quarta-feira, 28 de junho de 2017

Já inventaram os ``Novos Trapalhões`` antes



Recentemente tem circulado a notícia de que uma nova versão de Os Trapalhões será lançada no dia 17 de julho no canal Viva, tendo no elenco, além dos Trapalhões remanescentes originais, o filho do Mussum e o Gui Santana, ex Pânico, que para mim foram as melhores opções para integrar a recente versão do quarteto. Os outros dois, Lucas Veloso e Bruno Gissoni, ainda não consigo reconhecê-los como bons sucessores. Não creio que o quarteto merecesse um remake, afinal, em clássico não se mexe, apenas deveria ter seus quadros todos reexibidos na programação do Viva. Esse remake provavelmente veio na onda da Nova Escolinha, que acabou se tornando mais uma homenagem do que qualquer outra coisa. Se essa nova versão vai ficar legal ou não, pouco importa, o que não devemos é nos esquecer que Os Tapalhões já tiveram uma nova versão, mesmo não reconhecida, o que acredito veementemente não ser o único a pensar desse jeito. E essa versão não é nem brasileira.

Big Bang Theory acabou se tornando o quarteto cômico que supriu a ausência de Os Trapalhões na TV que sentíamos desde a infância. Seus personagens não são sucessores oficiais, mas consigo reconhecer características de todos os quatro Trapalhões em cada um deles, o que pode ser coincidência ou não. Pode até mesmo ser que os criadores do seriado americano, Chuck Lorre e Bill Prady, tenham assistido alguns quadros desse nosso humorístico e tenham sido influenciado ao criar a personalidade dos quatro nerds principais, por que não? E com a série ainda em exibição, para que assistir a esse despropositado remake, pergunto eu.

 Didi Mocó x Sheldon Cooper 

Bem ou mal, sendo amado ou detestado, é o personagem principal do quarteto. Antissocial, consegue se divertir sozinho, irritante, cheio de manias, irrita os amigos, deus e o mundo e  mesmo assim acaba tirando proveito dessas qualidades. E é impossível imaginar o seriado sem eles.
 Dedé Santana x Leonard Hofstadter 

Não é tão engraçado como os outros, muitos diriam que são personagens escadas, mas na verdade são tão importantes quanto os demais. Faz o estilo correto, pouco afeito a brincadeiras e gozações, está sempre fazendo duplinha com o personagem principal, mas acaba fazendo papel de trouxa e vítima das maluquices de seus companheiros. 

  Mussum x  Howard Wolowitz

Farrista, mulherengo e contador de histórias. Pelo menos nas primeiras temporadas Wolowitz era assim. Mesmo que não fossem necessariamente sortudos com as mulheres, os dois não perdiam a oportunidade de apreciar o material, se aproximar vez em sempre mesmo as afastando, cheios de truques na manga para tentar impressionar.
Zacarias x Rajesh Koothrappali

Tímido com as mulheres, é também o mais meigo e fofinho dos quatro. Se a princípio sua aparente fragilidade põe em dúvida sua masculinidade, ele não tarda a provar que é sim um admirador do sexo oposto, e até se dá bem de vez em quando... claro que se a moça der em cima dele primeiro, por que não tem coragem nem de iniciar uma aproximação.

E vocês, o que acham da minha teroria?


quarta-feira, 7 de junho de 2017

Melhor filme da DC desde O Cavaleiro das Trevas Ressurge



Não entendo a mania de certos críticos não estarem satisfeitos com nada. De longe Mulher Maravilha é o filme que a DC precisava ter feito há tempos. Depois deste, o segundo melhor foi Batman vs Superman, não a versão para cinema, e sim a estendida. Mulher Maravilha tem todos os componentes que um bom filme de origem de herói deve ter, desde a escolha do elenco, um roteiro funcional e cheio de ação, à muita cena de luta no final, um dos principais motivos de tanto crítico sentir-se incomodado, pois aparentemente pensavam em um filme mais cult que fugisse dos padrões de um filme estilo Marvel, mas devemos lembrar que as cenas de porrada não podiam jamais serem deixadas de lado, e que o filme não é feito apenas para quem sabe tudo dos quadrinhos, e sim é cinema pipoca, entretenimento para toda família. A DC não ia mais arriscar em fazer uma coisa diferente e amargar uma nova derrota. A única reclamação que tenho a esse filme é a falta de cena pós crédito. Além de tudo, é um filme bem diferente por se tratar de uma super heroína, e que, a bem da verdade, nunca teve um filme decente sobre super heroínas, pelo menos não nas últimas décadas. O filme tira de letra sem ser machista, sem sexualizar o gênero feminino, e sem ser feminista, apenas um filme de ação e pouca falação, mostrando que elas não ficam devendo em nada, tirando um e outro comentário sexista inevitável que mostra o quanto os homens podem ser incovenientes. Mais que isso, é um filme que trouxe várias meninas ao cinema as fazendo se interessar em produções cinematográficas de heróis, o que é bem positivo, já que antes crianças que se interessavam por filmes do tipo eram sempre meninos.

