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sábado, 4 de dezembro de 2021

Pirata do Espaço – Anime das antigas (Texto com Spoiler)

 

Terminei de ver um anime que, apesar de ser bem antigo, até então só conhecia de nome. Foi um dos primeiros animes a passar no Clube da Criança, programa oitentista da Manchete, e ainda no tempo da Xuxa como apresentadora, mas eu ainda era um zigoto praticamente e não cheguei a aproveitar. Anos mais tarde o anime foi para a CNT junto com outros clássicos, como Macross e Don Drácula, na programação infantil noturna, um horário um tanto ingrato, e não me interessei em acompanhar.



Depois de assistir já adulto, percebo a vantagem que foi não ter conhecido a animação quando criança. Primeiramente pude experimentar, sem nostalgismo e de olhar maduro, essa animação de qualidade, de roteiro sensível e primoroso. Depois, que eu iria simplesmente desabar em lágrimas a cada drama explorado nos episódios. Sim, porque o anime é uma sofreguidão só. Sendo uma produção dos anos 70 a animação tem todas as características de produções da época, mesmo as americanas, como as da Hanna Barbera. Seus traços, cores, visual dos personagens, todos usando roupas de época e de calças tradicionais boca de sino, efeitos sonoros, e mesmo as músicas. As músicas são ótimas, remete bem ao estilo da época, tanto de abertura quanto das cenas de combate, e o curioso é que na trilha de Piratas tem até um sambão. No nosso caso a dublagem ajuda a manter a padronização, como Cleonir dos Santos (voz do Daniel Larusso, de Karatê Kid) como a voz de Jô, o mocinho principal, piloto de acrobacias que se uniria a Rita, uma gailariana em fuga, no controle do Pirata do Espaço contra a invasão do inescrupuloso exército do Império Gailar, e as famosas vozes de José Santa Cruz e do saudoso Orlando Drummond, para os vilões. Só que, diferente das produções americanas, Pirata do Espaço (Groizer X no original) carrega em sua fórmula elementos tão presentes nos animes, dos mais antigos aos atuais, como mortes, sangue e violência. Sim, muita violência. Parece que no Japão a criançada é mais familiarizada com esse tipo de coisa e as histórias dos episódios não se sustentariam sem isso tudo. A nave Pirata do Espaço comandada por Jô e Rita se converte em um super robô de combate contra os Robôs Bomba, naves de batalha comandadas pelos vilões do Império Gailar, que têm o Imperador Geldon como líder. O pai de Rita, um cientista bondoso, foi obrigado pelos seus até então companheiros a entregar o colossal Pirata do Espaço, sua maior invenção. O cientista, no entanto, se sacrifica ao enviar a filha para bem longe dos bandidos. Rita e a nave vão parar nas mãos da equipe do professor Tobishima, veterano da segunda guerra e chefe da base aérea Akane. Além de Jô, com quem passa a fazer parceria, a equipe conta também com o mecânico Ippei, o garoto Sabu e o também veterano de guerra Baku, dono do avião biplano Dragão Vermelho, fora tantos outros personagens que aparecem por durante toda a série. Como um dos mais simpáticos cito Gen, um pescador doido para ser piloto igual aos amigos da base Akane, mas que nunca conseguiu sequer levar jeito para coisa. Todos eles vão mostrando, no decorrer da série, serem dignos companheiros de Jô e Rita.




Mas nada é tão fácil para nossos heróis. Muito sacrifício precisou ser feito, muitas lágrimas derramadas, muito sangue, dor, perdas, sofrimento e raiva, muita raiva! Tudo isso pode definir a série. Confesso que me emocionei bastante em muitos episódios, e se eu tivesse visto quando criança talvez levasse anos para superar. Mas como de praxe o bem vence o mal, entre as coisas justas da série é revelado que o pai de Rita estava vivo, e o reencontro entre pai e filha foi mais que satisfatório. Bem, isso depois de Rita já ter sido adotada pelo doutor Tobishima, o que custou suor para ela decidir se aceitava ou não. Os dois retornam ao planeta Gailar afim de retomar sua vida normal após o fim da grande ameaça, mas deixam o Pirata do Espaço como mimo para Jô e a equipe do professor Tobishima. Isso significa que entre o casal protagonista não existia nada além de amizade, e honestamente prefiro o final assim, cada um para seu lado, sem deixar a impressão de que homem e mulher não podem apenas ser amigos. E como diria aquele policial do filme Velocidade Máxima, toda relação construída a partir de uma situação de estresse tende a não durar. No entanto, a despedida dos dois amigos não me comoveu, o que quase me fez chorar mesmo foi o episódio da morte de Baku.




