quinta-feira, 7 de novembro de 2019
sábado, 2 de novembro de 2019
ÉRAMOS SEIS NA GLOBO É UMA GRANDE DECEPÇÃO
Sempre que fazem um remake de
filme, seriado ou qualquer outra coisa de uma obra que já era boa em seu tempo,
me pergunto o que é necessário fazer, se é melhorar, dar uma outra visão,
reciclar para os padrões dos dias atuais ou conquistar novos públicos, além de
continuar lucrando em cima dela. Provavelmente é uma mistura de todos esses
fatores, e parece que nos dias atuais a audiência é menos exigente, os tempos
são outros, temos agora concentração de peixinhos dourados, e com isso o conceito
artístico é deixado de lado e o que vale mesmo é a audiência alta, o que dá
lucro, aproveitando o tempo, o espaço e o momento exato na vida desses
espectadores para enfim lhe ser apresentado. É exatamente essa a certeza que
temos com relação ao segundo remake da
novela Éramos Seis, adaptação televisiva de Rubens Ewald Filho e Sílvio de
Abreu para o romance de Maria José Dupré. É de imaginar que os problemas
comecem a partir daí, pois poderíamos esperar uma outra adaptação, por novos
autores, do mesmo romance, e não apenas mais um remake, mas, como a audiência
está sendo boa, ainda mais em se tratando do horário em que é exibida, a novela
pode sim ser considerada um sucesso, por mais que possa desapontar alguns
espectadores mais velhos. Apesar de se tratar de um romance de época o livro
não fica preso no tempo, o cotidiano de uma família tradicional que enfrenta
problemas de relacionamento, dinheiro, mudanças, conflitos e problemas sociais
funcionam para todas as épocas, sem deixar de lado questões importantes da
história de São Paulo como a revolução constitucionalista iniciada em 32, além
do comecinho da segunda guerra na qual também tivemos nossa participação,
fazendo a história se tornar ainda mais importante por seus elementos
históricos. Como admirador da obra desde a infância encontrei alguns pontos que
não me pareceram pertinentes nessa nova adaptação que aqui citarei, mas já
ciente que talvez não pudesse ser diferente, levando em conta que, se
imaginássemos a carga dramática que a versão de 94 teve, a novela se adequaria
mais à faixa das nove, não das seis, onde as novelas da Globo tendem a ser mais
amenas e divertidas. No caso, sendo a Globo essa fábrica que é, seria apenas
´´mais uma`` novela, enquanto no SBT foi ´´A`` novela.
Antes de mais nada, devemos
lembrar que o problema não são os atores. Ao menos os atores principais. Glória
Pires e Antonio Calloni sustentam bem o que deveria ser o núcleo principal.
Enquanto tem uns bons, mais ou menos, tem outros bem péssimos, mas sem dúvida
nenhuma o pior de todos é Kiko Mascarenhas, cujo núcleo familiar teve sua
importância consideravelmente reduzida nessa nova trama. Cássio Gabus Mendes
está muito bem em seu papel, assim como seu núcleo, algumas mudanças foram bem
vindas e ajustadas com competência, mas no que deveria ser o núcleo principal,
o que dá nome à trama, muito se tem a desejar. Os atores que fazem as crianças
foram muito mal escolhidos, não conseguimos enxergar nenhum talento promissor
como Caio Blat mostrava ser em sua época. O SBT desde sempre teve a tradição de
exibir novelas infantis, talvez por isso investissem tanto no elenco infantil,
dando papéis de destaque, boa direção e excelente trabalho de atores às
crianças, deixando a novela atraente para todos os públicos. Nessa nova versão
o elenco infantil é deixado em segundo plano, fica difícil torcer por eles em
sua segunda fase, já adultos, se não tivemos a menor identificação por eles. O
destaque mesmo, em sua versão televisiva, ficaria por conta do personagem
Alfredo, filho rebelde e problemático do casal principal. Wagner Santisteban
conseguiu fazer um típico garoto problemático, quase vilão, diferente da versão
atual, que chegou atrasado, em uma época onde o politicamente correto não
permite grosserias e mal criações desmedidas na televisão, por mais que esteja
presente em grande parte das famílias atuais, a começar pelo olhar sereno do
ator mirim que mais lembra o personagem Frodo, de O senhor dos Anéis, diferente
da mágoa contida que devia expressar. Tudo acabava em arrependimento, culpa e
conciliações, e dentro de um curto período de tempo, sendo que na vida real
tudo provavelmente seria diferente. As cenas das crianças brincando na rua, as
bagunças, ou são mal dirigidas ou foram totalmente podadas, não dando espaço
para se retratar a infância dos quatro meninos com as outras crianças.
