Mostrando postagens com marcador anos 90. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador anos 90. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 12 de janeiro de 2021

Uso e Abuso de Poder

 


Numa época em que eu nem sabia o que era Story Board passava na MTV comercial de uma espécie de concurso onde seria selecionado o melhor Story Board que enviassem sobre o tema Uso e Abuso de Poder. Minha memória é enevoada e eu não lembro mais de muita coisa a respeito disso, me parece que seria para uma animação, dessas animações toscas que passavam na época, The Maxx, O Cabeção, Aeon Flux, coisa do gênero. A propaganda era a cara das vinhetas bizarras que sempre passavam. Era uma coisa assim, um tanto vaga mesmo, lembro que se passava pouca informação, dicas e restrições, basicamente era só enviar alguma coisa que pudesse vir na cabeça sobre a ideia do que seria Uso e Abuso de Poder mesmo. A propaganda passou muitas vezes, o concurso foi para frente e selecionaram um vencedor. Bem, ao menos o concurso foi para frente, a animação não, pois nunca foi produzida de fato. Só lembro-me de um novo comercial avisando que o concurso chegava ao fim e estavam produzindo o Story Board do vencedor. E esse comercial também passou seguidas vezes, e depois sumiu do mapa, assim como a suposta animação e a menção a Uso e Abuso de Poder. Hoje gostaria de mais informação sobre isso, garimpar mais a fundo sobre essa pérola, mas é difícil encontrar alguma coisa pela internet. É compreensível em se tratando sobre como é vago minha informação sobre isso, certamente minha memória me trai e esconde mais detalhes, se alguém souber, lembrar ou encontrar alguma coisa relacionada, favor entrar em contato comigo. O pior é que minha mente conseguia, por vezes, ser bizarra a tal ponto em alguns momentos, que cheguei a pensar que Srtory Boards eram complexos demais para se produzir uma animação a partir desse ponto, e isso justificaria a demora e o atraso do lançamento do que viria de Uso e Abuso de Poder. Como se vê eu era realmente um garoto inocente que não entendia o que era flopagem.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

A Família Dinossauros - Nem parece que foi há tanto tempo

 



O fenômeno

 

Tem séries que não acabam nunca enquanto existem aquelas que, por mais que sejam boas, contam com poucos episódios e se perdem no tempo. Às vezes é até melhor assim, as boas ideias da premissa original acabam sendo corrompidas em nome da audiência, o que, por sorte, não é o caso de A família Dinossauro. Exibida por aqui de 92 A 94, tempo quase simultâneo à sua produção, exibição e encerramento em seu país de origem, a Família Dinossauro, juntamente com Os Simpsons, vendia a ideia de uma produção destinada a todas as idades, explorando o cotidiano de uma família como qualquer outra, cada membro com suas peculiaridades, de fácil identificação ao público. Mas enquanto Os Simpsons estão aí até hoje em sua produção mais simples e de popularidade cada vez mais global, a família de Dino e cia só não se perdeu no tempo por ser uma série um tanto diferente, pioneira em sua época, levando o nome de Jim Henson e sua produtora na concepção de materiais utilizados em cena, o recurso que combinava atores em vestimentas especiais, fantoches e tecnologia animatrônica, animados por computador. Por aí já dá para imaginar a trabalheira que era dar vida a cada personagem em cada episódio, e o quanto isso era caro. Mas fazendo justiça, o seriado era muito mais que isso, a história contava bastante, com personagens carismáticos, muito humor negro e crítica social, e inovação ao retratar o cotidiano de uma família pré histórica na qual os ´´lagartos terríveis`` eram considerados seres pensantes, fazendo uma analogia aos dias atuais da época, e que mesmo hoje em dia continuam iguais, pois o seriado envelheceu bem, nem parece ter sido produzido há tanto tempo. O curioso é que, se aqui temos ´´Família`` já no titulo, no original a série não dá tantas pistas do que se trata a premissa, batizada apenas de Dinosaurs. Mesmo os personagens centrais, nada de Silva Sauro, nada de Dino, nada que lembre sua natureza reptiliana pré-histórica. O nome do patriarca é Earl, e o nome da família é Sinclair, talvez tenha sentido dentro de algum contexto norte-americano, ou não. De qualquer maneira, sabemos que as versões brasileiras para títulos e traduções costumam serem as melhores.


Era interessante ver que, ao alcançar grande popularidade, a série passava a não ser mais um programa semanal, indo de vez para as manhãs diárias da Globo misturando-se aos desenhos animados da programação infantil, isso perto do almoço, momento em que os adultos costumavam estar também presentes na preparação da ida das crianças para a escola, e acabavam tendo sua atenção despertada por essa família pré-histórica. Em terras brasileiras, sem dúvida o programa inicialmente era considerado um produto infantil, lembro que na época o país foi tomado por uma tal de ´´Babymania`` nome dado à modinha que o dinossaurinho rosa, caçula da família, atingia as crianças com seus brinquedos, roupas, acessórios de cama e colecionáveis. Um personagem infantil tão carismático e de fácil apego emocional, paródias de programas de televisão da época em um tom mais cômico, dinossauros se comportando como gente e um visual que lembrava bonecos de filmes dos Muppets e mesmo os cães da TV Colosso, realmente levavam a série para o reconhecimento de mais um conteúdo para os baixinhos, mas quem assistiu a série depois de ter crescido ou quem já era adulto na época, sabe que de infantil não tinha quase nada. Os temas centrais de cada episódio são muito bem trabalhados, envolve questões e termos super atuais já naquela época, como direitismo e esquerdismo, manipulação de massa, consumismo, o controle que a mídia exerce sobre nós, feminismo, fundamentos do trabalho, drogas entre os adolescentes, contestação política, ecologia, assédio moral no trabalho, xenofobismo, liberdade de expressão, alimentação carnívora e antinatural se contrapondo à alimentação saudável, novas tecnologias, capitalismo desmedido, noções de história, geologia e até mesmo vida sexual. O que devemos lembrar que todas essas questões eram veladas, não era nada, digamos assim, escancarado, nada de lição de moral no final, apenas os mais atentos entendiam e começavam a se questionar sobre cada acontecimento do episódio, ou seja, os adultos. Se visto nos dias de hoje, a única diferença é que no lugar da televisão, tecnologia tão consumida pela família, teríamos também a presença de internet, celulares e tablets, inclusive nas mãos do Baby Sauro, já que a alienação era amplamente abordada em cada história. Tanta criatividade nesse inteligente seriado acabava o tornando um item popular igualmente entre os adultos, melhor que isso, os adultos da série, não sendo meros coadjuvantes, passavam a fazer parte do imaginário das crianças, não mais apenas o Baby com seu irritante bordão exaustivamente reproduzido nas escolas e em brincadeiras infantis ´´Não é a mamãe!``. Qual criança da época não queria ter um pai igual o Dino da Silva Sauro, por mais que, como outros pais de séries da época, fosse recheado de maus exemplos? Apesar de irresponsável Dino era um pai de família bem melhor que muitos por aí, marido amoroso, paciente com os filhos e um grande exemplo de proletário, disposto a aceitar tudo para manter uma vida razoavelmente confortável em sua casa. Era fácil identificar membros da própria família com os personagens, tanto que qualquer item que levasse a imagem de qualquer um deles passou a ser fruto de desejo e ostentação. Foram lançados gibis, material escolar, LP com canções em português pela Xuxa Discos, biscoito Passatempo recheado, álbum de figurinhas, chicletes, artigos para festas, bonecos e diversos outros produtos, originais e piratas. Na mesma época, aproveitando o embalo da moda já lançada por essa família, veio outros produtos que exploravam a figura histórica de dinossauros, como o filme Jurassic Park e o seriado Power Rangers, cujos heróis representavam poderes de animais pré-históricos, que também renderam vários produtos, sem contar o extinto chocolate Surpresa, que oferecia de brinde figurinhas com imagens de dinossauros e uma resumida das características de cada espécie em seu verso. Crianças passavam a se interessar pelos répteis gigantes, e os adultos redescobriam uma curiosidade e passavam a ter noções básicas de paleontologia. Porém, a família Silva Sauro, dês de sempre fictícia, não apresentava com precisão histórica sua natureza. Sabemos que Dino é um megalossauro, e a Fran, matriarca da família, é uma alossauro, mas os filhos, e a própria mãe de Fran, parecem ser de espécies diferente, em nada combinando entre si. Roy, melhor amigo de Dino, é um tiranossauro, e senhor Richfield, chefe inescrupuloso de Dino, é um tríceratops, só que essa seria uma espécie vegetariana (se bem que, mais recentemente, soubemos que essa espécie sequer existiu, mas...) e a despeito de sua natureza, Richfield é um terrível predador. Mesmo assim, sabendo mesclar fantasia, humor e alguns pontos realistas, principalmente ao remeter à realidade humana social, o seriado conseguiu lembrar fatos do período em que se situava, a origem dos continentes, o princípio de sua separação, a era glacial, e a inevitável extinção das espécies nas quais pertenciam, retratada com justiça no episódio final, aquele que chocou todo mundo e foi banido em alguns países, mas que você pode encontrar na internet.