A série como um todo é muito boa, sabe mesclar com perfeição momentos cômicos e momentos trágicos, sem deixar de lado as cenas de ação e a motivação dos personagens. É muita coisa em se tratando de animação infantil. Se você não conhece ou se viu há muito tempo, não perca a chance de aproveitar todos os episódios em canais no Youtube.




segunda-feira, 12 de agosto de 2019

RAMBO: A FORÇA DA LIBERDADE - Viva as animações dos anos 80

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Sem dúvida os desenhos antigos são melhores que os atuais, e isso não tem nada a ver com o fato de já estarmos bem velhinhos e perdendo o interesse pela coisa. É só assistir novamente, dessa vez com olhar mais crítico, os clássicos das animações dos anos 80, 90, e, dependendo, indo mais longe ainda, para percebermos o quanto as histórias, as técnicas de animação, os personagens e os roteiros são ricos. Hoje em dia, as produções todas feitas em computação gráfica, vetor, técnicas em 3D e de custo bem mais baixo, podem até ter a chance de serem produzidas em maior quantidade e de poder arriscar, mas no geral acabam sendo direcionadas em sua maioria para um público mais infantil, pastiche do pastiche, sem criatividade e sem coragem de ousar. E ainda temos aí o politicamente correto, tudo precisa ser bem fofinho e educativo, é outra geração, mais sensível e menos corajosa. E foi com imensa saudade dos desenhos antigos, desses que não se importavam em mostrar para os meninos como um macho de verdade deve se comportar e enfrentar seus problemas, que passei a rever a série animada do Rambo produzida em 86 e exibida aqui no Xou da Xuxa, ainda no finzinho dos anos 80. Já pensava em matar a saudade do clássico há um certo tempo, mas só agora, com a perspectiva de um novo filme do Rambo depois de tanto tempo que desencanamos do personagem, que me bateu enfim a iniciativa de garimpar esses episódios pela Internet afora, e o que posso dizer agora não é diferente do que já imaginava; é um desenho muito bom! Aliás, bom não, excelente, como poucos foram feitos. Do meu tempo de criança, embora lembre da animação, das festinhas de aniversário com o tema dos personagens, das brincadeiras da escola e de alguns brinquedos da coleção que vim a ter, pouca coisa me lembrava da série animada, mas também pudera, eu era muito pequeno quando o desenho estava no auge. Mas o roteiro, para uma criança, é trabalhado a tal ponto que acaba mesmo sendo mais sugestivo à uma audiência mais velha, como era costume das animações dos anos 80. Os pequenos se contentavam com as cenas de ação, que não eram poucas, como tiroteio, explosões, sequencias de perseguição de automóveis e aeronaves, inclusive muita briga e violência. Hoje em dia com certeza o desenho seria inviabilizado a se destinar ao público infantil, e por isso a animação se torna tão interessante para mim. Sem esquecer a trilha sonora, que é belíssima e emocionante.
A animação é bem fiel aos filmes que fizeram bastante sucesso na época, estando em sua primeira sequencia até aquele momento. O personagem principal podemos dizer que é a versão em desenho do próprio Stallone na pele do ex-boina verde, e na história podemos encontrar outros personagens que integraram os filmes, como o Coronel Trautman. Claro que tem alguns outros acrescentados para enriquecer o universo da história, alguns bem fantasiosos, outros amigos, aliados, e equipe de vilões bastante criativa, mas mesmo assim está de acordo com o que podia se esperar de histórias envolvendo militares, guerras e espionagem. Talvez Rambo: A Força da Liberdade fique pau a pau no quesito ´´melhor desenho de soldado dos anos 80`` com G.I Joe. Nos Estados Unidos existem outras adaptações animadas de filmes que na verdade não têm muita coisa de tão infantis, mas grande parte ficou por lá, tivemos a sorte de poder ter contato com Rambo em uma adaptação bem fiel às origens e com personagens tão criativos que nos fazem passar a gostar tanto deles quanto do herói principal, uma grande sacada dos produtores.   
Teve apenas uma temporada e poucos episódios para que pudesse considerar a série animada um sucesso, mas até hoje é lembrada por muitos que viveram os anos 80 e por isso é fácil de encontrar episódios em sites de compartilhamento de vídeo. De fato, é uma série bem difícil de ser esquecida. Ainda estou no sexto episódio, e torço para que consiga encontrar todos e acompanhar até o final. Muito obrigado a quem postou!

