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segunda-feira, 18 de outubro de 2021

Turma da Mônica - Lições (O segundo filme da turminha)

 


Desde sempre a turminha criada por Maurício de Souza nos devia um filme em sua versão live action, embora muitos torcessem o nariz. Mesmo os mais otimistas temiam pela descaracterização da turma dos gibis. Acabou que Turma da Mônica: Laços (2019, Daniel Rezende) foi bem recebido por grande parte de crítica e público, projeto até então grandioso, inédito, e o que é melhor, ainda na era de seu criador. A história é baseada na graphic novel homônima de Vitor e Lu Cafaggi, e tudo é bem fiel à turminha, a história, as confusões, e os personagens, mesmo alguns secundários, foram lembrados. O filme teve direito até a Maurício de Souza fazendo uma ponta bem ao estilo Stan Lee. Contudo, um só filme é pouco e nos deixou um gostinho de quero mais. Torcíamos, na verdade, por uma trilogia, consigo até imaginar todo um universo cinematográfico com os personagens, como o MCU mesmo. As sequencias não deveriam demorar sendo que crianças crescem rápido e seria, para mim e para muitos, inadmissível a troca dos atores principais. É até preferível que apareçam espichados entre um filme e outro, cheios de espinha na cara, engrossando a voz e começando a evidenciar pelos pelo corpo, tal como aconteceu com Stranger Things. Por essa razão que não consegui imaginar mais que três filmes. 

Recentemente tomei conhecimento de uma continuação; Lições, e fiquei entusiasmado ao assistir o trailer apresentando versões de carne e osso de personagens que faltaram em Laços. Contudo, não acho que o filme possa ser perfeito. Se o primeiro tinha todo sabor de fan servisse e cumpria a função de apresentar a Turma da Mônica em uma versão diferente para várias gerações, que poderia se sustentar por si só, o segundo vem com a promessa de completar a história, fechando o arco e apresentando o que ficou de fora. Já deu para ver que o novo filme vai tratar de questões como maturidade, fim da infância e chegada à adolescência. Não pareceu que caberia outra história depois dessa, não com a mesma turminha. Teríamos então, quem sabe, um filme com a Turma da Mônica jovem? Sinceramente, prefiro nem pensar nisso.

Bem, então devemos aproveitar Turma da Mônica: Lições sem pensar em nada mais, sendo essa uma sequência bônus. Embora preferisse um filme descompromissado sem lições e sem questões profundas, só com a turminha em situações próximas às dos gibis, é inegável que o capricho precisa ser maior em produção com atores de verdade. Mas tudo bem. Só de pensar em assistir um segundo filme da turminha que há mais de 30 anos jamais imaginaria ver em uma única versão realista, é coisa demais para se contentar. E se mesmo assim o gostinho de quero mais persistir é só lembrar que o universo dos personagens de Maurício de Souza é gigantesco, o que não vai faltar é histórias de personagens para adaptar.




 

sábado, 25 de maio de 2019

Exemplos inversos que a ficção nos ensina




A ficção, tal como na vida real, nem sempre é feita de bons exemplos. Mas podemos aprender inclusive com os exemplos maus, que acabam nos dando lições do que não deve ser feito, ou seja, os considerados ´´exemplos a não seguir``. E de repente é até melhor nos depararmos com esses exemplos o quanto antes, do contrário, se não tivéssemos conhecimento deles, poderíamos estar cometendo deliberadamente esses erros por aí, sem ninguém nos avisar de que é certo ou não, e assim temos a chance de nos corrigirmos a tempo de evitar algumas injustiças.

Um desses exemplos que aprendi na ficção é que os vilões não tem amigos. Sim, é verdade, os bandidos dos filmes e de toda forma de dramaturgia é solitário, individualista, não tem apego com ninguém, seja com a família ou com pessoas próximas. E é exatamente por esse caráter frio e antissocial que ele é considerado um cara ´´do mal``. É claro que nem sempre o vilão age sozinho, na maioria das vezes ele é pertencente de uma equipe, de um ´´império do mal``, mas engana-se aquele que acha que entre seus colegas do time de vilões existe a mesma sinergia que a equipe do time dos heróis. Não há companheirismo, apatia, espírito de equipe e muito menos o ideal ´´Um por todos e todos por um``. Os vilões se juntam porque têm um interesse em comum, a destruição dos mocinhos ou o domínio de alguma coisa, e isso pode ser inclusive mediante ameaças e chantagens. Provavelmente eles se divergem quanto à liderança, o líder é respeitado por ser o mais forte, e na primeira chance que um tiver de puxar o tapete do outro, mesmo que isso possa prejudicar gravemente ou mesmo custar a vida de seu colega, ele não exitará em fazê-lo, pois para o vilão o que importa é ele mesmo, sua conquista pessoal, todos os méritos para si e a sensação de todo poder conquistado. 

Os mocinhos também podem brigar entre eles, passarem por conflitos internos pessoais, mas no final prevalece a lição de amizade, trabalho em equipe e todos aprendem a aceitar as diferenças um do outro, a importância do convívio social e a descoberta de que a união vale a pena. 

E esse exemplo podemos levar para a vida real. A TV, o cinema e a literatura já nos mostra que a falta de união, o individualismo e o egoísmo são características próprias de personagens negativos, que sempre perdem no final. Para se prosperar é preciso união, tolerância, empatia e espírito de equipe. As pessoas não podem ser uma ilha, nenhum herói começa sozinho e termina sozinho. As conquistas precisam ser compartilhadas. 