Lembrando também que nessa versão as crianças são maiores, o menino caçula já
tem uns onze anos, quando na versão anterior não devia ter mais de oito. Mas,
respeitando o livro, Isabel é de fato a mais nova de todos, e para não ficar só
nas reclamações, a atriz que faz a Isabel, Maju Lima, é uma graça e a melhor
estrela mirim até então.
Contudo, o problema fica mais por
conta de sua direção e roteiro. Os demais personagens cumprem bem seu papel,
com destaque a Eduardo Sterblitch em sua primeira participação em novelas. E a
novela tem seus pontos altos, como boa direção de arte, figurino e fotografia,
como a rede Globo bem sabe fazer, assim como uma trilha sonora muito bem
escolhida e o ´´fan service`` da participação de Othon Bastos, o seu Júlio da
versão anterior, como o padre Venâncio. Mesmo assim, ela funciona mais para
quem não conhece ou não lembra direito da versão de 94, onde era tudo era bem
mais mexicano e de direção caprichada. Agora, tudo é mais dinâmico, com cenas
fáceis de serem esquecidas, sem a profundidade, sem a densidade, que um certo
seu Júlio encarava a família e seus problemas no trabalho, seus ralhos com a
prole e discussões com a esposa, dessa vez mais firme e menos submissa que
outrora. Mesmo assistindo com toda boa vontade, as cenas que me deixaram
frustrado por não terem sido devidamente aproveitadas não foram poucas,
poderiam ser mais trabalhadas para serem inesquecíveis, e isso independente da
idade da pessoa que assiste. Fica bem mais fácil comprar a versão anterior como
a mais condizente com a realidade de uma família grande. O que vemos agora é
tudo bem plastificado e artificial.
A novela já vai para a segunda
fase e ainda não encontrei nada que justificasse eu estar assistindo além de
puro nostalgismo. Continuarei dando uma chance, vai que de repente sou
surpreendido por algum ponto diferente não abordado na última versão, ou
questões a voltarem a ser discutidas em outra época além daquela, com outro
olhar, outra perspectiva. De qualquer maneira, gostando ou não, a novela vem
conquistando uma audiência boa, e na verdade isso é o que realmente importa
para a Rede Globo de televisão.
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terça-feira, 1 de outubro de 2019
quarta-feira, 11 de setembro de 2019
O QUE TORNA UM FILME ADULTO?

Até hoje não consigo entender quando falam que determinado filme de super herói ou personagem oriundo de quadrinhos e animações, é feito para o público adulto. Nós adultos também gostamos de super heróis, mas é difícil não concordar que esse gosto adquirimos ainda na infância, assistindo as animações, ganhando seus brinquedos e mais tarde, conhecendo ou não, suas histórias em quadrinhos. Além do mais, me pergunto o que de fato torna um herói ou qualquer personagem fictício ´´coisa de adulto``. Suas histórias bem elaboradas, cenas de violência, drogas, linguajar inapropriado, clima sombrio e muito sexo? Bem, em minha opinião é exatamente isso que infantiliza a produção.
Vamos lá, basta pensarmos em nossa própria vida. Conforme envelhecemos, passamos a levá-la de um jeito mais, digamos, ameno, nos tornamos mais tolerantes, deixamos de levar as coisas a ferro e fogo, aprendemos a valorizar a paz e as pequenas coisas. Se você me pega, por exemplo, um desses filmes da DC atuais, com um Bat-Man ´´emo``, dark e depressivo, vou achar das duas uma, ou ele precisava de tratamento psicológico urgentemente ou ainda não atravessou a adolescência. Em Liga da Justiça, que muita gente reclamou, encontrei um Bat-Man que devia ser, uma pessoa melhor, mais alegre, de ar jovial, talvez por ter conhecido o ´´amor`` ao lado da Mulher Maravilha, aquele tesãozinho juvenil que deixa tudo mais colorido e tanto contribui para nossa maturidade. Aliás, o filme todo estava nessa pegada, pena que ninguém soube reconhecer seu devido valor. E parece que até agora ninguém sabe o rumo exato das produções que a Warner pretende tomar.