terça-feira, 6 de agosto de 2019

HOLY GUACAMOLE! - ÁUDIO ORIGINAL DAS TARTARUGAS NINJA




Dando uma boa garimpada pela internet afora descobri o quanto é difícil encontrar a série clássica completa de As Tartarugas Ninja, tudo que consegui foram apenas 22 episódios dublados, mesmo assim o suficiente para acompanhar novamente as aventuras e ficar satisfeito.  Mas por sorte, depois de algum tempo, encontrei outro site de desenhos antigos que disponibiliza 80 episódios com áudio original e legendado por fans, embora em português lusitano, mas nada que atrapalhe nossa compreensão. Eu nem sabia que a série teve tantos episódios e olha que nem foi disponibilizada completa, pois o site disponibiliza até a quarta temporada e segundo ele vai até a décima, e que podemos encontrar os episódios sem legendas dentro do próprio site, se bem que tentei encontrar só por curiosidade mesmo, mas não encontrei, esses episódios se perderam num bug do próprio servidor, mas quem disse que fez falta? Esses episódios todos que podemos assistir é mais do que um presente especial, e o melhor mesmo fica por conta do áudio ser original, nunca vi as Tartarugas falando em seu próprio idioma, acompanhar as histórias foi como redescobrir o seriado. É claro que a dublagem brasileira era ótima, deu a cada uma das Tartarugas uma característica peculiar, como uma marca registrada delas. Quando crianças vivíamos querendo imitá-las, as vozes, os bordões, o vício de linguagem, e se na época imaginássemos que a voz delas pudesse ser diferente, com certeza rejeitaríamos, acreditando que desse jeito pudesse desconstruir os personagens. Já adultos, mais abertos e entendendo a natureza da coisa, podemos assistir sem se preocupar com o choque inicial do estranhamento, afinal, tanto tempo se passou. O resultado? Bom, como disse antes, foi uma boa experiência, inclusive satisfatória. Não poderia passar mais tempo sem ver essa ´´novidade`` nessa animação tão querida da infância, sem essa curiosidade, principalmente em se tratando dos quatro heróis. As vozes muito pouco, ou quase nada lembram a da dublagem dos anos 80/ 90. Eu inclusive tive dificuldade em entender quando cada um deles falava, em determinados pontos. Leonardo não tem aquela voz irritante, todas as demais vozes são normais, nada fanhosa, nada anasalada, e a que me chamou mais atenção foi a do Michelangelo. Sempre o imaginei um personagem fofinho, bem nerd, e os bordões que costumava usar, como ´´Santa Tartaruga``, foram na verdade adaptações brasileiras para ´´Holy Guacamole`` e coisas do gênero. Meio sem sentido, mas o personagem era o mais sem noção mesmo. Também me amarrava com a maneira pela qual se referia aos outros personagens por ´´dude``. Sua voz não é tão, por assim dizer, meiguinha, achei seu sotaque parecido com o de um homem chucro de filmes de cowboy, mas eu gostei assim. As piadas todas lá, o mesmo espírito da coisa. Sempre que assisto a episódios com áudio original, tenho a impressão de que o desenho soa menos infantilizado, mas talvez seja mesmo impressão. As dublagens brasileiras nas animações são realmente boas, mas assistir ao áudio original quando assim tiver oportunidade, me parece ser uma excelente opção. É uma maneira de descobrir uma faceta oculta da animação que curtia, é um mimo que todo fan merece. Sem contar que, se tem gente que reclama de falta de disponibilização de episódios dublados, sendo que foi um abençoado só pelo privilégio de poder ver sua animação tão querida novamente, editada, legendada, tudo bonitinho, inclusive episódios que não passaram no Brasil, merece ficar só com as animações atuais que passam na televisão mesmo, pois mal agradecimento pouco é bobagem. Além do mais, essa é uma maneira de reciclar o que já nos era estimado, graças à nossa amiga de sempre internet. A internet é um universo que, entre outras coisas, nos oferece experiências e informações que não teríamos em outra época.

terça-feira, 28 de agosto de 2018

Desenhos pouco valorizados: Homem Aranha, a animação clássica


Nem todos os desenhos, por mais que sejam bons, são lembrados por gerações. É o caso da animação do Homem Aranha da segunda metade dos anos 90, produzida pela já extinta Marvel Films Animation. O Aranha já teve outras animações, mas sem dúvida essa é a mais injustiçada de todas, que embora tenha feito sucesso em seu país de origem, rendendo a sequencia Ação Sem Limites, essa sim um caça níquel merecidamente flopado, já não é mais lembrada em nossa terra, menos ainda revisitada, diferente do que acontece com a animação do Bat Man da Warner Bross Animation. Difícil imaginar o porquê, o roteiro é bem elaborado para uma animação infantil, os personagens são fiéis às outras mídias, e a série toda foi supervisionada pelo próprio Stan Lee. O que consola é saber que o Aranha é um personagem ativo, bastante explorado em outras produções, e para a geração atual, que de certo não ouviu falar muito dessa animação, ao assisti-la vai ter a sensação de descobrir um produto genuinamente novo do herói. Vamos aos pontos que fazem a série se tornar especial para uns e esquecível para tantos outros:




