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terça-feira, 7 de agosto de 2018

O que achar das legendas explicativas dos filmes para deficientes auditivos?




Mais de uma vez vi no cinema um filme que, apesar de dublado, tinha legendas. Ok, são as conhecidas legendas explicativas para deficientes auditivos. Algumas vezes em casa também assistimos filmes assim no DVD, comparando o áudio com as legendas, que apesar de traduções bem parecidas, têm uma ou outra alteração de frase, trocas de palavras por sinônimos, e dependendo, até o conceito da frase varia, e isso torna a experiência de assistir filme desse jeito bem divertida. Mas no cinema isso fica mais bizarro que divertido, lembrando que o intuito é que os deficientes auditivos possam entender o filme, e essas legendas, desnecessariamente acabam se tornando explicativas demais. Entenda que o problema não são as legendas, e sim a maneira irritante em que ela narra coisas que estão acontecendo na cena que não precisam ser explicadas. Vamos pensar em uma história em quadrinhos, uma história onde balões, letras e onomatopeias fazem a função de palavras e sons. Nos filmes, linguagem visual mais próxima da realidade, as onomatopeias são dispensadas, porém, em uma cena de explosão, por exemplo, não precisaria de uma legenda cínica explicando ´´Som de explosão``. Nos próprios quadrinhos tem vezes em que as onomatopeias não precisam estar ali presentes, como em uma festa. O ´´Barulho de festa``, ´´sons de músicas``, ´´risadinha e cochichos animados`` são facilmente substituídos pelos próprios desenhos da cena, ou até mesmo umas claves de ré e de sol aparecendo flutuando pelo quadro. O mais irritante ainda é quando em uma cena de casal aquela maldita legenda teima em aparecer ´´Sons de sussurro``, ´´sons de gemido``, ´´sons de beijinhos``. Isso para mim destrói o clima todo da cena. Por que simplesmente os editores de legenda não se convencem de que a cena fala por si só? Duvido que não tenham entendido a cena como um todo sem ninguém para explicar. É hora de aprender a respeitar a expressão corporal dos atores que estudaram tanto para aprender a pôr em ação. 

Conclusão
Nos filmes, onde se tem uma estrutura narrativa rica e bem próxima da realidade, é mais fácil entender o que se passa sem a necessidade de didatismo. A origem dos sons já é tão bem retratada visualmente que se torna ofensivo até mesmo para os deficientes auditivos alguém explicando o que está acontecendo. Seria bom não tratar essas legendas explicativas como uma narração explicativa para deficientes visuais, essa sim precisa de um trabalho mais denso e completo. Para mim, como acredito que para muitas pessoas também, os deficientes auditivos já se bastariam só com a legenda normal.

terça-feira, 28 de novembro de 2017

Uma aula de como deve ser a interação entre criança e artista


Estive lembrando de uma peça que assisti quando tinha uns cinco anos, no Jardim 3, como era chamado o Pré 2 da época. Na peça tinha um cachorro chamado Gaspar, que nada mais era que um ator vestido com uma fantasia muito feia, a despeito do desenho de cachorro fofinho que estampava o convite da peça infantil. Só recentemente fui me lembrar que a peça se chamava O Rapto das Cebolinhas, isso depois de pesquisar o tal cachorro Gaspar, personagem que foi mais marcante para mim. Interessante é saber que a peça continua sendo apresentada por aí afora, como não podia deixar de ser, clássicos não morrem, sejam do teatro, da literatura ou do imaginário infantil, que estão sempre se reinventando. É curioso também ver que do meu tempo para cá pouca coisa evoluiu nas apresentações, a fantasia continua a mesma cafona de sempre, o que agora percebemos que dá um tremendo charme ao personagem e à história. Mas o que eu queria comentar não era nada disso. O que até hoje lembro é que na época que assisti a peça nessa excursão do colégio, um coleguinha meu que não parava de chupar balas enquanto assistia jogou uma para os atores no palco. O ator que interpretava o Gaspar, sem se deixar desconsertar com tal ação que não passou despercebida nem ao público, pegou o doce e ofereceu a um dos bandidos que estavam capturados. Uma atriz participante de cena, percebendo que também precisava improvisar tal qual seu companheiro, dizia assim para o cachorro simpático: ´´Não dá para eles não, Gaspar. Eles são bandidos``. Gaspar então acabou colocando a bala na boca pondo fim na situação, agradecendo ao menino fazendo o sinal de joinha. O menino se surpreendeu, aliás, todos que assistiam a cena acharam o improviso de tamanha grandiosidade de espírito. O menino até que gritou bem alto, erguendo o braço para mostrar o drops que tinha na mão: ´´Tem mais aqui, Gaspar!``, mas já era hora de voltar à cena, mesmo que o personagem cachorro, todo bobo, ficasse olhando a criança numa interpretação graciosa. Mas tal qual seus companheiros de cena, o ator voltava a prestar atenção no que estava escrito no roteiro, os meliantes capturados. 
No final da peça crianças se acotovelavam para abraçar Gaspar, que com boa vontade dava atenção a todas elas. É o ofício de estar em contato com o público infantil. E isso não me sai da memória até hoje, quando vemos por aí e ficamos sabendo de casos de desconstrução entre artista e público, ainda mais em se tratando de público infantil, muitas vezes situações débeis e constrangedoras, isso quando tem gente chamando de coisa pior. Vemos por aí falta de espírito, falta de humor, falta de saber lidar com o público não adulto. O espetáculo acaba sendo levado por um caminho diferente do proposto, e o mais triste ainda é imaginar que tem quem faça isso de propósito. O artista precisa saber que inserção de gestos infantis não contribuem para atrapalhar, muito pelo contrário, aumenta a interatividade entre público e artista de maneira saudável, o que seria de grande exemplo para os dias de hoje, ensinando o que é arte de verdade.