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Sonrics - Mais chique que Kinder Ovo


Conforme vamos envelhecendo não param de nos surgir lembranças remotas de nossa querida infância, e eu tive disso por esses dias, e a lembrança foi meu contato com uma marca de doce que nunca mais ouvi falar, ou então que está por aí, disfarçada entre vários produtos que nos passam despercebidos (sei que a marca continua em atividade no México). A marca em questão é a Sonrics, cujo mascote é alguma coisa como um mago fofinho, e o produto que ganhei, uma sacolinha surpresa bem caprichada, de cor azul metalizado e de material plástico. Foi comprada em uma seção de doces importados do supermercado e devia ter custado bem caro. Dentro dela, doces sortidos, não em muita quantidade, e também nem tão saborosos assim, algo como balas de menta, chicletes e doces de goma, mas a cereja do bolo eram os brinquedinhos que vinham, que faz a sacolinha surpresa poder ser comparada com Kinder Ovo numa boa, só que acho que os da sacolinha surpresa da Sonrics eram ainda mais tops, e já vinham montados. O brinquedo que veio para mim era um ônibus espacial branco, de plástico de qualidade, com imitação de vidro na ponta e tudo, adorei e brinquei por longos anos. Nunca tive outra sacola e não sei que fim o produto levou, mas conversando com os garotos da escola na época pude ver que muitos deles também tinham ao menos um brinquedo do tal produto, todos eles naves espaciais, robôs e alienígenas. Só não lembro em qual ocasião ganhei o produto, e o ano acredito que seja entre 92 e 93.
Claro que pesquisei sobre essa tal sacolinha surpresa Sonrics por aí, e descobri que essa marca trabalha com os personagens da turma da Mônica desde o comecinho até o fim de suas atividades no Brasil, lançando principalmente chicletes. Já no México, trabalha lançando caixinhas surpresas com miniaturas de personagens recentes. Conheça o site oficial da empresa https://sonrics.com.mx/


sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Mickey Mouse quase foi um coelho




Que Mickey Mouse é o mascote mais famoso da Disney, ninguém tem a menor dúvida. Mas o que pouca gente sabe é que seu posto por pouco foi ocupado por outro roedor. Isso significa que, no lugar do camundongo, quase teríamos um coelho como mascote de uma das maiores companhias multinacionais do entretenimento. Em 1927 Walt Disney criou, juntamente com o desenhista norte-americano Ub Uwerks, Oswald, o Coelho Sortudo, personagem baseado na cultura de que o pé do coelho oferece sorte ao seu portador. Carismático, inovador e de traços que mais tarde seriam reconhecidos pelo mundo inteiro até os dias de hoje, Oswald foi um sucesso absoluto em curtas de animação e em histórias em quadrinhos, concorrendo diretamente com Gato Félix, outro clássico personagem. Infelizmente seu sucesso não durou muito tempo e já no ano seguinte a Walt Disney Company perdeu os direitos do personagem por problemas contratuais para a Universal, estúdio que produzia e distribuía suas animações. O coelho Oswald passou então às mãos de Walter Lantz, criador do Pica Pau, que deu uma repaginada ao personagem, chegando até mesmo a descaracterizá-lo, dando um visual próximo a um fofinho coelho da páscoa, o que não caiu nada bem a ele. 



O personagem seguiu fazendo sucesso nos cinemas até 1943, quando começava a cair no ostracismo. Mas parece que Walt Disney não teve muito tempo para chorar pelo personagem, pois logo a seguir criou o Mickey Mouse com seu parceiro de sempre Ub Uwerks, com os mesmos traços, personagem que alcançaria fama mundial de enormes proporções que permaneceria até os dias atuais. 
Em 2006 finalmente a Disney readquire os direitos de Oswald, e o coelho sortudo ganha a chance de brilhar novamente na casa em que foi criado com o lançamento de Disney Treasure, coleção de DVD´s que trazem animações com o personagem. Porém, o que mais marcou a sua volta foi a participação como vilão no jogo Epic Mickey, lançado para Nintendo Wii em 2010, o que coincidentemente também marcou a volta de Mickey para o mundo dos games. Epic Mickey é o jogo mais obscuro dos personagens Disney, onde o camundongo vai parar num mundo de realidade alternativa chamado Wasteland, encontrando criações injustiçadas e esquecidas do próprio mundo Disney, entre elas seu velho inimigo João Bafo-de-Onça, o cavalo Horácio e a vaca Clarabela. Com justiça, o coelho Oswald é a criação principal que lidera todos esses inimigos, na companhia da gata Hortência, sua namorada (!) e seu exército de coelhinhos, todos eles filhos do casal. Mickey os combate armado de nanquim preto e removedor de tinta. No final acaba tudo bem entre Mickey e Oswald, e ambos percebem que são mais próximos do que poderiam imaginar. Afinal, o camundongo é, basicamente, um subproduto do coelho sortudo, que seguiu seu caminho e conseguiu a fama mundial que talvez fosse sua se continuasse nas mãos certas. Quem sabe se, em uma realidade alternativa, Mickey nunca tivesse sido inventado e em seu lugar teríamos o tão injustiçado Oswald? Prefiro imaginar os dois personagens protagonizando aventuras divertidas juntos, e que Oswald se torne reconhecido aos quatro cantos do mundo como um genuíno personagem Disney. Afinal, antes tarde do que nunca.