 



Pontos do seriado.

 

Tudo bem, a produção do seriado era dispendiosa por contar com recursos tão modernos para a época, isso sem contar com o esforço e o trabalho da equipe técnica para casar tudo isso, o que pode ter contribuído para a série ter poucos episódios se comparada a outras produções semelhantes. A série tentava ser econômica a seu modo, personagens como Zilda e Richfield permaneciam a maior parte do tempo sentados, o que poupava esforços técnicos, eram usados planos fechados para não ser preciso criar cenários demasiado grandes e de muita profundidade, bonecos eram reaproveitados para vários personagens e omitia-se alguns detalhes, como o carro da família, que apareceu em poucos episódios e em soluções práticas, como mostrando apenas o interior do veículo. Quem assistiu a série deve ter visto alguns personagens reproduzidos com a mesma aparência, isso acontecia porque para a criação de figurantes a produção mudava apenas as roupas de velhos conhecidos, mas que não eram da família original, o que contava com nossa aceitação. Inconscientemente imaginávamos apenas que eram indivíduos da mesma espécie. Inclusive era possível mudar o sexo pela troca de vestuário e pela voz da dublagem. Era assim com os colegas de trabalho de Dino, que ´´viraram``, em outros episódios, médicos, juízes, fotógrafos, ´´Mago do Trabalho``, namorados dos filhos adolescentes, entregadores, analistas, professores, populares e demais figurantes, inclusive o próprio Baby em sua versão adulta. Falando nisso, é quase deixado claro, em um determinado episódio, que Baby não é filho de Fran e Dino, tudo não passou de um acaso por uma troca de ovos, fato esse que Salomão, o Grande, conseguiu fazer não importar. Apenas o elenco principal não contava para outras participações como outros personagens, caso de Dino, Zilda, Fran, Bobby, Charlene, Baby, Sr Richfield, Mônica Invertebrada (que engenhosamente contava apenas com sua cabeça e seu pescoço comprido, em poucas vezes aparecendo seu corpo em uma panorâmica longínqua da casa da família), Roy e Carlão, melhor amigo de Bobby. Só em casos excepcionais podíamos vê-los como outros personagens, como quando aparece a irmã idêntica de Dino e quando a família recebe a visita do possível autêntico filho de Dino e Fran, no caso um Baby verde, menos travesso do que o que estávamos acostumados.




Como tudo que é bom dura pouco, em 94 os produtores do seriado decidiram que já era hora de terminá-lo, o que talvez fosse o tempo certo, antes que começasse a perder a graça. Para isso decidiram um final um tanto comovente, mas interessante em termos de história, que seria a extinção dos dinossauros já na geração dessa família querida que aprendemos a amar. Mesmo amenizado com o humor e a alegoria tão característicos dessa série, o épico episódio final traz nas entrelinhas a mensagem de que o capitalismo, o consumo desmedido e o desperdício de nossos recursos naturais podem simplesmente nos levar ao fim de tudo isso, o que acaba fazendo não valer à pena tais esforços, e que o melhor a fazer é usufruirmos tudo de forma natural, aceitando o preço sem querer dar um passo maior que as pernas. É incrível pensar que um seriado retratado em tal época e considerado apenas um sitcom ou um simples programa infantil, pudesse trazer mensagens tão profundas para os dias recentes, e que, aliás, faz muito mais sentido nos dias ainda mais atuais, onde tudo tem andado em um ritmo cada vez mais desordenado, nos fazendo ter uma perspectiva não muito boa do futuro. Será que, tal como os répteis gigantes pré-históricos, nós humanos poderíamos ter um destino semelhante? Bem, seriados como esse são raros hoje em dia, e talvez por isso não mais exista. Estava bem à frente de seu tempo, o que se torna irônico em vários sentidos. Hoje ele seria ajustado para se tornar uma comédia mais leve e sem mensagens políticas ou ecológicas. Hoje o ´´canibalismo`` e o humor negro seria tratado como algo indigesto para a TV aberta, onde um certo bebê Yoda não conseguiu ser tratado com tanta naturalidade ao passar aos olhos pseudo conservacionistas, gerando militância em meios midiáticos. Você pode não lembrar ou sequer ter percebido, mas sim, A Família Dinossauro previu tudo isso.




