não poderia passar mais tempo sem ver essa ´´novidade`` nessa animação tão querida da infância, sem essa curiosidade, principalmente em se tratando dos quatro heróis. As vozes muito pouco, ou quase nada lembram a da dublagem dos anos 80/ 90. Eu inclusive tive dificuldade em entender quando cada um deles falava, em determinados pontos. Leonardo não tem aquela voz irritante, todas as demais vozes são normais, nada fanhosa, nada anasalada, e a que me chamou mais atenção foi a do Michelangelo. Sempre o imaginei um personagem fofinho, bem nerd, e os bordões que costumava usar, como ´´Santa Tartaruga``, foram na verdade adaptações brasileiras para ´´Holy Guacamole`` e coisas do gênero. Meio sem sentido, mas o personagem era o mais sem noção mesmo. Também me amarrava com a maneira pela qual se referia aos outros personagens por ´´dude``. Sua voz não é tão, por assim dizer, meiguinha, achei seu sotaque parecido com o de um homem chucro de filmes de cowboy, mas eu gostei assim. As piadas todas lá, o mesmo espírito da coisa. Sempre que assisto a episódios com áudio original, tenho a impressão de que o desenho soa menos infantilizado, mas talvez seja mesmo impressão. As dublagens brasileiras nas animações são realmente boas, mas assistir ao áudio original quando assim tiver oportunidade, me parece ser uma excelente opção. É uma maneira de descobrir uma faceta oculta da animação que curtia, é um mimo que todo fan merece. Sem contar que, se tem gente que reclama de falta de disponibilização de episódios dublados, sendo que foi um abençoado só pelo privilégio de poder ver sua animação tão querida novamente, editada, legendada, tudo bonitinho, inclusive episódios que não passaram no Brasil, merece ficar só com as animações atuais que passam na televisão mesmo, pois mal agradecimento pouco é bobagem. Além do mais, essa é uma maneira de reciclar o que já nos era estimado, graças à nossa amiga de sempre internet. A internet é um universo que, entre outras coisas, nos oferece experiências e informações que não teríamos em outra época.

quarta-feira, 24 de julho de 2019

Muito além do último capítulo (reflexão)


Dizem que a vida imita a arte. Acredito que seja verdade. Em se tratando de artes narrativas, é necessário que haja o mínimo de verossimilhança para nos envolver e criar uma forte conexão entre obra e espectador. Portanto, é de se imaginar que a arte primeiro imita a vida, a seu modo, para que mais tarde possamos nos espelhar nela. Só que tudo que existe tem um final, tudo que começa termina, bem como a vida de todos nós, e mentes criativas podem optar por um final feliz ou não. É de se esperar o final feliz dos romances, porém, se o final não for feliz, dá-se a um pressão de que a obra não terminou, não teve final, e que um desfecho satisfatório pode ser aguardado mais tarde.  Essa seria então a dívida do autor para com seu público. Talvez um belo romance dramático amarre as pontas soltas, e com toda sua licença poética nos faça aceitar o desfecho proposto por mais doloroso que possa ser, mas sem esquecer de nos deixar uma boa lição a aprender. Mas, se analisarmos tecnicamente, nada, nem mesmo os romances, tem um final verdadeiro. Nossa vida mesmo, em constante metamorfose, não nos oferece um final feliz nem mesmo em nossa morte, pois nossa existência deixa consequências para o futuro, seja no seio familiar, seja para a sociedade. E afinal de contas, a morte não é nada feliz. No final de um filme, por exemplo, onde os protagonistas resolvem seus problemas, casam, tem filhos, enriquecem, etc, é consenso geral que o final foi feliz. Mas esse seria apenas um pequeno recorte de uma parte da vida desses heróis/personagens. A história termina, mas sua vida continua, e se olharmos por detrás dos panos temos todos os problemas que uma família teria, como brigas, separação, problemas conjugais, problemas com filhos, com dinheiro, e mais uma infinidade de questões a se seguir. Não é de se rejeitar totalmente a ideia de que o casal unido no final possa se separar mais tarde depois que a cortina do espetáculo já abaixou. Coisas que alguém possa achar que não existe ou não interessa, pois o filme acabou, o recorte da vida dos personagens que interessava não existe mais, e o mais racional a se pensar, esses personagens nunca existiram, faziam parte de uma obra de ficção de um artista. Ok, é verdade. Mas o que estou querendo dizer com isso tudo? É que, se na ficção tudo parece perfeito depois do último capítulo ou no final de um filme, na vida real, por mais que queiramos ter uma vida parecida, está longe de ficar igual. Pois não é oferecida à vida real os benefícios de um desfecho satisfatório, já que vivemos em constante transformação. Nossa vida estaria mais próxima de, digamos assim, sequencias infindáveis de obras de sucesso que se recicla a cada época.

