terça-feira, 29 de maio de 2018

X- Men Animação Clássica




Insisto em acreditar que os desenhos dos anos 80 e 90 são melhores que os de hoje. Não importa os acertos, as tentativas, as opiniões divididas entre uma adaptação clássica e uma criação original, o que defendo é que, independente de ser o público alvo, as animações antigas superam as recentes. Lembro da metade dos anos 90, onde a preferência dos garotos da época era disputada entre Os Cavaleiros do Zodíaco, X-men, e um pouquinho depois, Power Rangers (Mighty Morphin). Nesse período passava entre eles, um tanto despercebido, o desenho Os Poderosos, na TV Colosso, que eu gostava bastante e em minha humilde opinião não ficava devendo em nada para esses já citados, mas eu preferia ficar calado para não sofrer ´´hate``. Mas acontece que, se antes eu conhecia X-Men dos quadrinhos, foi com a animação que começou minha admiração pelos mutantes até os dias de hoje. Se não me engano começou a passar no Brasil no comecinho de 1994, e realmente para época era um dos melhores desenhos a passar na televisão, era o último a ser exibido na programação infantil da Globo, na hora do almoço, justamente o momento em que se registrava maiores indicies de audiência, a hora em que as crianças se preparavam para ir à escola (no caso, as que estudavam de tarde, público para o qual a programação era direcionada). Os personagens agora se encontravam em novos uniformes, todos reformulados, diferente da maneira como apareciam nos quadrinhos, com destaque especial a Ciclope, Wolverine, Vampira, Gambit, Fera, Jean Grey, Tempestade, e um protagonismo optativo dado à Jubileu, uma pré adolescente, provavelmente para trazer mais identificação ao público infanto juvenil que viria a acompanhar os episódios, inserindo-os na descoberta desse novo universo de pessoas diferentes que a aguardavam, já que muito provavelmente nem todo leitor dos quadrinhos iria ser conquistado por essa versão animada dos X-Men, que precisaria ter uma linguagem mais infantil e mais universal. A animação seria apresentada à uma nova audiência, aquela que nem tinha o hábito da leitura, ainda mais se lembrarmos que os tempos eram diferentes e as crianças não conheciam nada de redes sociais, sites, blogs e comunicação à distância. Falando nisso, foi assistindo esse desenho que aprendi a pronunciar corretamente o nome Ciclope, que, acredito eu, foi a melhor versão desse personagem. Scott Summers foi o protagonista que as outras mídias precisariam ter, até hoje não o vi em uma adaptação decente nos cinemas, por mais que tivessem tentado nessa última vez. Forte, viril, bom líder, galante e em nada devendo a Logan, que também foi aqui bem retratado, talvez começando desde já a conquistar seu lugar na preferência de muita gente quando se pergunta qual seu herói/ X-Men favorito. Insisto a pensar que só existe os filmes de heróis por que as animações deram seu ponto de partida, não os quadrinhos, ao menos os primeiros a iniciar as sequencias que viriam depois. As versões televisivas foram as que apresentaram os heróis ao mundo, pois todos assistem televisão, crianças assistem televisão, e não necessariamente todo mundo tem o hábito de ler, mesmo hoje em dia, o que não deixa de ser uma pena. É possível conhecer toda a história, os personagens e a mitologia que cercam os heróis sem ter tocado em um gibi sequer, e ainda se tornar fan de um determinado personagem, debater, discutir, e reclamar caso seja escalado outro ator para interpretá-lo, escanteando o qual conhecemos sob a pele do personagem que aprendemos a amar. Mesmo assim a venda dos gibis dos mutantes aumentou bastante com o sucesso da animação, trazendo inclusive às bancas X-Men Adventure, série adaptada dos episódios da animação, e um álbum de figurinha da série de TV, que não vi fazer muito sucesso onde eu morava, tendo sido ofuscado pela coleção das figurinhas dos Cavaleiros do Zodíaco. Como podemos perceber, os impressos faziam sucesso de uma maneira que as crianças de hoje não conseguiriam imaginar. Com relação ao sucesso do desenho também se tornou fácil encontrar o jogo de Super Nintendo X-Men - Mutant Apocalypse, onde se podia jogar com Ciclope, Fera, Wolverine, Gambit e Psylocke, curiosamente a única representante do gênero feminino, que sequer fazia parte da equipe original da animação. Esse foi o primeiro dos muitos jogos, de vários consoles, que veio nesse embalo.