Heróis: Muitos personagens do universo Marvel aparecem na animação. Os X-men participam de dois episódios, e o traço dos mutantes está bem, digamos, diferente do de sua própria animação, e isso causou um certo estranhamento. O que consegue causar ainda mais é os nomes dos personagens inventados na dublagem, e isso foi digno de revolta. Wolverine virou Lobão e Fera virou Animal, com certeza a direção de dublagem teve preguiça de se informar sobre os heróis e não leram um gibi sequer. Essa sequencia de episódios faz parte de um arco em que o Aranha sofre uma espécie de alteração em seu gene e sente estar se transformando em um mutante. Ainda com relação aos nomes absurdos inventados para os heróis, Demolidor virou Atrevido (de onde será que vieram ideia para esses nomes toscos?), mas essa alcunha foi compensada pela mais interessante participação que o Homem sem Medo já teve em uma série animada, e Justiceiro virou Vingador, e mais tarde Carrasco, mas também perdoamos só pelo fato de ele ter aparecido em uma participação respeitosa dentro de um contexto mais inocente da própria série, com direito a sequencias de tiroteio com armas de fogo em vez das habituais armas laser, recurso comumente usado em produções animadas. Também marcaram presença Blade e Whistler em episódios lindamente caprichados, onde a trama de vampiros, inserida pelo personagem Morbius, foi muito bem aproveitada. Até mesmo a origem de Blade e o drama de sua mãe foram lembrados. Felícia Hardy como a gata Negra foi outro acerto da série, que precisaria de uma heroína e um interesse amoroso para o Homem Aranha, e nisso ela não deixou a desejar. Sabendo dosar momentos em que a gata Negra surge para salvar alguém e dar uns sopapos nos bandidos com momentos de romance e inevitáveis crises com o aracnídeo, a história nos faz torcer para que a aliança dê certo e um passe a ter, por assim dizer, mais intimidade com o outro... nos fazendo esquecer se tratar de uma produção infantil. Nick Fury também aparece e toda sua trama envolvendo a S.H.I.E.L.D, e mais tarde personagens como Homem de Ferro, Capitão América, Doutor Estranho e até mesmo Máquina de Combate, todos com suas origens e características bem detalhadas, porém, não gostei da mudança de personalidade de um ou outro personagem. Nos capítulos finais é reproduzido o que seria uma adaptação do arco de histórias Guerras Secretas, tão popular nos quadrinhos, juntando alguns personagens que já apareceram no seriado, acrescentando a participação até então inédita do Quarteto Fantástico, em um conflito em outro planeta envolvendo o ser intergaláctico Beyonder e Dr Destino. Apenas a participação de Madame Teia não me agradou em nenhum momento na série, a personagem, a bem da verdade, não é popular, causa estranheza até mesmo entre fans do Homem Aranha. Além de arrogante, nos momentos em que aparece dispara uma groselha atrás da outra, eu a tiraria facilmente do desenho e substituiria suas participações por soluções mais simples e aceitáveis. De resto, embora muitos personagens importantes na vida de Peter Parker apareçam bastante, senti falta de Gwen Stacy. Outros personagens chatos também mereciam sumir, como Anna Watson.