terça-feira, 12 de maio de 2020

Capitão Planeta e os Protetores


Túnel do Tempo – Capitão Planeta | Gabo Carvalho

Insisto em dizer que os desenhos antigos são os melhores. Hoje em dia é difícil encontrar um desenho que funcione tão bem para todas as idades, melhor que isso, que seja sim infantil, mas um infantil levado a sério, que não fique datado, preso no tempo. Uma clássica animação que podemos destacar é Capitão Planeta, que, visto em qualquer época, continua sempre atual. Passava nos anos 90, nas manhãs da programação da Globo, e enquanto crianças não percebíamos a grandiosidade das mensagens que o desenho passava, para muitos era apenas uma animação tradicional de cinco jovens escolhidos de diversas partes do mundo a dedo, por uma entidade da mãe natureza para combater o mal, sendo que, na verdade, o principal mal não é nada como uma invasão espacial, por exemplo, e sim uma ameaça que existe mesmo na vida real; a poluição. Cada um portava um anel do qual extraía poderes baseados em cinco elementos da natureza; o ruivinho novaiorquino Willer, jovem bonito e forte candidato a protagonista (o que não podia ser diferente, já que o desenho é americano) possui o poder do fogo, o que é condizente com sua personalidade e seus desejos ardentes à flor da pele, levando em conta sua idade e seus hormônios em ebulição, sempre tentando conquistar a loirinha russa Linka, mas nunca obtendo sucesso. O jovem é um tanto ignorante quanto às questões naturais, mesmo sendo por conta da influência das pessoas à sua volta ao longo de sua vida. Também é impulsivo, corajoso, viril, mas sempre gente boa. No time masculino também temos Kuami, representante da África. Preocupado com plantações de árvores e alimentos em sua terra árida e pouco fértil, acaba ganhando o anel cujo poder é a manipulação da terra. Como representante da América do Sul temos o indiozinho Ma-ti, um provável brasileiro, habitante de uma tribo da Floresta Amazônica, o mais novo do grupo, e um tanto frágil e sensível. Seu poder é o ´´Coração``, que, embora não sendo um dos elementos naturais, é importante para a conexão, o respeito e o desejo de preservação a tudo de importante à sua volta. Ma-ti vive acompanhado por seu macaco prego de estimação, Sushi, embora seu nome não faça o menor sentido. No time feminino temos a asiática Gui, que em contrapartida à modalidade de pesca aos golfinhos tão comum nos países asiáticos, a menina tem como paixão esses simpáticos mamíferos. Também é uma exímia nadadora, razão pela qual ganhou o poder de manipulação da água. E a já citada Linka possui o poder de manipulação do vento. O desenho não deixa claro se os jovens possuem a capacidade de criar tais elementos ou apenas manipulá-los através de matéria prima já fornecida, na maioria das vezes parecia que apenas Willer tinha capacidade de criar seu elemento. Conforme as coisas iam ficando piores, os jovens uniam seus poderes (quase sempre por iniciativa de Kuami) e formavam o Capitão Planeta, um herói peculiar de corpo metálico, cabelo verde e partes vermelhas, não necessariamente obedecendo às cores do planeta Terra, super forte, com capacidade de voar e o dom de reciclar materiais destrutivos para alguma coisa que a natureza possa aproveitar. O interessante é que ele não fazia o tipo indestrutível, tinha lá seus pontos fracos, como a poluição e a toxicidade, que enfraquecia seus poderes. Eu até chego a achá-lo fraco, pois vivia levando a pior no combate aos inimigos. A poluição, inclusive, enfraquecia os poderes dos anéis. Nesse caso, os jovens heróis tinham que criar outra estratégia.
Batizado por Os Protetores, os jovens foram escolhidos e reunidos por Gaia, entidade representante da natureza, que se manifesta por uma morena formosa e altiva. Eles se reúnem na Ilha da Esperença sempre que surge uma ´´Ecomissão``, como bem diz Gaia. Além dos anéis, Gaia também ofereceu aos Protetores o Geo-planador, nave ecológica movida a energia solar, que os jovens se revezam para pilotar e se dirigir a diversas partes do globo, e onde podem observar a tudo pelo Planeta visão, monitor embutido no painel do veículo. Eles usam também o Geo-submarino, para missões aquáticas. Se os jovens retornam para seus respectivos continentes, casas e família após cada missão, não sabemos, mas é certo que os cinco passam muito tempo juntos, se divertindo ou trabalhando, como grandes amigos. Ao longo da série eles chegam a conseguir alguns aliados que os ajudam a manter a ordem e o equilíbrio ambiental.
As ameaças ecológicas representam problemas reais, mas nessa animação os gananciosos, que muitas vezes fazem uso de planos antiéticos, são vilões fixos, estigmatizados, fácil para a compreensão das crianças de como funciona o lado sombrio do progresso e suas consequências para o futuro. A série se preocupa em sugerir o melhor modo de como deve funcionar as indústrias, o comércio, respeitando a vida, o espaço geográfico, fazendo observar que, a longo prazo, o respeito ao meio ambiente é mais importante que o dinheiro, do contrário nada faria sentido. Os vilões são interessantes e bem trabalhados, representados por poluidores como Greendler, um homem de sugestivo aspecto suíno sempre acompanhado por seu braço direito Rigger, a Dra Blight e seu fiel computador de inteligência artificial M.a.l, Duke Nuken, Bil Plender, Matreiro (Dr Lodo), Verminoso Scum, Celsu Jeira, Zarm, Roupa de Couro e muitos outros, dos mais terríveis aos mais atrapalhados. Ao final de cada episódio, os heróis passam mensagens de como devemos cuidar da natureza.
Mesmo depois de tantos anos a série continua atual, com suas questões ambientais. Já adulto, percebo que o desenho é muito mais que um simples espetáculo infantil, e o quão importante ele é para o desenvolvimento de um adulto responsável, consciente com o mundo em que vive. Pena que a maioria dessas questões nos passava despercebidas quando crianças. Eu diria até que é uma animação à frente de seu tempo, e se mais animações como essa fossem produzidas na época, quem sabe o mundo hoje não seria bem melhor. O desenho já citava, mesmo nos anos 90, aquecimento global, crescimento populacional, uso de drogas por adolescentes, poluição, desperdício de dinheiro, pragas, pestes, quarentena, desmatamento de florestas, mau gerenciamento na criação de animais, preconceito com certos tipos de animais, caçadas ilegais, desequilíbrio na fauna ambiental, falta de ética na venda/ aquisição de produtos e mercadorias, ciência ilegal, enfim, tudo de maneira didática, permitindo-se o uso de alegorias, mas tratando com seriedade, de modo que toda a família pudesse entender. Permitia-se o uso de imagens chocantes para fins educacionais. Pena esse desenho ter praticamente se perdido no tempo com todas essas mensagens, porém, acredito que ainda não é tarde para redescobrirmos seu conceito e pôr em prática tudo que a animação sugere. Vivemos um momento de preocupação com o meio ambiente e a vida na Terra, nada mal para estudarmos meios de preservação do mundo onde vivemos. Seja conversando com as pessoas, pesquisando por aí, e seguindo o bom senso. Já somos grandes e sabemos o que precisa ser feito. Na dúvida, podemos até mesmo lembrar quando éramos crianças e revisitar episódios antigos da série animada Capitão Planeta. Vai que refresca nossa memória?