sexta-feira, 5 de maio de 2017

Kyutama dancing sofreu censura e teve parte modificada


Kyutama dancing, música de encerramento de Uchuu Sentai Kyuranger, tem uma coreografia bem interessante, e isso acaba fazendo o encerramento do sentai atual ser considerado por muitos como um dos melhores, inclusive por mim, e olha que eu não era fan de encerramento com dancinha. Isso porque, em determinado trecho, os heróis fazem gestos obscenos com toda naturalidade, mesmo em apresentações infantis, e me pergunto se os realizadores da coreografia ou são ingênuos demais para perceberem algum tipo de malícia, ou se são sem noção mesmo. Tente imaginar se fosse moda hoje em dia essas produções na TV brasileira, como as crianças receberiam essa tal inovadora dança, o que ia ter de criança zoando, fazendo nas escolas, despertando atenção de pais e mestres, provocando censura, textão na Internet e essa coisa toda. Mesmo para os padrões de nossa cultura, devemos lembrar que é um seriado feito para as crianças, e que os tempos são outros. Não à toa, a dancinha sofreu uma alteração, mostrando que tanto do outro lado do mundo como por aqui as coisas até que são parecidas. Provavelmente os pais acharam essa dança no mínimo ousada para não dizer outra coisa, e os passinhos agora já não tem mais duplo sentido. Para quem não conhece ou não tem ideia do que estou falando, assista as duas versões da coreografia, a antiga e a atual, e comprove que a substituição veio a calhar. 
Obs: Problemas com direitos autorais podem fazer os vídeos não ficarem disponíveis por muito tempo. Talvez por isso não consegui encontrar a primeira versão do encerramento do próprio seriado.

Antiga versão:



Nova versão:



Não sou um cara chato, politicamente correto ou qualquer dessas coisas, mas acontece que, nessa sociedade que vivemos, tudo é motivo para virar chacota, piada ou mesmo processo, portanto é melhor tomar cuidado com dúbias interpretações. Será que aqueles malucos que fazem sites de teorias da conspiração, Anti NOM, Illuminati, essas coisas, não descobriram essa coreografia? Prato feito para eles dizerem que estão cada vez mais implementando sexualidade em produções infantis, tudo subliminarmente, para deixar as crianças familiarizadas com pornografia e obscenidade gratuita, neste terreno que está sendo preparado pelos poderosos inescrupulosos que em breve será denominado como A Nova Ordem Mundial. ha,ha,ha,ha,ha,ha,ha,ha,ha!!!!



segunda-feira, 24 de abril de 2017

Bem melhor que o original



Vou dar o braço a torcer. Power Rangers: Ninja Steel é bem melhor que Shuriken Sentai Ninninger.
É a primeira vez que consigo achar uma adaptação da Sabam melhor que o sentai original, mas é por aí mesmo. Ninninger foi uma série horrível, e quem assistiu alguns episódios sabe bem do que estou falando. A nova série Power Rangers, exibida pela Nick EUA, foi interrompida em seu oitavo episódio, não sei exatamente porque, apenas que continuará no semestre seguinte. Dos episódios que foram exibidos até então, os dois últimos estou achando bem difícil encontrar para assistir. Mas essa temporada é muito boa, espero de coração que continue, nem parece que aproveitaram apenas o visual para criar uma série totalmente nova, tem cara mesmo de remake, e um remake melhorado. O vermelho, Brody, tem toda uma explicação para ser um cara infantil e esquisito, já que passou os últimos dez anos longe de nossa civilização terrena, além de também ter feito parte de uma família ninja. O azulzinho, Preston, é mesmo um mágico de quinta categoria que faz apresentações tosquíssimas no colégio, além dos outros personagens, todos bem carismáticos, com destaque da brasileira Chrystiane Lopes como Sarah, a Ranger Rosa. É interessante ver o robô de Brody, RedBot, ser bem parecido com o Zord que ele pilota, e outros elementos que fazem Power Ranger continuar sendo a franquia que sempre foi, como o humor ingênuo e o espírito adolescente. Micky Kanic então, está se saindo meu mentor favorito. Recomendo essa série, que nos dá a impressão que ao menos Ninninger pôde ser aproveitado para uma coisa boa. Estreará em nossa terra em junho, no Cartoon Network

O que os próximos filmes dos Power Rangers terá a oferecer?