Vilões: É curioso ver o rei do Crime como o principal vilão do amigão da vizinhança, sendo que na verdade ele é o principal vilão do Demolidor, mas a gente acostuma. Chamava minha atenção a maneira como inseriam esse personagem ´´tão realista e fácil de existir`` (na vida real mesmo, temos vários Reis do Crime) em um ambiente tão fictício dominado por vilões e equipamentos fantasiosos. Seus aliados e capangas fixos realmente são interessantes, como seu filho Richard Fisk, Smythe e Herbert Landon. Aqui Wilson Fisk é uma espécie de cientista sofisticado do Queens, diferente do criminoso gran fino da Cozinha do Inferno que conhecíamos melhor. Mas é claro que na série também existe a Oscorp e outros super vilões, fazendo ou não aliança com Fisk. Dos vilões mais conhecidos senti falta apenas do Homem Areia e Chacal. Até mesmo o Sexteto Sinistro aparece, porém com nome e formação diferente. É apresentado como Os Seis Traiçoeiros, formada por Doutor Octopus, Rhino, Mystério, Escorpião, Shocker e Camaleão. Apenas Dr Octopus e Mystério pertencem à conhecida formação. Tudo levava a crer que Electro, Kraven, o Caçador, Abutre e Homem Areia ficariam de fora do desenho, mas, com exceção desse último, eles aparecem, mas em contextos e momentos diferentes, nada que não seja pequenas alterações que qualquer adaptação costuma fazer. Contudo, uns inimigos tem destaque demais e outros de menos, e o pior é que nem sempre é merecido. Também me incomodou a origem de alguns e de certas ordens de aparição, como por exemplo, Duende Macabro aparecendo antes do Duende Verde, e o alter ego de Norman Osborn sendo tratado por um sub produto de Kingsley, quando todos sabemos que foi o contrário. Mesmo assim foi bom vermos Duende Verde em ação e o desdobramento de seu drama, envolvendo o legado imposto a seu filho Harry, com direito a todas aquelas confusões mentais que acometem o jovem, como já visto em outras mídias. Hydroman, vilão pouco conhecido, teve um destaque um pouco aquém do merecido, mas foi o responsável por um arco importante, a trama do clone da Mary Jane, outra grande saga dos quadrinhos, que mesmo sendo considerada confusa para alguns leitores, na animação foi bem adaptada e de fácil compreensão, eu particularmente vibrei com os poderes que Mary Jane ganhou. Mas os que mais me surpreenderam positivamente foram Mystério, Mancha e Morbius, que em minha modesta opinião tiveram participações cruciais para que a animação merecesse ser lembrada e amada. Vale uma menção honrosa também para o Caveira Vermelha, mesmo não sendo pertencente do universo do Aranha, pois além de ter sido bem retratado, foi capaz de incomodar o Capitão América pela simples sugestão de sua presença.



Conclusão: Quem assistiu a toda série animada sabe que é muito boa. Talvez um ponto negativo seja os primeiros episódios sem a participação de um vilão substancialmente importante, mas isso se você for chato... ou não, pois as historinhas envolvendo os Esmaga Aranha é realmente um saco. Os traços são simpáticos, lembram vagamente as produções da Hanna Barbera, e o estúdio responsável pelas animações é o japonês Tokyo Movie Shinsha. A trilha de abertura é um rock dos bons, composta pelo guitarrista do Aerosmith, Joe Perry, feita sob encomenda. Eu sou um dos que a considera uma das melhores trilhas de animação infantil americana. Não vou dizer que gostei de tudo que se passou no desenho, mas não é exagero dizer que é tudo muito bem feito, até a origem do herói foi contada, coisa que normalmente se omite em desenho animado, e a imagem do tio Ben não foi deixada de lado. Já foi espalhado pela Internet a fora que a produção enfrentou problemas com a censura, o herói simplesmente foi ´´proibido`` de desferir soco nos inimigos, mas é tanta aventura e cenas de ação que a gente nem percebe ou sente falta. Prova que as animações da Marvel têm qualidade e não precisam apenas desses artifícios para fazer uma boa história de super heróis. No entanto, a trama que se seguiu na série não foi amarrada e a animação termina com um final em aberto, para não dizer que não teve final, e talvez esse seja seu principal ponto fraco. Quem sabe o último episódio possa ser perdoado pela simples participação de Stan Lee em sua versão animada. 