terça-feira, 6 de agosto de 2019

HOLY GUACAMOLE! - ÁUDIO ORIGINAL DAS TARTARUGAS NINJA




Dando uma boa garimpada pela internet afora descobri o quanto é difícil encontrar a série clássica completa de As Tartarugas Ninja, tudo que consegui foram apenas 22 episódios dublados, mesmo assim o suficiente para acompanhar novamente as aventuras e ficar satisfeito.  Mas por sorte, depois de algum tempo, encontrei outro site de desenhos antigos que disponibiliza 80 episódios com áudio original e legendado por fans, embora em português lusitano, mas nada que atrapalhe nossa compreensão. Eu nem sabia que a série teve tantos episódios e olha que nem foi disponibilizada completa, pois o site disponibiliza até a quarta temporada e segundo ele vai até a décima, e que podemos encontrar os episódios sem legendas dentro do próprio site, se bem que tentei encontrar só por curiosidade mesmo, mas não encontrei, esses episódios se perderam num bug do próprio servidor, mas quem disse que fez falta? Esses episódios todos que podemos assistir é mais do que um presente especial, e o melhor mesmo fica por conta do áudio ser original, nunca vi as Tartarugas falando em seu próprio idioma, acompanhar as histórias foi como redescobrir o seriado. É claro que a dublagem brasileira era ótima, deu a cada uma das Tartarugas uma característica peculiar, como uma marca registrada delas. Quando crianças vivíamos querendo imitá-las, as vozes, os bordões, o vício de linguagem, e se na época imaginássemos que a voz delas pudesse ser diferente, com certeza rejeitaríamos, acreditando que desse jeito pudesse desconstruir os personagens. Já adultos, mais abertos e entendendo a natureza da coisa, podemos assistir sem se preocupar com o choque inicial do estranhamento, afinal, tanto tempo se passou. O resultado? Bom, como disse antes, foi uma boa experiência, inclusive satisfatória. Não poderia passar mais tempo sem ver essa ´´novidade`` nessa animação tão querida da infância, sem essa curiosidade, principalmente em se tratando dos quatro heróis. As vozes muito pouco, ou quase nada lembram a da dublagem dos anos 80/ 90. Eu inclusive tive dificuldade em entender quando cada um deles falava, em determinados pontos. Leonardo não tem aquela voz irritante, todas as demais vozes são normais, nada fanhosa, nada anasalada, e a que me chamou mais atenção foi a do Michelangelo. Sempre o imaginei um personagem fofinho, bem nerd, e os bordões que costumava usar, como ´´Santa Tartaruga``, foram na verdade adaptações brasileiras para ´´Holy Guacamole`` e coisas do gênero. Meio sem sentido, mas o personagem era o mais sem noção mesmo. Também me amarrava com a maneira pela qual se referia aos outros personagens por ´´dude``. Sua voz não é tão, por assim dizer, meiguinha, achei seu sotaque parecido com o de um homem chucro de filmes de cowboy, mas eu gostei assim. As piadas todas lá, o mesmo espírito da coisa. Sempre que assisto a episódios com áudio original, tenho a impressão de que o desenho soa menos infantilizado, mas talvez seja mesmo impressão. As dublagens brasileiras nas animações são realmente boas, mas assistir ao áudio original quando assim tiver oportunidade, me parece ser uma excelente opção. É uma maneira de descobrir uma faceta oculta da animação que curtia, é um mimo que todo fan merece. Sem contar que, se tem gente que reclama de falta de disponibilização de episódios dublados, sendo que foi um abençoado só pelo privilégio de poder ver sua animação tão querida novamente, editada, legendada, tudo bonitinho, inclusive episódios que não passaram no Brasil, merece ficar só com as animações atuais que passam na televisão mesmo, pois mal agradecimento pouco é bobagem. Além do mais, essa é uma maneira de reciclar o que já nos era estimado, graças à nossa amiga de sempre internet. A internet é um universo que, entre outras coisas, nos oferece experiências e informações que não teríamos em outra época.

terça-feira, 12 de março de 2019

Agente Cãofidencial - Gibi esquecido na década de 90



Tenho uma certa pena em lembrar de desenhistas de quadrinhos nacionais que tinham de tudo para ir para frente com publicações interessantes, mas por falta de nicho de mercado acabam tentando outra coisa. Tudo bem que os tempos são outros e hoje em dia não consumimos mais impressos como antes, mas pelo menos podia ter alguma coisa online que chamasse atenção, e-book, quadrinhos em PDF, para download, essas coisas, mas ninguém quer arriscar, afinal, tempo é dinheiro e nem todo mundo vive só de arte. Nesse sentido, os anos 90 tem muito a nos fazer recordar, essa que talvez seja a década de maior prestígio do mercado de quadrinhos brasileiros, mas também a que o encerrou de vez. Tivemos ótimos roteiristas, desenhistas, e um que especialmente lembro hoje é Marcelo Cassaro. Esbarrei com alguns de seus trabalhos em sua época de Abril Jovem, títulos como Zé Carioca e Heróis da TV, porém, só bem mais velho fui ligar o nome ao autor. Entre suas publicações tinha um título avulso de uma revista que me encantou do início ao fim, com personagens carismáticos, histórias originais e muitas páginas, tudo bem criativo que prometia uma longínqua série de sucesso. Contudo, não saiu do primeiro número. A revista em questão é Agente Cãofidencial, paródia declarada de 007 com personagens caninos que compunham uma equipe de super heróis. Além do protagonista James Hound consigo me lembrar do professor Hexo, um cão robô, Bronto, um cachorro que parece um dinossauro, um ninja, um soldado e um cachorro em seu formato mais animal com uma coleira tecnológica cheia de aparatos que a fazia lembrar o Bat-Cinto. Tinha também os vilões, a maioria bem atrapalhada, que mantinha seu rosto ocultado sob um capote. Era uma publicação voltada às crianças, mas os roteiros das histórias eram inteligentes e bem elaborados, cheios de citação a artistas e obras de renome da cultura pop, como Stan Lee e Pac-Man, clássico dos arcades oitentistas. Podemos dizer que Agente Cãofidencial é um projeto que carregava o DNA de Marcelo Cassaro, ele fazia o argumento e as artes, mas eu não saberia dizer com certeza se os personagens eram todas suas criações. De qualquer modo uma revista tão boa como aquela, que enchia de orgulho o mercado brasileiro de quadrinhos, foi tão pouco divulgada e hoje em dia quase ninguém lembra, e isso chega a doer um pouco. Acredito que ainda há tempo para se fazer uma sequencia, um spin off com os heróis, um relançamento que seja, uma publicação de luxo nas livrarias com a história dos personagens e de como nasceu o projeto. Insisto em dizer que os personagens e as histórias merecem ser conhecidos, a composição torna a publicação inesquecível para quem a conheceu, a fórmula funciona hoje em dia tão bem quanto nos anos 90, e acredito que não só para as crianças. É o tipo de revista que faz quem a conhecer ter a certeza que Marcelo Cassaro é um artista digno de respeito, e que merece toda a sorte do mundo para seus projetos, seja lá o que ele esteja fazendo nesse momento. 