Do outro lado temos a UCM, e paradoxalmente as produções mais tidas como ´´adultas`` são os filmes do Deadpool. Sinceramente, o personagem mais infantil de todo universo Marvel, mas isso não quer dizer que seja ruim. Se pegarmos novamente os exemplos de nossa própria vida, encontramos no longo caminho de nossa estrada pessoas infantis, imaturas, e talvez nós mesmo sejamos tal pessoa, e nos filmes essa questão não pode ser jogada fora e sim aproveitada, afinal, o alívio cômico é um ingrediente importante. E exatamente como uma pessoa imatura qualquer, Wade é desbocado, vive fazendo piadas, cheio de gracinha e um tanto ´´pervertido`` sexualmente, lembrando um adolescente. Quando adultos somos mais centrados, deixamos de lado certos instintos básicos de nossa natureza para se adequar na sociedade, pelo menos nos momentos em que estamos fora de casa.

O que acredito é que um bom filme de ficção/ fantasia deve ser interessante tanto para crianças como para adultos, abrindo bem seu leque de público. Precisa sim ter um roteiro bom, coeso, seguindo o bom senso, equilibrado com cenas de ação que todo mundo gosta independente de qualquer coisa. Bons cineastas sabem fazer isso. Enxugando o desnecessário, com maturidade e sabedoria, deixando apenas o que as pessoas querem ver. Me pergunto, ainda, se teoricamente cenas de violência se enquadram na classificação adulta, mas imagino que não. Filme de super herói sem violência não combina, se tomarmos como base os quadrinhos e as boas animação de até a primeira metade dos anos 90, pelo menos. Se não for algo como banhos de sangue, o que também acho que infantiliza o filme, é a citada questão de tirar o que é de mais, sem precisar tentar ´´chocar`` ou ``causar`` como num desespero de uma criança para chamar a atenção.
Torço para que o filme do Coringa não seja mutilado a tal ponto que descaracterize o personagem. Quem o conhece desde sempre de outras mídias está preparado para o que virá e torce para que realmente seja o mesmo personagem de sempre, longe da demagogia de certos grupos para ´´castrar`` o personagem. Talvez o filme esteja sendo lançado em uma época errada, quem sabe.
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segunda-feira, 12 de agosto de 2019
RAMBO: A FORÇA DA LIBERDADE - Viva as animações dos anos 80

Sem dúvida os desenhos antigos são melhores que os atuais, e isso não tem nada a ver com o fato de já estarmos bem velhinhos e perdendo o interesse pela coisa. É só assistir novamente, dessa vez com olhar mais crítico, os clássicos das animações dos anos 80, 90, e, dependendo, indo mais longe ainda, para percebermos o quanto as histórias, as técnicas de animação, os personagens e os roteiros são ricos. Hoje em dia, as produções todas feitas em computação gráfica, vetor, técnicas em 3D e de custo bem mais baixo, podem até ter a chance de serem produzidas em maior quantidade e de poder arriscar, mas no geral acabam sendo direcionadas em sua maioria para um público mais infantil, pastiche do pastiche, sem criatividade e sem coragem de ousar. E ainda temos aí o politicamente correto, tudo precisa ser bem fofinho e educativo, é outra geração, mais sensível e menos corajosa. E foi com imensa saudade dos desenhos antigos, desses que não se importavam em mostrar para os meninos como um macho de verdade deve se comportar e enfrentar seus problemas, que passei a rever a série animada do Rambo produzida em 86 e exibida aqui no Xou da Xuxa, ainda no finzinho dos anos 80. Já pensava em matar a saudade do clássico há um certo tempo, mas só agora, com a perspectiva de um novo filme do Rambo depois de tanto tempo que desencanamos do personagem, que me bateu enfim a iniciativa de garimpar esses episódios pela Internet afora, e o que posso dizer agora não é diferente do que já imaginava; é um desenho muito bom! Aliás, bom não, excelente, como poucos foram feitos. Do meu tempo de criança, embora lembre da animação, das festinhas de aniversário com o tema dos personagens, das brincadeiras da escola e de alguns brinquedos da coleção que vim a ter, pouca coisa me lembrava da série animada, mas também pudera, eu era muito pequeno quando o desenho estava no auge. Mas o roteiro, para uma criança, é trabalhado a tal ponto que acaba mesmo sendo mais sugestivo à uma audiência mais velha, como era costume das animações dos anos 80. Os pequenos se contentavam com as cenas de ação, que não eram poucas, como tiroteio, explosões, sequencias de perseguição de automóveis e aeronaves, inclusive muita briga e violência. Hoje em dia com certeza o desenho seria inviabilizado a se destinar ao público infantil, e por isso a animação se torna tão interessante para mim. Sem esquecer a trilha sonora, que é belíssima e emocionante.