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Coleção Salve-se Quem Puder (Livro jogo)



Tá aí um livro jogo que não é nem Aventuras Fantásticas nem RPG, a coleção da Scipione, Salve-se Quem Puder, que tive a oportunidade de ler / jogar recentemente, e este volume foi A Cidade Submersa, historinha bacana que me trouxe por alguns momentos de volta à infância. Descobri essa coleção nos anos 90, mesma época em que a série Aventuras Fantásticas bombava nas livrarias, mas não teve o mesmo reconhecimento que essa série de fantasia e até os dias de hoje é pouco lembrada, o que acho muito injusto. Em comum com a série da Marques Saraiva só mesmo o fato de não se tratar de um livro tradicional, e sim um jogo interativo com uma história de pano de fundo, que nos diverte até termos a sensação de completar a missão, que no caso é terminar o livro. Em Salve-se Quem Puder não precisamos de dados, anotações, nada disso. Não há combates, você não escolhe seu caminho, você tem muita ajuda para completar a missão, é oferecido pistas, você pode seguir adiante mesmo errando ou desistindo e lendo a solução para o problema na página de respostas, não há mortes, e o público alvo são as crianças, ao contrário de Aventuras Fantásticas, onde crianças, adolescentes e adultos sentem o mesmo prazer na aventura. Aqui toda página tem uma história em quadrinho, é tudo bem desenhado e bonitinho, auto explicativo, provavelmente seu objetivo principal é fazer as crianças tomarem gosto pela leitura brincando, além de desenvolver seu raciocínio e incentivá-las a pensar mais, aprendendo a encontrar soluções. Além disso, é um ótimo passatempo para unir pais e filhos, já que um livro tão interessante desses não deve passar despercebido aos olhos dos adultos, aumentando sua interatividade com os filhos e os fazendo pensar em equipe. Enfim, é igualmente injusto comparar essa coleção com Aventuras Fantásticas, Salve-se Quem Puder tem seu próprio mérito, e afinal de contas existiram outras coleções de livros jogos que não precisam ser comparadas, como a Enrola e Desenrola, que falaremos em um outro post. Acredito que assim como eu, muita gente teve em mãos na infância ao menos um exemplar dessa coleção e sabe bem do que estou falando. Para mim é uma leitura super recomendada, não só para as crianças, como também para os adultos redescobrirem ou mesmo passarem a conhecer. Imagino ser fácil de encontrar em qualquer sebo, este exemplar de A Cidade Submersa tive a sorte de encontrar e bem baratinho, e até mesmo pelo Mercado Livre. Baixar versões em scans, pdf ou, se tiver, ler uma versão online, pode ser uma alternativa, mas nada substitui o prazer de ter um exemplar histórico desses livrinhos, que embora não carregue a alcunha de ´´livros jogos´´ eu assim os batizo. Não sei se foi relançado, e por mais que eu procure não consigo encontrar informações dos criadores, do ano de lançamento e da história da coleção, mas continuarei minha busca por outros volumes, mesmo os que já conheci na infância, e conhecer o maior número de desafios possíveis dessa coleção, entre eles desafios super fáceis, outros complexos, outros intuitivos, outros até mesmo controversos, que acaba pregando uma peça no leitor que por ventura possa ter outro ponto de vista, mas que mesmo assim o faz aprender a enxergar para os lados e entender o que lhe passa despercebido. Para entender melhor o que estou dizendo, só mesmo lendo um desses livros.