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Sonrics - Mais chique que Kinder Ovo


Conforme vamos envelhecendo não param de nos surgir lembranças remotas de nossa querida infância, e eu tive disso por esses dias, e a lembrança foi meu contato com uma marca de doce que nunca mais ouvi falar, ou então que está por aí, disfarçada entre vários produtos que nos passam despercebidos (sei que a marca continua em atividade no México). A marca em questão é a Sonrics, cujo mascote é alguma coisa como um mago fofinho, e o produto que ganhei, uma sacolinha surpresa bem caprichada, de cor azul metalizado e de material plástico. Foi comprada em uma seção de doces importados do supermercado e devia ter custado bem caro. Dentro dela, doces sortidos, não em muita quantidade, e também nem tão saborosos assim, algo como balas de menta, chicletes e doces de goma, mas a cereja do bolo eram os brinquedinhos que vinham, que faz a sacolinha surpresa poder ser comparada com Kinder Ovo numa boa, só que acho que os da sacolinha surpresa da Sonrics eram ainda mais tops, e já vinham montados. O brinquedo que veio para mim era um ônibus espacial branco, de plástico de qualidade, com imitação de vidro na ponta e tudo, adorei e brinquei por longos anos. Nunca tive outra sacola e não sei que fim o produto levou, mas conversando com os garotos da escola na época pude ver que muitos deles também tinham ao menos um brinquedo do tal produto, todos eles naves espaciais, robôs e alienígenas. Só não lembro em qual ocasião ganhei o produto, e o ano acredito que seja entre 92 e 93.
Claro que pesquisei sobre essa tal sacolinha surpresa Sonrics por aí, e descobri que essa marca trabalha com os personagens da turma da Mônica desde o comecinho até o fim de suas atividades no Brasil, lançando principalmente chicletes. Já no México, trabalha lançando caixinhas surpresas com miniaturas de personagens recentes. Conheça o site oficial da empresa https://sonrics.com.mx/


terça-feira, 29 de maio de 2018

X- Men Animação Clássica




Insisto em acreditar que os desenhos dos anos 80 e 90 são melhores que os de hoje. Não importa os acertos, as tentativas, as opiniões divididas entre uma adaptação clássica e uma criação original, o que defendo é que, independente de ser o público alvo, as animações antigas superam as recentes. Lembro da metade dos anos 90, onde a preferência dos garotos da época era disputada entre Os Cavaleiros do Zodíaco, X-men, e um pouquinho depois, Power Rangers (Mighty Morphin). Nesse período passava entre eles, um tanto despercebido, o desenho Os Poderosos, na TV Colosso, que eu gostava bastante e em minha humilde opinião não ficava devendo em nada para esses já citados, mas eu preferia ficar calado para não sofrer ´´hate``. Mas acontece que, se antes eu conhecia X-Men dos quadrinhos, foi com a animação que começou minha admiração pelos mutantes até os dias de hoje. Se não me engano começou a passar no Brasil no comecinho de 1994, e realmente para época era um dos melhores desenhos a passar na televisão, era o último a ser exibido na programação infantil da Globo, na hora do almoço, justamente o momento em que se registrava maiores indicies de audiência, a hora em que as crianças se preparavam para ir à escola (no caso, as que estudavam de tarde, público para o qual a programação era direcionada). Os personagens agora se encontravam em novos uniformes, todos reformulados, diferente da maneira como apareciam nos quadrinhos, com destaque especial a Ciclope, Wolverine, Vampira, Gambit, Fera, Jean Grey, Tempestade, e um protagonismo optativo dado à Jubileu, uma pré adolescente, provavelmente para trazer mais identificação ao público infanto juvenil que viria a acompanhar os episódios, inserindo-os na descoberta desse novo universo de pessoas diferentes que a aguardavam, já que muito provavelmente nem todo leitor dos quadrinhos iria ser conquistado por essa versão animada dos X-Men, que precisaria ter uma linguagem mais infantil e mais universal. A animação seria apresentada à uma nova audiência, aquela que nem tinha o hábito da leitura, ainda mais se lembrarmos que os tempos eram diferentes e as crianças não conheciam nada de redes sociais, sites, blogs e comunicação à distância. Falando nisso, foi assistindo esse desenho que aprendi a pronunciar corretamente o nome Ciclope, que, acredito eu, foi a melhor versão desse personagem. Scott Summers foi o protagonista que as outras mídias precisariam ter, até hoje não o vi em uma adaptação decente nos cinemas, por mais que tivessem tentado nessa última vez. Forte, viril, bom líder, galante e em nada devendo a Logan, que também foi aqui bem retratado, talvez começando desde já a conquistar seu lugar na preferência de muita gente quando se pergunta qual seu herói/ X-Men favorito. Insisto a pensar que só existe os filmes de heróis por que as animações deram seu ponto de partida, não os quadrinhos, ao menos os primeiros a iniciar as sequencias que viriam depois. As versões televisivas foram as que apresentaram os heróis ao mundo, pois todos assistem televisão, crianças assistem televisão, e não necessariamente todo mundo tem o hábito de ler, mesmo hoje em dia, o que não deixa de ser uma pena. É possível conhecer toda a história, os personagens e a mitologia que cercam os heróis sem ter tocado em um gibi sequer, e ainda se tornar fan de um determinado personagem, debater, discutir, e reclamar caso seja escalado outro ator para interpretá-lo, escanteando o qual conhecemos sob a pele do personagem que aprendemos a amar. Mesmo assim a venda dos gibis dos mutantes aumentou bastante com o sucesso da animação, trazendo inclusive às bancas X-Men Adventure, série adaptada dos episódios da animação, e um álbum de figurinha da série de TV, que não vi fazer muito sucesso onde eu morava, tendo sido ofuscado pela coleção das figurinhas dos Cavaleiros do Zodíaco. Como podemos perceber, os impressos faziam sucesso de uma maneira que as crianças de hoje não conseguiriam imaginar. Com relação ao sucesso do desenho também se tornou fácil encontrar o jogo de Super Nintendo X-Men - Mutant Apocalypse, onde se podia jogar com Ciclope, Fera, Wolverine, Gambit e Psylocke, curiosamente a única representante do gênero feminino, que sequer fazia parte da equipe original da animação. Esse foi o primeiro dos muitos jogos, de vários consoles, que veio nesse embalo.