quarta-feira, 17 de julho de 2019

Homem Aranha longe de casa – Crítica


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O segundo filme desse novo Homem Aranha pode não ter sido tão feio assim, mas em minha humilde opinião ainda não foi dessa vez que pudemos assistir a um bom filme do herói. O posto de melhor aranha para mim continua ocupado por Tobey Maguire, que está para o amigão da vizinha assim como Cristopher Reeve sempre esteve para o Super Man.  Tom Holland só se sai melhor que Andrew Garfield, que muito pouco tem a ver com o Peter, e por falar nisso é importante lembrar que o problema é com o roteiro, pois realmente gostei do novo ator. Esquecendo De Volta ao Lar e todas as participações do herói em outros filmes, incluindo os eventos ocorridos em Vingadores Ultimato, ainda é difícil reconhecer características marcantes do herói que tanta diferença faz, a imagem de tio Ben sequer é lembrada, sendo que sua morte e sua mensagem ´´Grandes poderes trazem grandes responsabilidades`` foram de fundamental importância para seu surgimento. Tia May também rejuvenesce a cada filme, tudo bem que não precisa ser uma velhinha tradicional em se tratando de dias modernos como os atuais, pode agora se tornar uma senhorinha tipo Suzana Vieira ou mesmo uma Regina Duarte, como a de Espetacular Homem Aranha mais parecia, mas uma mulher enxuta e, por que não, bem gostosa como a mais recente, desconstrói a imagem de tiazinha frágil e indefesa que inspira cuidados. Tanto que, se esquecermos o filme anterior, é difícil reconhecê-la no trailer. Uma mulher tão inteira como essa não lamentaria a viuvez por muito tempo, talvez por isso a importância da mitologia do personagem foi chutada para escanteio sem piedade, logo a tia do Parker arranja outro marido, e Happy já até se candidatou ao posto. Isso me faz entender que tio Ben foi desde o início substituído por outra figura messiânica, Tony Stark, onde começa os problemas de verdade para o roteiro. Se estávamos acostumados com a trajetória do herói solitário, esse Aranha da MCU é apenas mais um, tanto que o próprio sabe disso, e talvez por isso essa tal frase de ... grandes responsabilidades`` perca um pouco de sentido. Ao ser procurado por Nick Fury ele o indaga com ´´Porque eu? Temos aí a Capitã Marvel, Thor, Capitão América...`` Mas o filme é dele, então talvez seja a chance dele brilhar. Sozinho, sozinho, ele realmente não vai ficar nunca mais. Agora tem em mãos equipamentos herdados da indústria Stark e da S.H.I.E.L.D que tornam seus poderes quase insignificantes para o combate ao crime. Mas enfim, esse é o Aranha da MCU, essa estranheza toda pode ser abraçada ou não, mas é certo que talvez seja difícil se acostumar. Enquanto assim for, nunca veremos Peter em volta de problemas normais como dificuldade em pagar aluguel e tentativas mirabolantes de manter sua identidade secreta, pois esse Peter tem tudo, é um garoto normal com pouco senso de responsabilidade, menos sofredor, e quem sabe por isso se torne mais imaturo. Tudo bem que esse seja o Peter mais jovem dos cinemas, mas desde já sua identidade secreta deixa de ser um problema a se preocupar (nos filmes atuais de heróis, questões de identidade secreta estão cada vez mais deixadas de lado), não tem mais dificuldades com garotas por ´´ser o Amigão da Vizinhança``, e ser inclusive cobrado pela tia May a vestir o manto de herói e a sair por aí, combatendo o crime, inclusive o ajudando a desenvolver novas habilidades.
Mas devemos reconhecer que é melhor que o filme anterior. Mystério é um vilão bem menos descartável que o Abutre, dá um gancho para aventuras seguintes. A história tem momentos interessantes, um exemplo a se destacar é quando Peter, com tantos equipamentos em mãos, na hora de desenvolver seu traje imaginávamos que sairia dali um traje hiper moderno com todas as traquitanas que teria direito, tal como um novo homem de ferro mesmo. Mas não, o garoto criou apenas um uniforme normal de Homem Aranha, daqueles que estamos acostumados a ver. Isso mostra que, apesar de tudo, o herói tem personalidade própria. A vontade de darmos mais uma chance ao herói é tanta, que passamos a acreditar que no filme seguinte tudo vai melhorar. O final e as cenas pós-crédito nos dão essa esperança. Vamos torcer para vermos daqui para frente um Peter mais trabalhador, menos moleque, passando a tirar fotos por aí, mesmo que não seja para o Clarim, como já ficou difícil imaginar. E a presença de Harry Osborn e Duende Verde, não necessariamente nessa ordem.