Sou um dos que ficam na torcida para um segundo filme dos Power Ranger, que seja ainda melhor que o primeiro, o que tudo indica que vai acontecer, levando em conta o sucesso da chegada desses novos Rangers ao cinema. É claro que dessa vez queremos que seja mais objetivo, com mais ação, diferente da arrastada origem dos heróis que sofreu esse primeiro, ao menos temos a sensação de que essa obrigação já foi explorada como devia, e que enfim teremos o que mais gostamos; cenas de ação entre os Rangers e os monstros, bonecos de massa (ok, de pedregulho), a clássica fase ´´É hora de morphar``, esquadrão fixo de vilões, e que de preferência os Zords sejam reformulados, mais caprichados e com visual de brinquedo, por assim dizer, de modo que os identifiquemos como dinossauros de fato. O uniforme dos Rangers, vale também lembrar, mereciam um melhor acabamento, pois gostaríamos muito que eles representassem as criaturas pré- históricas na qual se baseavam cada um deles. No filme eles são tratados por cores, não como ´´Tiranossauro, Mastodonte``, por exemplo. Nesse primeiro filme cirurgicamente explicado, não teve grandes novidades para quem acompanhou Mighty Morphin, a primeira temporada de PR, assim como tudo que se dizia na mídia foi enfim evidenciado, Rita Repulsa realmente tinha sido o Ranger Verde que traiu os demais, inclusive Zordon, o então Ranger Vermelho, Goldar apareceu apenas como o monstro gigante feito de ouro, e Zordon é uma entidade de caráter duvidoso, beirando o individualismo, mas que no fim se mostra o ser grandiosamente respeitoso que parecia ser. Aparentemente na sequencia teremos o Tommy, o novo Ranger Verde, Rita Repulsa pode sim aparecer novamente, mas dessa vez sem tanto destaque, bem como todo um time do mal para trabalharem em equipe em seus planos malígnos, provavelmente capitaneado pelo Lord Zedd. Torceremos para que assim surjam monstros em suas versões menores dando trabalho para os Rangers só para serem detonados e aparecerem em versão gigante, tomando outro pau do grandioso Megazord, como estamos acostumados a ver. Sendo uma trilogia, a saga se encerraria com a transição do Ranger Verde para o Ranger Branco, tornando-se assim o líder da equipe, e quem sabe teremos novamente Ivan Ooze, o vilão que todos nós aprendemos a gostar? E que trabalhem melhor os personagens Trinny e Zach, mantendo as características dos personagens antigos, e escolhendo um personagem foco que tenha algo realmente interessante a acrescentar no desenvolvimento da trama, como fizeram com Billy.

quarta-feira, 1 de março de 2017

Uchuu Sentai Kyuuranger - Será que agora vai?




Acho que chegou a hora de dar minha opinião sobre o mais novo Super Sentai. Não consegui assistir Ninninger além do décimo episódio, e cheguei até o episódio 21 de Zyuohger, perdendo de vez o interesse. Este último, para sua sorte ou azar, não despertou interesse nem da Saban, que decidiu não adaptá-lo para Power Rangers. Parece que a falta de criatividade andou predominando os estúdios da Toei Company nos últimos anos, e a falta de bom senso também. Sabemos que as séries são voltadas para as crianças, mas sinto que nos anos 80/ 90 os roteiros eram bem mais interessantes. Suas produções eram infantis sim, mas um infantil levado a sério, o que vemos nos Sentais atuais é mais bizarrice e comédia do que qualquer outra coisa. Tudo bem que tivesse um ou outro Sentai assim, até para dar uma variada de vez em quando e quebrar os padrões, mas um atrás do outro chega a ser sacanagem, dá pena ver desperdiçarem uniformes legais, vilões interessantes, equipamentos bem elaborados e efeitos especiais para roteiros dos tipos atuais. Em nosso tempo Goggle Five fazia o tipo engraçado, bizarro, mas os outros que passavam não. Tinha alguns episódios toscos, como por exemplo, A Fuga de Gyodai, dos Changeman, ou aquele do Ozora cantando desafinado, ou o episódio do monstro abóbora dos Flashman, fora isso as histórias não ofendiam o intelecto das crianças, tinha começo e meio bem desenvolvidos, um final cheio de mensagens positivas, tudo de acordo com a faixa etária a quem o produto se destinava. Quem diz que produções infantis podem ser babacas está totalmente equivocado, ao meu ver. Ainda em se tratando de Tokusatsu, Lion Man tinha um roteiro caprichado, Cybercop também, Metalder, isso sem contar Winspector e Solbrain, interessantíssimos se formos levar em conta que quem os consumia eram crianças. Parece que todo mundo acha que a próxima geração precisa ser de pessoas simplórias, e isso me incomoda. Bom, voltando ao Sentai em exibição, me parece que Kyuuranger vai ao menos dar uma estabilizada no negócio, o que estava precisando, já que as últimas séries não foram vistas com olhos admiradores. Inovaram bastante ao botar logo de cara nove heróis, que vão aparecendo aos poucos, e em cores não convencionais dos Super Sentais, mesclando personagens humanos com alienígenas e robôs, ideia até interessante, mas não tão nova, já que os próprios Zyuohgers não eram todos humanos. Eu estava mesmo com saudade de ver um ranger preto, e o fato de cada um ter seu tipo físico diferente, além de variação no próprio uniforme (o do azul, por exemplo, é de feltro), me agradou bastante. A verde é uma mulher, coisa recente que ainda não acostumamos (no filme dos Ninninger, aparece uma ranger verde). Pergunto a mim mesmo qual é o critério de escolha das cores em cada série Super Sentai, já que preto é uma cor que eu não via há tempos, e nunca vi uma equipe em que tenha um ranger verde e um branco, se alguém conhece, por favor, escreva nos comentários. Só acho que a equipe podia contar com mais membros femininos, ainda só temos duas garotas, além da verde temos a rosa, que é uma robô, e aparentemente a líder do grupo. O Red aqui tem se comportado como o Red ´´mobral`` que todos nós detestamos, aquele Red engraçadinho, tonto e sem o menor merecimento em ser o líder da equipe, se bem que no terceiro episódio ele deu uma melhorada mediando a paz entre os Kyuuranger e o ranger laranja escorpião, uma aparente ameaça.