A animação



A animação tinha uma pegada bem anos 80, e digo de uma maneira positiva, pelos bons traços, roteiro bem trabalhado e personagens bem construídos, mas foi produzida entre 1992 a 1997, num total de 5 temporadas. A Rede Globo nem se atrasou tanto em trazer a animação para nossa terra, e o sucesso foi praticamente instantâneo. Pena que a belíssima abertura foi cortada para poupar tempo de exibição, restando apenas a ´´colisão`` entre heróis e vilões que, afinal de contas, acabou se tornando uma abertura antológica. A mansão do professor Xavier se mantém bem equipada e sofisticada, porém, sem a cara de uma ´´escola de alunos super dotados`` que precisaria ser seu disfarce. Para não duvidar do intelecto das crianças e de qualquer outra pessoa que assistisse a animação, não existia mais ninguém na mansão além dos tradicionais X-Men. Esqueça isso de aulas, alunos e professores, a Mansão X apenas abrigava mutantes heróis que se reuniam para discutir seus planos, treinarem seus poderes e habilidades, e ter um teto para viver, tudo sob a tutela de Charles Xavier. Em um determinado episódio a mansão é toda destruída e refeita por eles mesmos, voltando a funcionar em tempo recorde, com todos equipamentos que nela contêm. Outros personagens importantes esbarravam com nossos heróis em alguns episódios, como Colossus, Noturno (que por alguma razão teve seu nome alterado para Morcego), a Tropa Alfa, Anjo, Cable, Blob, Homem de Gelo, Psylocke, Moira, Pyro, Mercúrio, Morlocks, Feiticeira Escarlate, Bishop, Banshee, Ka-Zar, Mística, Sauron, Cristal, Solaris, Capitão América, Samurai de Prata, Senador Kelly, Mojo e Longshot, entre muitos outros. Alguns achei que foram bem utilizados, outros não, mas devemos saber que são muitos personagens e é difícil encontrar lugar para todos eles. Além dessas participações, um ou outro personagem do universo Marvel aparece em forma de lembrança, flash, frame ou plano detalhe, sendo de certa forma homenageados, como aconteceu com o Motoqueiro Fantasma, Justiceiro, Deadpool e Homem aranha. 




De todos os personagens que não são os clássicos protagonistas, um que chamou bastante atenção, além da Jubileu, foi o Morfo. Com o mesmo poder da Mística, era basicamente um estranho para quem conhecia os X-Men apenas dos quadrinhos, e morreu logo no segundo episódio. Ou seja, era um personagem criado só para morrer mesmo. Segundo Wolverine, era um grande amigo seu, sempre sarcástico e divertido como o mutante canadense. Apareceu alguns episódios depois, vivinho da silva e bem revoltadinho por sinal, a princípio querendo se vingar de seus ex-colegas X-Men por o terem deixado para trás e resultando em sua morte, mas perto do fim da série ocorre uma trégua e volta a se entender com eles, não retornando à equipe por achar que ali não é mais seu lugar (e também porque não cabia mais no roteiro), apesar da insistência do Professor Xavier e Wolverine. Nos quadrinhos tem um personagem bem parecido, porém, o da versão televisiva foi apenas inspirado neste, já que não há grandes semelhanças além do poder de metamorfose. 

Contudo, há um grande estranhamento entre essa versão televisiva com as demais, detalhes, histórias e origens que entram em choque. Como por exemplo, ser difícil considerar a relação maternal entre Mística e Vampira, assim como a mesma relação que a mutante azul tem com Noturno (ou morcego, em se tratando dessa animação), dessa vez uma relação sanguínea. Fora isso, arcos de histórias foram aqui muito bem representadas, como o da Fênix / Fênix Negra, a participação da equipe Shi´ar, a história em torno da cura mutante, as viagens temporais, e as lembranças, em flashback, que a equipe mutante nem sempre foi como passamos a conhecer desde o primeiro episódio, mostrando que antes era usado um uniforme padrão, os integrantes nem sempre eram os mesmos, e Fera já teve forma humana. A linha do tempo doida e bifurcada característica de uma produção dos X-Men marcava sua presença já nessa época, com os infindáveis casamentos entre Scott e Jean e falhas de continuidade e de coerência. Às vezes parecia que o roteirista esquecia do que havia acontecido antes. Tudo bem apenas se você achar que as crianças tem memória curta e não lembram do que comeram no café da manhã do dia anterior. 

Vilões

Para ser sincero nunca achei os vilões dos X-Men tão terríveis assim. Magneto, por exemplo, me parece uma flor de pessoa. Acessível à conversas, sua motivação é coerente e seus planos nem são tão terríveis assim. Apareceu em alguns poucos episódios como vilão, em muitos como aliado, e nem impressionou tanto. O mesmo se diz sobre Juggernaut (eu prefiro chamar de Fanático, mas muita gente se refere a ele pelo nome original). Foi interessante lembrar do meio irmão de Charles Xavier e explicar sua história, o fato de ele não ser mutante e mesmo assim parecer uma grande ameaça, seu caráter, em vários episódios não importando a distância entre eles. Mesmo assim, ele não é de longe tão ameaçador como deveria. Sua primeira aparição coincide com a primeira aparição de Colossus e o conflito que se segue (a bem da justiça, o desenho é cheio de ação e luta, embora para os padrões aceitáveis da época) deixa bem claro que na verdade ele é um bobalhão de miolo mole, dependente de sua couraça. Um detalhe curioso é que em um episódio bem à frente, um Zé ninguém encontra a jóia de Cyttorak que confere os poderes de Juggernaut e se torna um pit boy irresponsável, indo parar, em conflitos com o Juggernaut verdadeiro, no set de filmagem dos Power Rangers, referência que teve origem talvez por o  seriado, que também é da Saban assim como essa animação dos X-Men, estar fazendo sucesso na mesma época. 



Dentes-de-Sabre é um personagem que não pode faltar, mas teve sua origem mal trabalhada e mal desenvolvida nessa animação. Ficou sem explicação do porquê Wolverine odiá-lo tanto, não podia nem ver o cara que já ficava de TPM. Nos episódios futuros, suas sequencias com o Wolverine, seu envolvimento nas descobertas da Arma X e a união com outros personagens, foram dando um tempero adicional ao personagem. Mas sem dúvida o maior deles foi mesmo Apocalipse, merece levar a menção honrosa de melhor vilão da série. Nem mesmo Sr Sinistro se mostrou tão terrível (lembrando que os arcos de aventura dele são chatos). Já Apocalipse em todas suas formas, seus planos, seus vilões derivados, Arcanjo, os quatro cavaleiros do apocalipse, Pestilência, Guerra, Fome e Morte, enfim, já nem deixaria mais espaço para outro personagem bicão se estivessem em todos episódios.  Tão estiloso quanto ele, mas não mais amedrontador, é o Molde-Mestre, que fabricava Sentinelas numa escala absurdamente grandiosa. 