terça-feira, 29 de maio de 2018

X- Men Animação Clássica




Insisto em acreditar que os desenhos dos anos 80 e 90 são melhores que os de hoje. Não importa os acertos, as tentativas, as opiniões divididas entre uma adaptação clássica e uma criação original, o que defendo é que, independente de ser o público alvo, as animações antigas superam as recentes. Lembro da metade dos anos 90, onde a preferência dos garotos da época era disputada entre Os Cavaleiros do Zodíaco, X-men, e um pouquinho depois, Power Rangers (Mighty Morphin). Nesse período passava entre eles, um tanto despercebido, o desenho Os Poderosos, na TV Colosso, que eu gostava bastante e em minha humilde opinião não ficava devendo em nada para esses já citados, mas eu preferia ficar calado para não sofrer ´´hate``. Mas acontece que, se antes eu conhecia X-Men dos quadrinhos, foi com a animação que começou minha admiração pelos mutantes até os dias de hoje. Se não me engano começou a passar no Brasil no comecinho de 1994, e realmente para época era um dos melhores desenhos a passar na televisão, era o último a ser exibido na programação infantil da Globo, na hora do almoço, justamente o momento em que se registrava maiores indicies de audiência, a hora em que as crianças se preparavam para ir à escola (no caso, as que estudavam de tarde, público para o qual a programação era direcionada). Os personagens agora se encontravam em novos uniformes, todos reformulados, diferente da maneira como apareciam nos quadrinhos, com destaque especial a Ciclope, Wolverine, Vampira, Gambit, Fera, Jean Grey, Tempestade, e um protagonismo optativo dado à Jubileu, uma pré adolescente, provavelmente para trazer mais identificação ao público infanto juvenil que viria a acompanhar os episódios, inserindo-os na descoberta desse novo universo de pessoas diferentes que a aguardavam, já que muito provavelmente nem todo leitor dos quadrinhos iria ser conquistado por essa versão animada dos X-Men, que precisaria ter uma linguagem mais infantil e mais universal. A animação seria apresentada à uma nova audiência, aquela que nem tinha o hábito da leitura, ainda mais se lembrarmos que os tempos eram diferentes e as crianças não conheciam nada de redes sociais, sites, blogs e comunicação à distância. Falando nisso, foi assistindo esse desenho que aprendi a pronunciar corretamente o nome Ciclope, que, acredito eu, foi a melhor versão desse personagem. Scott Summers foi o protagonista que as outras mídias precisariam ter, até hoje não o vi em uma adaptação decente nos cinemas, por mais que tivessem tentado nessa última vez. Forte, viril, bom líder, galante e em nada devendo a Logan, que também foi aqui bem retratado, talvez começando desde já a conquistar seu lugar na preferência de muita gente quando se pergunta qual seu herói/ X-Men favorito. Insisto a pensar que só existe os filmes de heróis por que as animações deram seu ponto de partida, não os quadrinhos, ao menos os primeiros a iniciar as sequencias que viriam depois. As versões televisivas foram as que apresentaram os heróis ao mundo, pois todos assistem televisão, crianças assistem televisão, e não necessariamente todo mundo tem o hábito de ler, mesmo hoje em dia, o que não deixa de ser uma pena. É possível conhecer toda a história, os personagens e a mitologia que cercam os heróis sem ter tocado em um gibi sequer, e ainda se tornar fan de um determinado personagem, debater, discutir, e reclamar caso seja escalado outro ator para interpretá-lo, escanteando o qual conhecemos sob a pele do personagem que aprendemos a amar. Mesmo assim a venda dos gibis dos mutantes aumentou bastante com o sucesso da animação, trazendo inclusive às bancas X-Men Adventure, série adaptada dos episódios da animação, e um álbum de figurinha da série de TV, que não vi fazer muito sucesso onde eu morava, tendo sido ofuscado pela coleção das figurinhas dos Cavaleiros do Zodíaco. Como podemos perceber, os impressos faziam sucesso de uma maneira que as crianças de hoje não conseguiriam imaginar. Com relação ao sucesso do desenho também se tornou fácil encontrar o jogo de Super Nintendo X-Men - Mutant Apocalypse, onde se podia jogar com Ciclope, Fera, Wolverine, Gambit e Psylocke, curiosamente a única representante do gênero feminino, que sequer fazia parte da equipe original da animação. Esse foi o primeiro dos muitos jogos, de vários consoles, que veio nesse embalo.

A animação



A animação tinha uma pegada bem anos 80, e digo de uma maneira positiva, pelos bons traços, roteiro bem trabalhado e personagens bem construídos, mas foi produzida entre 1992 a 1997, num total de 5 temporadas. A Rede Globo nem se atrasou tanto em trazer a animação para nossa terra, e o sucesso foi praticamente instantâneo. Pena que a belíssima abertura foi cortada para poupar tempo de exibição, restando apenas a ´´colisão`` entre heróis e vilões que, afinal de contas, acabou se tornando uma abertura antológica. A mansão do professor Xavier se mantém bem equipada e sofisticada, porém, sem a cara de uma ´´escola de alunos super dotados`` que precisaria ser seu disfarce. Para não duvidar do intelecto das crianças e de qualquer outra pessoa que assistisse a animação, não existia mais ninguém na mansão além dos tradicionais X-Men. Esqueça isso de aulas, alunos e professores, a Mansão X apenas abrigava mutantes heróis que se reuniam para discutir seus planos, treinarem seus poderes e habilidades, e ter um teto para viver, tudo sob a tutela de Charles Xavier. Em um determinado episódio a mansão é toda destruída e refeita por eles mesmos, voltando a funcionar em tempo recorde, com todos equipamentos que nela contêm. Outros personagens importantes esbarravam com nossos heróis em alguns episódios, como Colossus, Noturno (que por alguma razão teve seu nome alterado para Morcego), a Tropa Alfa, Anjo, Cable, Blob, Homem de Gelo, Psylocke, Moira, Pyro, Mercúrio, Morlocks, Feiticeira Escarlate, Bishop, Banshee, Ka-Zar, Mística, Sauron, Cristal, Solaris, Capitão América, Samurai de Prata, Senador Kelly, Mojo e Longshot, entre muitos outros. Alguns achei que foram bem utilizados, outros não, mas devemos saber que são muitos personagens e é difícil encontrar lugar para todos eles. Além dessas participações, um ou outro personagem do universo Marvel aparece em forma de lembrança, flash, frame ou plano detalhe, sendo de certa forma homenageados, como aconteceu com o Motoqueiro Fantasma, Justiceiro, Deadpool e Homem aranha. 