O roteiro
O roteiro segue uma linha Star War, tão em voga hoje em dia por causa dos últimos filmes, uma temática espacial, o nome dos heróis baseados nas constelações tal como em Cavaleiros do Zodíaco, o que também ficou legal, pois não temos coisas do tipo em relação aos Super Sentais. Gostei do visual, das cores, o que deu um ar ´´Star Wars em sua versão infantil``, mas condizente com o estilo. Gostei das naves, dos mechas (afinal, a Toei nunca mandou mal em relação a isso), da maneira como aparecem os monstros, dos tradicionais ´´soldados`` que tem um bom destaque, diferente dos mau aproveitados Moebas do sentai anterior, das lutas armadas, dos lasers, de cada episódio ocorrer em um planeta diferente, o que torna a série interessante para a Saban aproveitá-la para a próxima série Power Ranger depois de Ninja Steel, inclusive dizem por aí que a própria Saban se intrometeu na concepção da série, o que acredito ser uma decisão acertada, pois a Toei andou muito mal ultimamente. Até mesmo a pegada meio vídeo game não me causou tanta rejeição. Se eu tenho alguma crítica a fazer é sobre o ritmo meio corrido em que as coisas acontecem, e a pouca participação dos vilões principais e explicações a respeito de suas motivações, mas nada que não possamos relevar e esperar com boa vontade o que os próximos capítulos tem a apresentar. Tem alguma ou outra bizarrice aqui e ali, mas... Vou dar uma chance a Kyuuranger e tentar assistir até o último episódio, já está no terceiro e até agora estou gostando. Tomara que melhore ainda mais e que esse Sentai salve o espírito há tanto perdido das séries da franquia. 

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

50 Tons Mais Escuros deveria passar nas tardes do SBT


Vamos falar sobre o filme 50 Tons Mais Escuros. Antes de tudo, vamos lembrar que a proposta da série literária que o deu origem é sim inovadora. Antes dela, o que tínhamos de mais parecido com o tema a nível mundial é o clássico A História de O, da autora francesa Anne Desclos, que o escreveu sob o pseudônimo de Pauline Réage, romance erótico de sadomasoquismo lançado em 1954, rendendo diversas adaptações desde que foi traduzido para grande parte do mundo. Claro que em se tratando de 50 Tons de Cinza tudo é mais plastificado, mais moderno culturalmente, para atingir um público mais amplo sem erro de interpretação, e até mesmo quem ama falar mal está vendo todos os filmes, se bem que são mais leves que os livros. As pessoas de hoje já não se impressionam tanto pelo estético e sim pelo psicológico, o que o livro tem de melhor, mas talvez a proposta inicial da história não tenha sido bem aproveitada nem nas páginas nem nas telas, que é a relação amorosa não convencional entre pessoas de sexo diferente, de maneira saudável. Se a obra de E. L. James começou como uma fanfic de Crepúsculo, seguiu por um caminho de romance adulto doentio e bizarro, longe de ser o relacionamento sadomasoquista como as pessoas, algumas delas até acompanhando as obras, pensam. Temos um filme interessante sobre isso, Secretária (Steven Shainberg, 2002), que todo mundo que conheceu 50 Tons deve assistir. Estrelado por Maggie Gyllenhaal e James Spader, que coincidentemente (ou não)  também interpreta um tal mr Grey, Secretária é um filme de romance entre um advogado excêntrico e dominador e sua submissa secretária, moça problemática com histórico de tentativa de suicídio que precisa se reabilitar à sociedade, descobrindo-se novamente satisfeita com a vida ao mergulhar em um relacionamento de perversão e jogos de dominação propostos por seu chefe, com o qual passa a viver junto no final, tornando-se felizes para sempre. O filme comete as mesmas falhas de 50 Tons de Cinza, como veremos adiante, mas não é levado a sério, soa mais como uma comédia romântica bizarra com momentos picantes do que com qualquer outra coisa, por isso o tom é mais leve e podemos perdoar. Quanto aos filmes adaptados dos livros de E. L. James, se a princípio é difícil encontrar um tom que o identifique, veremos juntos alguns aspectos que devem ser levados em conta para que não percamos a linha de raciocínio para os filmes seguintes. Ou mesmo achar a que nunca foi encontrada, como muitas pessoas por aí que não sabiam se riam, se choravam ou se se emocionavam.
Antes de tudo, 50 Tons Mais Escuros é uma novela mexicana. Sim, tipo aquelas que passam de tarde no SBT. Pense assim que não vai ter erro de interpretação. Até o nome é cafoninha igual. Temos uma mocinha singela e indefesa que poderia perfeitamente ser chamada de Carmen Adelita, um mega empresário jovem, machão, bonitão e conquistador que podia se chamar Juan Manoel, temos uma vilã de meia idade que é até bonitona, mas muito ruim, mesmo que sua ruindade se limite a destilar veneno, cenas de acidente dramático, vilã problemática e perigosa, chefe cafajeste, vilanesco e metido a conquistador barato, cenas de ciúme, tapa na cara, bebida na cara e casamento chique e cafona como toda produção de novela da televisa tem direito. A relação sadomasoquista é um tempero adicional, como as picardias também. As cenas de sexo, salvo algumas prática excessivas e desnecessárias, não chegam a incomodar, apenas enaltece o amor caliente que jorra do casal. E é justamente nessa relação carnal dos dois que as esquisitices de Christian Grey torna-se um mal a ser combatido, que tanto atrapalha a felicidade plena do casal, pois como sabemos, sexo é muito importante na relação de um casal jovem. Ana não é a moça submissa que Christian desejava que fosse, mas o rapaz é tão bom de traquejo que acaba a fazendo concordar com algumas coisinhas aqui e ali, desde que o clima esteja gostoso e ele faça com jeitinho, sem nem precisar pedir. Mas, como o próprio tal diz, ele não é necessariamente um dominador. O rapaz teve problemas com a mãe usuária de drogas e o pai agressivo, muitas vezes a mãe acabava queimando seu peito e sua barriga com cigarro quando o carregava no colo quando bebê, suas queimaduras não o deixam esquecer disso, tornando-se o limite para os toques, os beijos e carícias de Ana, devidamente demarcadas com batom. Na verdade ele é um sádico, como em suas próprias palavras, e seu prazer em humilhar, infringir dor e sofrimento nas mulheres é para ´´se sentir vingado de todas as mulheres que lhe lembram sua mãe``. Como podemos ver, a pimentinha sadomasoquista que podia ser usada para dar um up grade na relação de qualquer casal, desde que bem empregada, na verdade é um distúrbio, uma patologia, um problema psicológico, e isso ajuda a gerar uma certa intolerância sexual e preconceito quanto a quem gosta desse tipo de prática. Se você quer um estudo acerca do relacionamento BDSM (Bondage, dominação, sadismo e masoquismo) passe longe da série, senão você vai passar raiva. Esse estilo de vida e sexualidade é simplesmente tratado como um comportamento doentio que tanto atrapalha a vida de uma pessoa e tem de ser corrigido imediatamente, seja com tratamento psicológico ou mesmo religião.
Aceite estereótipos e lugares comum. Alguém sempre vai se submeter aos jogos de dor e dominação de Christian, seja uma garota qualquer, ou seja a própria Ana. Por que? Ora, o cara é O CARA. Rico, jovem, bem sucedido, bem arrumado, boa pinta, etc e tal. Do contrário, quem se sujeitaria às humilhações que o homem propõem? O livro ensina que (a culpa é sempre do livro) para ser um dominador você tem que ser o bambambam apessoado, e que qualquer um jamais pode ser um dominador. Fica surreal, a maioria dos homens não é igual o Christian Grey, fazer brincadeiras de dominação passa a se tornar um desejo bem difícil de se realizar. Aquele tal quarto de jogos, mais conhecido como Quarto Vermelho da Dor é um requinte sem tamanho, que passa longe da realidade. Por mais endinheirado que o homem fosse e por mais fan que fosse de sadomasoquismo, teria um ou outro objeto para usar em suas brincadeiras, não aquilo tudo. Fica parecendo que na verdade esse Christian Grey é um garoto de programa. Ou então, sonha ser dono de motel. Aposto que tem coisa ali que ele nem lembraria de usar. Uma coisa que fico pensando é em como seria se a Ana Steele dominasse Grey, será que teria história para contar? Ah, não dá, né? A história tem seu público alvo feminino e todos nós sabemos como nossa sociedade é machista. Além disso, eles são de posições diferentes, e isso implicaria na aceitação da história. Mas tem uma ceninha aqui e ali em que ele parece perder a identidade e decidido a aceitar se manterem em posição de igualdade para um bem em comum, o amor que existe entre os dois. É por essas e outras que percebo que ainda não foi dessa vez que conseguiram abordar o tema de relação sadomasoquista corretamente, por mais que o filme se mantenha único pela falta de medo do ridículo e da falta de senso comum. Insisto em acreditar que esse filme pode perfeitamente ser adaptado para uma novela da Iris Abravanel, só que sem as cenas mais picantes, que não haveria prejuízo nenhum.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Power Rangers vs Space Squad - Gavan vs Dekaranger