Não sou um cara preso ao passado, acredito e torço para que futuras gerações conheçam animações de qualidade de super herói como foram as do meu tempo. Ao menos que conheçam as originais, por que não, desenho bom não fica datado. Os personagens estão sempre se reciclando, nas animações, no cinema, em adaptações live-action, só vamos esperar que não descaracterizem nossos heróis em produções preguiçosas e infantis abaixo da média. Pode ser inclusive que X-Men precise de uma nova adaptação, mas nada parecido com X-Men Evolutions. Só que na direção que caminha as produções atuais quem sabe ser comparado com X-Men Evolutions não seja mais tão ruim assim.

quinta-feira, 5 de abril de 2018

César Sandoval - Um Grande Mito dos Quadrinhos Nacionais


Você pode até mesmo não ligar o nome à pessoa, mas com certeza já se deparou com muitos trabalhos desse respeitado quadrinista, ilustrador, animador, diretor, produtor e design. Essa é para aqueles que continuam achando que nosso país é carente de bons artistas desse ramo, e o que é interessante, continua em atividade nos dias atuais. Nosso blog não podia deixar de fazer um post sobre ele, e começarei agora meu relato de como descobri esse querido artista nacional.
Em 1987 descobri nas bancas o gibi de Os Trapalhões, então humorístico de sucesso da época, em sua versão infantil. Como toda criança que se amarrava no quarteto da televisão, me encantei com os quadrinhos e sempre que podia trazia uma edição nova para casa cada vez que alguém me levava às bancas. Achava muito legal a maneira como os humoristas eram retratados nos gibis, lembrava bastante a turma da Mônica, de um jeito bem diferente da televisão, mas sem perder sua real essência, o seu humor, e, logicamente, era bem mais inocente e menos malicioso que sua versão televisiva. Em toda capa, abaixo da ilustração dos personagens, havia de praxe a assinatura do desenhista responsável pela arte, que já sanava minha curiosidade de quem era o responsável pela publicação; César Sandoval. Não preciso nem falar que o sucesso foi imediato e o que se seguiu foi uma enxurrada de produtos que levavam a imagem dos personagens numa ação intensiva de merchandising, como a conguinha dos Trapalhões, que vinha com uma maletinha que todo garoto era doido para ter, iogurte, alpargatas, salgadinhos Fandangos, bonecos, entre outros. César chegou inclusive a fazer umas vinhetas de animação para os filmes do quarteto.


Mais curioso ainda, os gibis eram publicados pela Editora Abril, enquanto o programa passava na Rede Globo, detentora também de uma editora que rivalizava diretamente com a Abril, isso numa época em que esta editora ainda sofria pela falta de publicação de gibis de sucesso desde que as produções de Maurício de Souza se mudaram para a concorrente. Os gibis de César Sandoval tinham sua participação de mercado para o remanejamento das publicações infantis da Editora Abril. Em 1989 chegava às bancas uma outra novidade, o gibi As Aventuras dos Trapalhões, também assinada por César Sandoval. O diferencial desses quadrinhos para os quadrinhos originais dos Trapalhões era que se tratava de uma publicação ´´luxuosa``, por assim dizer. O papel era mais classudo, a arte da capa mais trabalhada nas bordas, obedecendo um padrão, mudando a cor a cada edição, e as histórias eram paródias de filmes em cartaz da época, aqueles que faziam bastante sucesso, como Edward Mãos de Tesoura, Robocop, Indiana Jones, A Hora do Pesadelo, além de seriados e personagens que faziam muito sucesso entre as crianças, como As Tartarugas Ninja, Batman, Jiraya, entre outros, tudo protagonizado pelo quarteto em sua versão mirim. Apesar da revista ter a mesma quantidade de páginas, bem fininha por sinal (com exceção do número de estréia), o roteiro era bem caprichado em se tratando de produção voltada às crianças. Como esse autor parecia estar dominado as bancas e seu espaço entre os quadrinhos nacionais, o momento não podia ser mais oportuno para o lançamento da revista em quadrinhos de seus personagens originais, A Turma do Arrepio, dessa vez pela Editora Globo. Era um projeto audacioso, levando em conta que o que costumava fazer sucesso na época, tirando os gibis do Maurício de Souza e outras raríssimas exceções, eram publicações de histórias em quadrinhos de programas infantis e de apresentadores de televisão, mas mesmo assim a turminha criada por César Sandoval fez bonito em suas vendas, provando mais uma vez que esse era seu momento de se firmar de vez no mercado de quadrinhos nacionais. A Turma do Arrepio tratava-se basicamente de uma releitura infantil de personagens de clássicos do terror, como Drácula (Draky), Frankenstein (Stein), múmia (Tuty), bruxa (Medeia) e lobisomem (Luby), com uma história bem envolvente por trás de cada um deles, sendo na verdade ´´netos`` dessas grandes figuras lendárias, cada qual com uma característica peculiar. Ainda na época percebia uma forte semelhança com a turma do Penadinho, mas logo após ler o primeiro número percebi que não se tratava de uma imitação, e sim uma publicação de personagens de temas semelhantes. Hoje em dia temos algo muito parecido, como Monster High, voltada para as meninas. Um detalhe curioso é que o mascote da turminha, mais precisamente de Draky, o morcego Belfedo, era uma criação já antiga de César Sandoval aproveitada anos mais tarde para ser personagem integrante da turminha, nada mais apropriado para um morceguinho simpático. As ações de marketing da revista eram de uma criatividade absurda, como costumava ser a publicidade de quadrinhos infantis nos anos 80/ 90.





Uma observação que fiz ainda quando estava conhecendo o gibi é que eu achava que cada historinha tinha aventura demais, isso num gibi de três histórias em uma revista bem fininha, achava que ficava demasiado cansativo. Acreditava que as histórias deviam alternar, por exemplo, como a primeira sendo uma aventura envolvente, e as seguintes histórias mais curtas, mais humoradas e menos ambiciosas, algumas de uma página apenas. Mas penso que hoje em dia esse gibi era excepcional pelo capricho oferecido em uma revistinha de poucas páginas para o gênero infantil, algo praticamente impensado para os dias de hoje.






