A animação é bem fiel aos filmes que fizeram bastante sucesso na época, estando em sua primeira sequencia até aquele momento. O personagem principal podemos dizer que é a versão em desenho do próprio Stallone na pele do ex-boina verde, e na história podemos encontrar outros personagens que integraram os filmes, como o Coronel Trautman. Claro que tem alguns outros acrescentados para enriquecer o universo da história, alguns bem fantasiosos, outros amigos, aliados, e equipe de vilões bastante criativa, mas mesmo assim está de acordo com o que podia se esperar de histórias envolvendo militares, guerras e espionagem. Talvez Rambo: A Força da Liberdade fique pau a pau no quesito ´´melhor desenho de soldado dos anos 80`` com G.I Joe. Nos Estados Unidos existem outras adaptações animadas de filmes que na verdade não têm muita coisa de tão infantis, mas grande parte ficou por lá, tivemos a sorte de poder ter contato com Rambo em uma adaptação bem fiel às origens e com personagens tão criativos que nos fazem passar a gostar tanto deles quanto do herói principal, uma grande sacada dos produtores.
Teve apenas uma temporada e poucos episódios para que pudesse considerar a série animada um sucesso, mas até hoje é lembrada por muitos que viveram os anos 80 e por isso é fácil de encontrar episódios em sites de compartilhamento de vídeo. De fato, é uma série bem difícil de ser esquecida. Ainda estou no sexto episódio, e torço para que consiga encontrar todos e acompanhar até o final. Muito obrigado a quem postou!
terça-feira, 6 de agosto de 2019
HOLY GUACAMOLE! - ÁUDIO ORIGINAL DAS TARTARUGAS NINJA
Dando uma boa garimpada pela internet afora descobri o quanto é difícil encontrar a série clássica completa de As Tartarugas Ninja, tudo que consegui foram apenas 22 episódios dublados, mesmo assim o suficiente para acompanhar novamente as aventuras e ficar satisfeito. Mas por sorte, depois de algum tempo, encontrei outro site de desenhos antigos que disponibiliza 80 episódios com áudio original e legendado por fans, embora em português lusitano, mas nada que atrapalhe nossa compreensão. Eu nem sabia que a série teve tantos episódios e olha que nem foi disponibilizada completa, pois o site disponibiliza até a quarta temporada e segundo ele vai até a décima, e que podemos encontrar os episódios sem legendas dentro do próprio site, se bem que tentei encontrar só por curiosidade mesmo, mas não encontrei, esses episódios se perderam num bug do próprio servidor, mas quem disse que fez falta? Esses episódios todos que podemos assistir é mais do que um presente especial, e o melhor mesmo fica por conta do áudio ser original, nunca vi as Tartarugas falando em seu próprio idioma, acompanhar as histórias foi como redescobrir o seriado. É claro que a dublagem brasileira era ótima, deu a cada uma das Tartarugas uma característica peculiar, como uma marca registrada delas. Quando crianças vivíamos querendo imitá-las, as vozes, os bordões, o vício de linguagem, e se na época imaginássemos que a voz delas pudesse ser diferente, com certeza rejeitaríamos, acreditando que desse jeito pudesse desconstruir os personagens. Já adultos, mais abertos e entendendo a natureza da coisa, podemos assistir sem se preocupar com o choque inicial do estranhamento, afinal, tanto tempo se passou. O resultado? Bom, como disse antes, foi uma boa experiência, inclusive satisfatória. Não poderia passar mais tempo sem ver essa ´´novidade`` nessa animação tão querida da infância, sem essa curiosidade, principalmente em se tratando dos quatro heróis. As vozes muito pouco, ou quase nada lembram a da dublagem dos anos 80/ 90. Eu inclusive tive dificuldade em entender quando cada um deles falava, em determinados pontos. Leonardo não tem aquela voz irritante, todas as demais vozes são normais, nada fanhosa, nada anasalada, e a que me chamou mais atenção foi a do Michelangelo. Sempre o imaginei um personagem