De todos os personagens que não são os clássicos protagonistas, um que chamou bastante atenção, além da Jubileu, foi o Morfo. Com o mesmo poder da Mística, era basicamente um estranho para quem conhecia os X-Men apenas dos quadrinhos, e morreu logo no segundo episódio. Ou seja, era um personagem criado só para morrer mesmo. Segundo Wolverine, era um grande amigo seu, sempre sarcástico e divertido como o mutante canadense. Apareceu alguns episódios depois, vivinho da silva e bem revoltadinho por sinal, a princípio querendo se vingar de seus ex-colegas X-Men por o terem deixado para trás e resultando em sua morte, mas perto do fim da série ocorre uma trégua e volta a se entender com eles, não retornando à equipe por achar que ali não é mais seu lugar (e também porque não cabia mais no roteiro), apesar da insistência do Professor Xavier e Wolverine. Nos quadrinhos tem um personagem bem parecido, porém, o da versão televisiva foi apenas inspirado neste, já que não há grandes semelhanças além do poder de metamorfose. 

Contudo, há um grande estranhamento entre essa versão televisiva com as demais, detalhes, histórias e origens que entram em choque. Como por exemplo, ser difícil considerar a relação maternal entre Mística e Vampira, assim como a mesma relação que a mutante azul tem com Noturno (ou morcego, em se tratando dessa animação), dessa vez uma relação sanguínea. Fora isso, arcos de histórias foram aqui muito bem representadas, como o da Fênix / Fênix Negra, a participação da equipe Shi´ar, a história em torno da cura mutante, as viagens temporais, e as lembranças, em flashback, que a equipe mutante nem sempre foi como passamos a conhecer desde o primeiro episódio, mostrando que antes era usado um uniforme padrão, os integrantes nem sempre eram os mesmos, e Fera já teve forma humana. A linha do tempo doida e bifurcada característica de uma produção dos X-Men marcava sua presença já nessa época, com os infindáveis casamentos entre Scott e Jean e falhas de continuidade e de coerência. Às vezes parecia que o roteirista esquecia do que havia acontecido antes. Tudo bem apenas se você achar que as crianças tem memória curta e não lembram do que comeram no café da manhã do dia anterior. 

Vilões

Para ser sincero nunca achei os vilões dos X-Men tão terríveis assim. Magneto, por exemplo, me parece uma flor de pessoa. Acessível à conversas, sua motivação é coerente e seus planos nem são tão terríveis assim. Apareceu em alguns poucos episódios como vilão, em muitos como aliado, e nem impressionou tanto. O mesmo se diz sobre Juggernaut (eu prefiro chamar de Fanático, mas muita gente se refere a ele pelo nome original). Foi interessante lembrar do meio irmão de Charles Xavier e explicar sua história, o fato de ele não ser mutante e mesmo assim parecer uma grande ameaça, seu caráter, em vários episódios não importando a distância entre eles. Mesmo assim, ele não é de longe tão ameaçador como deveria. Sua primeira aparição coincide com a primeira aparição de Colossus e o conflito que se segue (a bem da justiça, o desenho é cheio de ação e luta, embora para os padrões aceitáveis da época) deixa bem claro que na verdade ele é um bobalhão de miolo mole, dependente de sua couraça. Um detalhe curioso é que em um episódio bem à frente, um Zé ninguém encontra a jóia de Cyttorak que confere os poderes de Juggernaut e se torna um pit boy irresponsável, indo parar, em conflitos com o Juggernaut verdadeiro, no set de filmagem dos Power Rangers, referência que teve origem talvez por o  seriado, que também é da Saban assim como essa animação dos X-Men, estar fazendo sucesso na mesma época. 