Qual será o melhor filme tokusatsu desse ano?




2017 continua prometendo bons filmes, mas não vamos falar de Homem Aranha nem de Guardiões da Galáxia. Quem curte tokusatsu vai ter a chance de assistir no cinema a reformulação dos Power Rangers, que acredito que será muito bem recebida mesmo com tantos hatters conquistados por anos e anos, e um filme épico que terá curta exibição no cinema, centrado mais para o lançamento de DVD e BD, Space Squad - Gavan vs Dekaranger, infelizmente restrito apenas ao Japão, mas com certeza logo vai estar sendo disponibilizado por uma fansub. E o que esse filme tem de tão especial? Além do embate entre os policiais espaciais Dekaranger e Gavan, o primeiro um sentai de 2004 e o segundo o primeiro herói metal hero a ser lançado, além do Gavan Type G, sua versão mais moderna, que mesmo não sendo um recurso tão inovador nos filmes da Toei Company, também marca a presença do vilão MacGaren, antagonista do Jaspion, em sua primeira aparição após o fim do seriado, em 1986. Tudo indica que ele será a principal ameaça em Space Squad, aparece todo pomposo no trailer, que ainda nos dá indícios de que seu pai Satan Goss também fará uma participação. Isso sem contar que o próprio Jaspion vai aparecer, o que já foi confirmado, mas acreditamos que apenas em sua armadura metaltex, já que o ator que fazia o herói em sua forma cívil, Hikaru Kurosaki, a anos se afastou dos holofotes. Quanto a duração de sua participação, ainda ninguém sabe. Além dos já citados, a Toei ressuscitou mais um personagem, a Benikiba, inimiga do ninja Jiraiya, que ao contrário de MacGaren, não foi morta no final da série. No entanto, é interpretada por uma atriz mais moça e seu visual foi remodelado. Ainda me pergunto qual vai ser sua história na trama, sendo ela de universo tão diferente. A tokunet pelo mundo afora vive numa rixa nessa de querer saber qual filme vai ser melhor, se Space Squad ou Power Rangers. Minha experiência com os Power Rangers ficou mesmo só na infância / adolescência, mas aceito que esse filme possa ter potencial para agradar pessoas de diferentes idades e honre o bom e velho nome dos seriados super sentai. Claro que posso me enganar, mas a produção me parece esforçada para isso. Mesmo assim, assistindo aos trailers me vejo torcendo mais para o conjunto da obra de Space Squad. 