fofinho, bem nerd, e os bordões que costumava usar, como ´´Santa Tartaruga``, foram na verdade adaptações brasileiras para ´´Holy Guacamole`` e coisas do gênero. Meio sem sentido, mas o personagem era o mais sem noção mesmo. Também me amarrava com a maneira pela qual se referia aos outros personagens por ´´dude``. Sua voz não é tão, por assim dizer, meiguinha, achei seu sotaque parecido com o de um homem chucro de filmes de cowboy, mas eu gostei assim. As piadas todas lá, o mesmo espírito da coisa. Sempre que assisto a episódios com áudio original, tenho a impressão de que o desenho soa menos infantilizado, mas talvez seja mesmo impressão. As dublagens brasileiras nas animações são realmente boas, mas assistir ao áudio original quando assim tiver oportunidade, me parece ser uma excelente opção. É uma maneira de descobrir uma faceta oculta da animação que curtia, é um mimo que todo fan merece. Sem contar que, se tem gente que reclama de falta de disponibilização de episódios dublados, sendo que foi um abençoado só pelo privilégio de poder ver sua animação tão querida novamente, editada, legendada, tudo bonitinho, inclusive episódios que não passaram no Brasil, merece ficar só com as animações atuais que passam na televisão mesmo, pois mal agradecimento pouco é bobagem. Além do mais, essa é uma maneira de reciclar o que já nos era estimado, graças à nossa amiga de sempre internet. A internet é um universo que, entre outras coisas, nos oferece experiências e informações que não teríamos em outra época.
quarta-feira, 31 de julho de 2019
segunda-feira, 29 de julho de 2019
O REI LEÃO E A TÃO CRITICADA EXPRESSÃO FACIAL

O remake de O Rei Leão se saiu a melhor versão ´´live action`` (na verdade, também uma animação, embora mais realista) da Disney já feita até então, chegando inclusive a compensar o fiasco de Dumbo em se tratando de filmes com bichinhos cutis. Do início ao fim é tudo bem fiel à versão original de 1994, mas não é dinheiro jogado fora, pois nos apresenta uma nova ótica dos mesmos personagens, jamais imaginávamos os personagens tão fofinhos assim, assistir no cinema foi praticamente uma redescoberta do clássico. A próxima adaptação da Disney vai ser Mulan, mas não estou nada empolgado, o que eu queria ver era Bambi, ou quem sabe até mesmo O Corcunda de Notre Dame. Mas o interessante é saber que as versões atuais estão atingindo a todo tipo de público, homens, mulheres e crianças, embora talvez as crianças de hoje já não se emocionem como as que éramos ao assistir a versão de 94. Mesmo assim tem uns chatos que reclamaram do realismo do filme, desejando que os personagens fizessem caras e bocas com feições cartunescas. Realmente tem pessoas que não ficam satisfeitas com nada. E o que dizer para elas então?
Bom, a reclamação mais recorrente é que os personagens ficaram tão realistas, que botá-los falando soou um tanto quanto artificial, já que suas expressões e os movimentos da boca não acompanhavam as emoções que eram exigidas no que estava sendo dito. E que ficava lembrando uma dublagem tosca feita para um meme de bichos, desses que a gente encontra pelo Facebook. Outros diziam que o que buscavam na verdade era assistir a uma boa fábula, uma animação genuína da Disney, e não alguma coisa que lembre um programa que passa no Animal Planet (o que também é bem fofo por sinal). Mas os Zé Ruelas não entenderam que a proposta do filme é exatamente essa. O próprio diretor Jon Favreau dizia que o objetivo era se distanciar do realismo nada convincente da adaptação com atores de Mogli: o Menino Lobo, e que, afinal de contas, é tudo fantasia, pois O Rei Leão está longe de representar a realidade dos animais da savana. Vamos deixar os animais se comunicarem do jeito que mais lhe é pertinente. Quer um exemplo de falta de expressividade e de emoção facial em dublagens? Assista ao comercial da FIAT acima, esse sim bem perdidinho no vale da estranheza.