E seguiu-se assim por um bom tempo, com os gibis dos Trapalhões e da Turma do Arrepio publicados periodicamente nas bancas. A revistinha dos Trapalhões sofreu um forte impacto com a morte do Zacarias, mesmo assim continuou firme e forte, mantendo o personagem. Nada mais apropriado, pois estava ali uma homenagem a esse querido personagem, e mesmo que uma criança como eu na época pudesse estranhar, era só pensar que tratava-se da infância daqueles personagens, e o Zacarias estaria morto apenas na fase adulta, ou seja, muitos anos depois. Os gibis não esqueceram de estampar na capa de suas publicações o selo comemorativo de 25 anos em que o quarteto estava em atividade, e As Aventuras dos Trapalhões foi ofuscando o gibi de Os Trapalhões pouco a pouco até substituí-lo de vez. Mas não fazia diferença, pois estavam Didi, Dedé, Mussum e Zacarias sempre ali nas bancas, alegrando as crianças em suas adaptações e paródias de versões famosas de clássicos dramatúrgicos. Porém, foi perdendo sua força com a morte do Mussum em 1994, assim como as atividades do grupo, que começaram a declinar. Mas podemos dizer que enquanto durou o grupo, durou o gibi dos Trapalhões, o que torna a publicação um sucesso absoluto ao lado do quarteto humorístico, sendo sua versão oficial em impresso.


Já a Turma do Arrepio seguiu-se até 1993, com uma quantidade de números razoável para uma publicação de revista em quadrinho nacional. Mas a crise em que passávamos, no governo Collor, mercado de quadrinhos, fez a publicação ser cancelada de vez. Mas restava ali diversos produtos estampados com as imagens dos personagens, como chicletes, mochilas, comercial de animação na TV, botinas, chinelos, entre muitos outros produtos infantis. Pelo que eu lembro, em 1997 estreava na Rede Manchete o programa da Turma do Arrepio com atores interpretando os personagens, produzido pela Chroma Filmes, do Odorico Mendes, e dirigido por Arlindo Pereira e Rodolfo Silot. Com historinhas criativas e a caracterização muito bem feita de cada um dos personagens, teve uma audiência muito boa numa época em que a emissora não andava lá muito bem. Com a morte de Adolpho Bloch, fundador da Rede Manchete, e o inevitável fim da emissora, os personagens saíram de cena de vez. Turma do Arrepio teve algumas edições lançadas em Portugal, além de se tornar um sucesso no México, sendo apresentada pelo nome de Creepy Monsters. Só não entendi o nome em inglês para um país de língua espanhola. Graças ao sucesso, o gibi foi distribuído também para Panamá e outros países de mesmo idioma da América Central.




O Autor

A criação da versão infantil de Os Trapalhões não foi o primeiro trabalho do autor. Antes disso ele já trabalhou com animação, na revista Recreio, na Editora Abril com gibis de personagens da Hanna Barbera, des de assistente de arte até diretor. Passou uns tempos na Europa para trabalhar e se especializar no ramo da animação, tornando-se freelancer na produtora Vision, da Inglaterra. Voltando ao Brasil abre sua produtora de animação, a Sketch, a mesma que, entre outros trabalhos, produziu a animação da campanha publicitária do banco Econômico protagonizada pelos três Sacis, da agência soteropolitana Propeg, que você pode saber mais a respeito clicando aqui. Também é criação sua campanhas publicitárias de clássicos personagens como a menininha loirinha Claybon (nhac, nhac), que eu amava devido à sua fofura com a qual aparecia nos intervalos comerciais, o Pacheco Camisa 12 da Gillete (personagem criado para a campanha da Copa de 1982), o Dodói do comercial do Band-aid da Johnson, entre outros tantos icônicos.









Mais além dos quadrinhos


Esse autor fez parte da minha vida apenas com suas publicações em quadrinhos e um ou outro comercial que eu assisti e hoje sei que era dele, mas devemos lembrar que César é um artista versátil, e fez e ainda faz bem mais que isso. Especializado também em criação de personagens, gags (piadinhas bem curtinhas representadas visualmente), animação, arte visual e campanhas publicitárias, criou vários mascotes por encomenda para marcas e produtos, como para a linha de produtos higiênicos infantis PomPom, raspadinhas da Caixa, a versão infantil do então jogador Marcelinho Carioca para um livro infantil, o personagem Beto Carreiro para a campanha do Unibanco, embalagens de alimentícios, cartaz de filmes, produtos publicitários de telefonia,  e personagens para animações estrangeiras, tanto em 2D quanto em 3D. 
Para a Copa de 2002 realizada na Coréia e no Japão, criou a mascote Corujinha, da Torcida Coruja RBS. Devido ao fuso horário, os jogos passavam tarde de noite para nós brasileiros, por conta disso César inventou esse personagem, que nada mais é que uma ave de hábitos noturnos, que não poderia se encaixar melhor. A RBS em questão é um conglomerado de mídia que atua na rádio e na TV aberta, subsidiária da Rede Globo, com uma sede em Porto Alegre, para a qual a mascote foi apresentada, aparecendo em pequenas animações e vinhetas, mas seu sucesso se deu mesmo foi nas tirinhas publicadas no jornal Zero Hora. 



Curiosidades

- O ator e humorista Marcelo Medici estreou sua carreira artística no programa Turma do Arrepio, da
Rede Manchete,  interpretando o porteiro zumbi Epitáfio (o nome é bastante sugestivo, vocês não acham?).
- Foi lançada pela Editora Melhoramentos, em 1994, a coleção de livros da Turma do Arrepio.
- Antes de virar uma série diária na Manchete em 1997, a turminha protagonizou um especial de Dia das Crianças no SBT, um ano antes.
- A revista em quadrinhos A Turma do Arrepio teve um breve retorno às bancas em 2009, pela Editora As Américas, que na verdade era republicação das melhores histórias com uma repaginada nas cores e com algumas correções necessárias, tal como feito em Turma da Mônica, Coleção Histórica. Porém, como os tempos eram outros, teve pouca tiragem e o custo de produção aumentou significativamente, tendo sido lançadas portanto apenas 8 edições.
- O gibi do Sérgio Mallandro também foi uma criação sua e de sua produtora, assim como o marketing da linha de produtos baseada no personagem, embora César não fosse responsável por seus desenhos.
- César Sandoval não ganhou nenhum centavo com a execução do programa A Turma do Arrepio pela Rede Manchete.


É com muita alegria que sabemos que o grande César Sandoval continua presente nos dias de hoje, mesmo não produzindo quadrinhos, ao menos com sua arte, concepção de personagens, desenhos, publicidade e animação feitas para conteúdos de terceiros, podemos contar em reconhecer seus trabalhos por aí. Como já devemos saber, e segundo ele mesmo se define, é um autor produtivo, inquieto, que tem como uma de suas paixões a criação, e isso quer dizer que podemos conhecer um bom trabalho dele a qualquer momento. De repente vamos ver uma animação com seus personagens, quadrinhos online, lançamento de coleções de livros, gibis, já que vontade para ele não falta e parece longe de se aposentar. E se você ainda não o conhece, corra atrás, pesquise, tente conhecer seus produtos, ao menos um que seja. Vamos todos valorizar nossos artistas, nossos gênios, tão bem sucedidos em outros tempos, que merecem ter seu talento reconhecido para todo o sempre.