Girls in Trouble 

Como complemento ao Space Squad teremos um filme inteiramente feminino, Girls in Trouble - Space Squad Episode Zero, contando apenas com as garotas de Dekaranger, Gavan Type e mais algumas de outras produções recentes, funcionando mais ou menos como um filme bônus, que antecede o filme original. Parece que o cenário é um só, o enredo é simples, mais mostrando que as mulheres também podem conquistar seu espaço, sem deixar de aproveitar para fazer os rapazes babarem. Imagino que o resultado seja um mix bizarro e divertido. Neste, também marca presença a personagem Herbaira, de Spielvan, a porção vilanesca de Helen, irmã de Kenji Sony. os saudosistas piram.



terça-feira, 30 de agosto de 2016

Don't Hug Me .I'm Scared : Animação bizarra para adultos infantis


Não é só crianças que gostam de coisas fofinhas e muitos adultos tem vergonha de admitir
isso, principalmente os do sexo masculino. Existem por aí excelentes clássicos da animação que atraem tanto crianças quanto adultos, como por exemplo Uma Cilada para Roger Rabbit, que até hoje aguardamos uma sequencia, e o primeiro Shrek (os que vieram depois perderam e muito o conteúdo), e há também aquelas animações que enganam, seja por sarcasmo ou mesmo pela estética, que num primeiro momento não encontramos elementos que a identifiquem como animação adulta, como é o caso de Don't Hug Me .I'm Scared, referida nesse post. Trata-se de uma websérie composta por seis episódios, iniciada em 2011 por Joe Pelling e Rebecca Sloan, artistas ingleses que entre seus trabalhos incluem videoclipes, artes plásticas, animações e experimentalismo, que você pode conferir nesse site http://beckyandjoes.com/ . Para trabalhar a animação o casal faz uso de elastano, plástico, madeira, massa de modelar, metal, marionetes, espuma, stop motion e CGI, entre outros recursos e materiais, e devido a seu custo dispendioso e retorno inicialmente nulo, a dupla fez campanha de financiamento coletivo através do site Kickstarter e com a verba arrecadada produziram novos episódios, por isso o intervalo tão grande entre um episódio e outro. Ao que tudo indica, o sexto episódio, lançado no dia dos pais, é o episódio final, encerrando de vez seu ciclo na emblemática data 19/06/1955, tão significativa para a série, que falaremos adiante.




A série é protagonizada por três bonecos de marionete bem no estilo Vila Sésamo e os Muppets, são eles Yellow Guy, Red Guy e Duck Guy. Cada episódio é temático e apresenta um personagem diferente que canta a canção da vez, como a caderneta Sketchbook, o relógio falante Tony, a borboleta Shrignold, o ´´Super Computador`` Colin, o ídolo Malcom, ´´o Rei do amor``, e entre tantos eventuais personagens passamos a conhecer o pai de Yellow Guy, um tipo sombrio, misterioso, identificado pelo nome de Roy. As musiquinhas são contagiantes, dá vontade de cantar junto, não ficam devendo nada às canções de programas matutinos infantis, com o diferencial de ser educativo de tal maneira que faz até os adultos repensarem o conceito da vida e do universo, os deixando sentindo-se como uma criança aprendendo as letras, os números e as cores. O perigo maior é um adulto desinformado apresentar o show aos pequenos, confundindo a turminha de DHMIS com algo do tipo Peppa Pig (que aliás, faz muito desserviço para as crianças), já que as questões educativas da animação conterrânea é mais profunda e afiada. E é claro, se você é um nerd adepto de teorias conspiratórias Monarca, projeto Harpia e o escambau, é bem provável que acabe encontrando significados distorcidos dessa bizarra animação. Mas para todos os efeitos cada episódio tem sim uma lição a ser aprendida, como veremos a seguir. 



EPISÓDIO 1. TEMA: CRIATIVIDADE.

Os três amigos estão sentados à mesa do café da manhã. O calendário marca o dia 19 de junho. Curiosamente até o sexto episódio o calendário não sai desse dia, o que nos faz pensar em duas possibilidades; ou todos os episódios ocorrem em um único dia, ou os três amigos esqueceram de arrancar a folha. Não pode simplesmente ser um detalhe sem importância, pois a série tem inúmeros easter eggs espalhados cuidadosamente em cada episódio. Nesse episódio de estreia Sketchbook ensina aos garotos o quão é importante uma imaginação fértil e saudável na vida da gente, estimulando-os à atividades educativas. Alguns detalhes chamam atenção e dão margem a várias interpretações, como quando ele diz que ´´Verde não é uma cor criativa`` ou quando derrama tinta preta na pintura que Yellow Guy fazia de um palhaço, o advertindo a ir ´´mais devagar``. Recomendo que assista a todos os episódios, pois não é minha intenção spoilar ou estragar surpresa. Enfim, conforme a canção vai chegando ao final o ritmo torna-se mais frenético, os três amigos ficam mais agitados e as imagens que começam a aparecer nos fazem finalmente entender, se não tínhamos percebido antes, que a animação não é para crianças. E ainda fica a mensagem: tenha imaginação, mas dê a ela limite, saiba controlá-la. Em tudo, tudinho mesmo, simplesmente não podemos pensar.