Ainda quer falar sobre falta de expressividade em momentos marcantes? Quando eu era criança lembro de ter achado o casal de dálmatas de 101 Dálmatas igualmente inexpressivos, principalmente na cena do rapto dos filhotes, onde imaginava-se que entrariam em desespero. Mas os dois cachorros permaneciam com a mesma cara despreocupada e fofinha. Bem, mas aí devemos saber que os animais eram de verdade, seria difícil provocar-lhes alterações em suas expressões, e não existe até hoje aulas de atuação para animais. Eles só precisavam ser bem adestrados, fofinhos, e mais nada. O filme andaria pelas próprias pernas se a mensagem simplesmente fosse entregue. O que os espectadores reclamões não perceberam é que a nova versão de O Rei Leão só não foi filmada com animais de verdade porque desse modo a produção seria enviável. O que importa é que tudo ficou bem encantador e próximo do real, como torcíamos para que ficasse, pois de animação mesmo a de 94 já bastava. Os que não gostaram que vão atrás das sequências, do segundo e do terceiro filme, que imagino que nem sabiam que existiam. As crianças e os adultos que já curtiram o original, sem dúvida não encontraram razão para reclamar, só mesmo os espectadores Nutella por aí.
quarta-feira, 24 de julho de 2019
Muito além do último capítulo (reflexão)
Dizem que a vida imita a arte. Acredito que seja verdade. Em se tratando de artes narrativas, é necessário que haja o mínimo de verossimilhança para nos envolver e criar uma forte conexão entre obra e espectador. Portanto, é de se imaginar que a arte primeiro imita a vida, a seu modo, para que mais tarde possamos nos espelhar nela. Só que tudo que existe tem um final, tudo que começa termina, bem como a vida de todos nós, e mentes criativas podem optar por um final feliz ou não. É de se esperar o final feliz dos romances, porém, se o final não for feliz, dá-se a um pressão de que a obra não terminou, não teve final, e que um desfecho satisfatório pode ser aguardado mais tarde. Essa seria então a dívida do autor para com seu público. Talvez um belo romance dramático amarre as pontas soltas, e com toda sua licença poética nos faça aceitar o desfecho proposto por mais doloroso que possa ser, mas sem esquecer de nos deixar uma boa lição a aprender. Mas, se analisarmos tecnicamente, nada, nem mesmo os romances, tem um final verdadeiro. Nossa vida mesmo, em constante metamorfose, não nos oferece um final feliz nem mesmo em nossa morte, pois nossa existência deixa consequências para o futuro, seja no seio familiar, seja para a sociedade. E afinal de contas, a morte não é nada feliz. No final de um filme, por exemplo, onde os protagonistas resolvem seus problemas, casam, tem filhos, enriquecem, etc, é consenso geral que o final foi feliz. Mas esse seria apenas um pequeno recorte de uma parte da vida desses heróis/personagens. A história termina, mas sua vida continua, e se olharmos por detrás dos panos temos todos os problemas que uma família teria, como brigas, separação, problemas conjugais, problemas com filhos, com dinheiro, e mais uma infinidade de questões a se seguir. Não é de se rejeitar totalmente a ideia de que o casal unido no final possa se separar mais tarde depois que a cortina do espetáculo já abaixou. Coisas que alguém possa achar que não existe ou não interessa, pois o filme acabou, o recorte da vida dos personagens que interessava não existe mais, e o mais racional a se pensar, esses personagens nunca existiram, faziam parte de uma obra de ficção de um artista. Ok, é verdade. Mas o que estou querendo dizer com isso tudo? É que, se na ficção tudo parece perfeito depois do último capítulo ou no final de um filme, na vida real, por mais que queiramos ter uma vida parecida, está longe de ficar igual. Pois não é oferecida à vida real os benefícios de um desfecho satisfatório, já que vivemos em constante transformação. Nossa vida estaria mais próxima de, digamos assim, sequencias infindáveis de obras de sucesso que se recicla a cada época.
sexta-feira, 19 de julho de 2019
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