Dentes-de-Sabre é um personagem que não pode faltar, mas teve sua origem mal trabalhada e mal desenvolvida nessa animação. Ficou sem explicação do porquê Wolverine odiá-lo tanto, não podia nem ver o cara que já ficava de TPM. Nos episódios futuros, suas sequencias com o Wolverine, seu envolvimento nas descobertas da Arma X e a união com outros personagens, foram dando um tempero adicional ao personagem. Mas sem dúvida o maior deles foi mesmo Apocalipse, merece levar a menção honrosa de melhor vilão da série. Nem mesmo Sr Sinistro se mostrou tão terrível (lembrando que os arcos de aventura dele são chatos). Já Apocalipse em todas suas formas, seus planos, seus vilões derivados, Arcanjo, os quatro cavaleiros do apocalipse, Pestilência, Guerra, Fome e Morte, enfim, já nem deixaria mais espaço para outro personagem bicão se estivessem em todos episódios.  Tão estiloso quanto ele, mas não mais amedrontador, é o Molde-Mestre, que fabricava Sentinelas numa escala absurdamente grandiosa. 




Não sou um cara preso ao passado, acredito e torço para que futuras gerações conheçam animações de qualidade de super herói como foram as do meu tempo. Ao menos que conheçam as originais, por que não, desenho bom não fica datado. Os personagens estão sempre se reciclando, nas animações, no cinema, em adaptações live-action, só vamos esperar que não descaracterizem nossos heróis em produções preguiçosas e infantis abaixo da média. Pode ser inclusive que X-Men precise de uma nova adaptação, mas nada parecido com X-Men Evolutions. Só que na direção que caminha as produções atuais quem sabe ser comparado com X-Men Evolutions não seja mais tão ruim assim.

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Mickey Mouse quase foi um coelho




Que Mickey Mouse é o mascote mais famoso da Disney, ninguém tem a menor dúvida. Mas o que pouca gente sabe é que seu posto por pouco foi ocupado por outro roedor. Isso significa que, no lugar do camundongo, quase teríamos um coelho como mascote de uma das maiores companhias multinacionais do entretenimento. Em 1927 Walt Disney criou, juntamente com o desenhista norte-americano Ub Uwerks, Oswald, o Coelho Sortudo, personagem baseado na cultura de que o pé do coelho oferece sorte ao seu portador. Carismático, inovador e de traços que mais tarde seriam reconhecidos pelo mundo inteiro até os dias de hoje, Oswald foi um sucesso absoluto em curtas de animação e em histórias em quadrinhos, concorrendo diretamente com Gato Félix, outro clássico personagem. Infelizmente seu sucesso não durou muito tempo e já no ano seguinte a Walt Disney Company perdeu os direitos do personagem por problemas contratuais para a Universal, estúdio que produzia e distribuía suas animações. O coelho Oswald passou então às mãos de Walter Lantz, criador do Pica Pau, que deu uma repaginada ao personagem, chegando até mesmo a descaracterizá-lo, dando um visual próximo a um fofinho coelho da páscoa, o que não caiu nada bem a ele. 



O personagem seguiu fazendo sucesso nos cinemas até 1943, quando começava a cair no ostracismo. Mas parece que Walt Disney não teve muito tempo para chorar pelo personagem, pois logo a seguir criou o Mickey Mouse com seu parceiro de sempre Ub Uwerks, com os mesmos traços, personagem que alcançaria fama mundial de enormes proporções que permaneceria até os dias atuais. 
Em 2006 finalmente a Disney readquire os direitos de Oswald, e o coelho sortudo ganha a chance de brilhar novamente na casa em que foi criado com o lançamento de Disney Treasure, coleção de DVD´s que trazem animações com o personagem. Porém, o que mais marcou a sua volta foi a participação como vilão no jogo Epic Mickey, lançado para Nintendo Wii em 2010, o que coincidentemente também marcou a volta de Mickey para o mundo dos games. Epic Mickey é o jogo mais obscuro dos personagens Disney, onde o camundongo vai parar num mundo de realidade alternativa chamado Wasteland, encontrando criações injustiçadas e esquecidas do próprio mundo Disney, entre elas seu velho inimigo João Bafo-de-Onça, o cavalo Horácio e a vaca Clarabela. Com justiça, o coelho Oswald é a criação principal que lidera todos esses inimigos, na companhia da gata Hortência, sua namorada (!) e seu exército de coelhinhos, todos eles filhos do casal. Mickey os combate armado de nanquim preto e removedor de tinta. No final acaba tudo bem entre Mickey e Oswald, e ambos percebem que são mais próximos do que poderiam imaginar. Afinal, o camundongo é, basicamente, um subproduto do coelho sortudo, que seguiu seu caminho e conseguiu a fama mundial que talvez fosse sua se continuasse nas mãos certas. Quem sabe se, em uma realidade alternativa, Mickey nunca tivesse sido inventado e em seu lugar teríamos o tão injustiçado Oswald? Prefiro imaginar os dois personagens protagonizando aventuras divertidas juntos, e que Oswald se torne reconhecido aos quatro cantos do mundo como um genuíno personagem Disney. Afinal, antes tarde do que nunca.