EPISÓDIO 2. TEMA: O TEMPO

Este episódio, feito mais de dois anos depois do primeiro, enfim deu uma cara de seriado à essa macabra animação. É o episódio em que o relógio falante Tony tem sua chance de brilhar e protagoniza uma canção na qual divaga sobre o tempo e a finitude de cada um de nós. Marca também a estréia de Roy. Considero este o episódio mais cruel para os ´´adultos que não querem crescer``, jogando mais uma pá de terra no aparente tom infantil atribuído inicialmente à série.



EPISÓDIO 3. TEMA: AMOR

Apesar de logo no início ser mostrado um piquenic insalubre e provocar ânsia em estômagos mais sensíveis, considero este o episódio mais fofinho. O personagem foco dessa vez é Yellow Guy, e talvez o intuito dos criadores foi nos fazer sentir-se em sua pele, nos empurrando para uma identificação pela revolta com que certas pessoas tratam criaturas puras e inofensivas, simplesmente porque a sociedade se comporta de tal maneira. E quando eu digo que é o episódio mais fofo, não é sem razão. A canção, interpretada por uma sugestiva borboleta, é a mais bonita, mais longa e provavelmente a mais trabalhada de toda série. Yellow Guy é levado para um singelo passeio além do arco-íris, encontrando todo tipo de bichinhos fofos e criaturas cutes que existem, além de, logicamente, elementos simbólicos e easter eggs que descobrimos a cada vez que revemos o episódio. Marca também a primeira participação do ídolo Malcom, o Rei do Amor.



EPISÓDIO 4. TEMA: TECNOLOGIA

Os três amigos estão se divertindo jogando um jogo analógico, mesmo assim a ´´toda poderosa tecnologia`` quer nos provar a todo custo que ela é quem merece atenção e que é a resposta para tudo, superior ao que o globo terrestre Gilbert possa apresentar em relação ao mundo. Não é preciso pensar muito para entender que a participação do computador Colin e sua canção explicativa é na verdade uma crítica a esse mundinho virtual que todos nós estamos acostumados a viver conectados, de tão entranhada que essa cultura está em nossa mente. Se os episódios ocorrem todos no mesmo dia, este se passaria no avançar da tarde, entre o almoço e o jantar. Apesar de que, em muitos momentos, é deixado claro que tudo não passa de um mero espetáculo de marionete, a ficção se confunde com a realidade e Red Guy, teoricamente o personagem mais velho, não se deixa levar pela automatização de seus companheiros. Mas como podemos imaginar, se você está sozinho não consegue parar a dança. Ou enlouquece ou é varrido da sociedade.



EPISÓDIO 5. TEMA: ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL

Realmente o seriado não foge à regra quando o assunto é teatro de marionete, títeres, fantoches, fantasias ou bonecos automatizados. Tanto para o público infantil quanto para o adulto, a forma é a mesma. Como um espetáculo teatral que faz uso da quebra da quarta parede. Devido a tantas alegorias, não levamos a sério a morte de Red Guy no episódio anterior. Dessa vez o episódio começa com apenas Yellow Guy e Duck Guy sentados à mesa, mas nada se diz relacionado à morte do terceiro companheiro. Porém, imagens rapidamente projetadas na geladeira deixam o espectador refletindo a respeito disso, claro que em muitos casos é preciso assistir mais de uma vez para poder captar essas mensagens. O episódio fala da nossa alimentação do dia dia, muitas vezes calórica, pouco saudável, o paladar e a praticidade sobrepondo-se aos alimentos naturais que nos fazem tanto bem. O ´´personagem convidado da vez`` é uma costeleta de carneiro gigante, simpática e cheia de vísceras, juntamente com Bread Boy e alguns enlatados ´´antropofágicos``, que cantam a música tema. Será que temos realmente ideia do que estamos comendo, sendo que, na maioria das vezes, seguimos um padrão cultural em nossa dieta? Será mesmo natural comermos determinados tipos de animais enquanto temos alguns em nossas casas que são nossos maiores companheiros?



EPISÓDIO 6. TEMA: SONHOS

Episódio derradeiro da série. Sim, parece que realmente Red Guy e Ducky Guy se foram, deixando Yellow Guy sozinho e desolado. Não gostei do tom melancólico e pessimista do início do episódio, mas enfim, já é noite, hora de dormir, e um novo personagem aparece, o Abajur cantante, falando sobre os sonhos, e Yellow Guy, de saco cheio de tudo isso, é obrigado a embarcar nessa viagem louca e inevitável, como de praxe. Eis que de repente, quem aparece? Red Guy, trabalhando em um emprego normal levando uma vida normalzinha, numa cidade de seres de sua espécie. Ele até se apresenta em uma casa noturna cantando a música tema do primeiro episódio, mas ninguém acha muita graça e o coitado é vaiado. Além de Red Guy, outro personagem icônico reaparece, Roy, o pai esquisito do Yellow Guy. Red Guy descobre uma máquina que, ao que parece, fabrica sonhos, e passa um tempinho brincando com ela. Referências aleatórias aos episódios anteriores surgem deliberadamente ao longo da cena. Roy demonstra não estar gostando nada da intromissão de Red e tenta fazê-lo parar até que, sendo parte de um sonho ou não, a máquina traz os três companheiros juntos novamente, dessa vez em cores trocadas (as cores preferidas de cada um, como mostrado no primeiro episódio), em um novo dia; não é mais 19/06 e sim 20/06, e Sketchbook ganha vida novamente, prestes a iniciar a musiquinha da imaginação do primeiro episódio, reiniciando a rotina dos três. Final até então otimista, mas o episódio é nonsense demais e me recuso a aceitá-lo como episódio final. Seria Roy um vilão? Definitivamente queremos mais DHMIS.

DHMIS é ima websérie independente, feita exclusivamente para sites de vídeos, como Youtube e Vimeo, seus vídeos estão cada vez mais viralizados e conquistando uma enorme gama de fans, e todo esse mérito a torna ainda mais importante. Se tiver a merecida chance de crescer, com certeza teríamos mais episódios, temporadas, longas para cinema, DVD´s e exibição em TV por assinatura, mas des de já torceremos para que não ´´suavizem`` os elementos que fazem a série ser o que é. E principalmente, que não a tornem um show infantil. Que continue na Internet pelo menos, mas que tenha vida longa e próspera, que consiga patrocínios, quem sabe numa Web TV, com dublagens em outros idiomas e tudo o mais. O mais importante para decolar a série tem de sobra; diferencial e criatividade.



sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Mickey Mouse quase foi um coelho




Que Mickey Mouse é o mascote mais famoso da Disney, ninguém tem a menor dúvida. Mas o que pouca gente sabe é que seu posto por pouco foi ocupado por outro roedor. Isso significa que, no lugar do camundongo, quase teríamos um coelho como mascote de uma das maiores companhias multinacionais do entretenimento. Em 1927 Walt Disney criou, juntamente com o desenhista norte-americano Ub Uwerks, Oswald, o Coelho Sortudo, personagem baseado na cultura de que o pé do coelho oferece sorte ao seu portador. Carismático, inovador e de traços que mais tarde seriam reconhecidos pelo mundo inteiro até os dias de hoje, Oswald foi um sucesso absoluto em curtas de animação e em histórias em quadrinhos, concorrendo diretamente com Gato Félix, outro clássico personagem. Infelizmente seu sucesso não durou muito tempo e já no ano seguinte a Walt Disney Company perdeu os direitos do personagem por problemas contratuais para a Universal, estúdio que produzia e distribuía suas animações. O coelho Oswald passou então às mãos de Walter Lantz, criador do Pica Pau, que deu uma repaginada ao personagem, chegando até mesmo a descaracterizá-lo, dando um visual próximo a um fofinho coelho da páscoa, o que não caiu nada bem a ele. 



O personagem seguiu fazendo sucesso nos cinemas até 1943, quando começava a cair no ostracismo. Mas parece que Walt Disney não teve muito tempo para chorar pelo personagem, pois logo a seguir criou o Mickey Mouse com seu parceiro de sempre Ub Uwerks, com os mesmos traços, personagem que alcançaria fama mundial de enormes proporções que permaneceria até os dias atuais. 
Em 2006 finalmente a Disney readquire os direitos de Oswald, e o coelho sortudo ganha a chance de brilhar novamente na casa em que foi criado com o lançamento de Disney Treasure, coleção de DVD´s que trazem animações com o personagem. Porém, o que mais marcou a sua volta foi a participação como vilão no jogo Epic Mickey, lançado para Nintendo Wii em 2010, o que coincidentemente também marcou a volta de Mickey para o mundo dos games. Epic Mickey é o jogo mais obscuro dos personagens Disney, onde o camundongo vai parar num mundo de realidade alternativa chamado Wasteland, encontrando criações injustiçadas e esquecidas do próprio mundo Disney, entre elas seu velho inimigo João Bafo-de-Onça, o cavalo Horácio e a vaca Clarabela. Com justiça, o coelho Oswald é a criação principal que lidera todos esses inimigos, na companhia da gata Hortência, sua namorada (!) e seu exército de coelhinhos, todos eles filhos do casal. Mickey os combate armado de nanquim preto e removedor de tinta. No final acaba tudo bem entre Mickey e Oswald, e ambos percebem que são mais próximos do que poderiam imaginar. Afinal, o camundongo é, basicamente, um subproduto do coelho sortudo, que seguiu seu caminho e conseguiu a fama mundial que talvez fosse sua se continuasse nas mãos certas. Quem sabe se, em uma realidade alternativa, Mickey nunca tivesse sido inventado e em seu lugar teríamos o tão injustiçado Oswald? Prefiro imaginar os dois personagens protagonizando aventuras divertidas juntos, e que Oswald se torne reconhecido aos quatro cantos do mundo como um genuíno personagem Disney. Afinal, antes tarde do que nunca.