A animação



A animação tinha uma pegada bem anos 80, e digo de uma maneira positiva, pelos bons traços, roteiro bem trabalhado e personagens bem construídos, mas foi produzida entre 1992 a 1997, num total de 5 temporadas. A Rede Globo nem se atrasou tanto em trazer a animação para nossa terra, e o sucesso foi praticamente instantâneo. Pena que a belíssima abertura foi cortada para poupar tempo de exibição, restando apenas a ´´colisão`` entre heróis e vilões que, afinal de contas, acabou se tornando uma abertura antológica. A mansão do professor Xavier se mantém bem equipada e sofisticada, porém, sem a cara de uma ´´escola de alunos super dotados`` que precisaria ser seu disfarce. Para não duvidar do intelecto das crianças e de qualquer outra pessoa que assistisse a animação, não existia mais ninguém na mansão além dos tradicionais X-Men. Esqueça isso de aulas, alunos e professores, a Mansão X apenas abrigava mutantes heróis que se reuniam para discutir seus planos, treinarem seus poderes e habilidades, e ter um teto para viver, tudo sob a tutela de Charles Xavier. Em um determinado episódio a mansão é toda destruída e refeita por eles mesmos, voltando a funcionar em tempo recorde, com todos equipamentos que nela contêm. Outros personagens importantes esbarravam com nossos heróis em alguns episódios, como Colossus, Noturno (que por alguma razão teve seu nome alterado para Morcego), a Tropa Alfa, Anjo, Cable, Blob, Homem de Gelo, Psylocke, Moira, Pyro, Mercúrio, Morlocks, Feiticeira Escarlate, Bishop, Banshee, Ka-Zar, Mística, Sauron, Cristal, Solaris, Capitão América, Samurai de Prata, Senador Kelly, Mojo e Longshot, entre muitos outros. Alguns achei que foram bem utilizados, outros não, mas devemos saber que são muitos personagens e é difícil encontrar lugar para todos eles. Além dessas participações, um ou outro personagem do universo Marvel aparece em forma de lembrança, flash, frame ou plano detalhe, sendo de certa forma homenageados, como aconteceu com o Motoqueiro Fantasma, Justiceiro, Deadpool e Homem aranha. 




De todos os personagens que não são os clássicos protagonistas, um que chamou bastante atenção, além da Jubileu, foi o Morfo. Com o mesmo poder da Mística, era basicamente um estranho para quem conhecia os X-Men apenas dos quadrinhos, e morreu logo no segundo episódio. Ou seja, era um personagem criado só para morrer mesmo. Segundo Wolverine, era um grande amigo seu, sempre sarcástico e divertido como o mutante canadense. Apareceu alguns episódios depois, vivinho da silva e bem revoltadinho por sinal, a princípio querendo se vingar de seus ex-colegas X-Men por o terem deixado para trás e resultando em sua morte, mas perto do fim da série ocorre uma trégua e volta a se entender com eles, não retornando à equipe por achar que ali não é mais seu lugar (e também porque não cabia mais no roteiro), apesar da insistência do Professor Xavier e Wolverine. Nos quadrinhos tem um personagem bem parecido, porém, o da versão televisiva foi apenas inspirado neste, já que não há grandes semelhanças além do poder de metamorfose. 

Contudo, há um grande estranhamento entre essa versão televisiva com as demais, detalhes, histórias e origens que entram em choque. Como por exemplo, ser difícil considerar a relação maternal entre Mística e Vampira, assim como a mesma relação que a mutante azul tem com Noturno (ou morcego, em se tratando dessa animação), dessa vez uma relação sanguínea. Fora isso, arcos de histórias foram aqui muito bem representadas, como o da Fênix / Fênix Negra, a participação da equipe Shi´ar, a história em torno da cura mutante, as viagens temporais, e as lembranças, em flashback, que a equipe mutante nem sempre foi como passamos a conhecer desde o primeiro episódio, mostrando que antes era usado um uniforme padrão, os integrantes nem sempre eram os mesmos, e Fera já teve forma humana. A linha do tempo doida e bifurcada característica de uma produção dos X-Men marcava sua presença já nessa época, com os infindáveis casamentos entre Scott e Jean e falhas de continuidade e de coerência. Às vezes parecia que o roteirista esquecia do que havia acontecido antes. Tudo bem apenas se você achar que as crianças tem memória curta e não lembram do que comeram no café da manhã do dia anterior. 

Vilões

Para ser sincero nunca achei os vilões dos X-Men tão terríveis assim. Magneto, por exemplo, me parece uma flor de pessoa. Acessível à conversas, sua motivação é coerente e seus planos nem são tão terríveis assim. Apareceu em alguns poucos episódios como vilão, em muitos como aliado, e nem impressionou tanto. O mesmo se diz sobre Juggernaut (eu prefiro chamar de Fanático, mas muita gente se refere a ele pelo nome original). Foi interessante lembrar do meio irmão de Charles Xavier e explicar sua história, o fato de ele não ser mutante e mesmo assim parecer uma grande ameaça, seu caráter, em vários episódios não importando a distância entre eles. Mesmo assim, ele não é de longe tão ameaçador como deveria. Sua primeira aparição coincide com a primeira aparição de Colossus e o conflito que se segue (a bem da justiça, o desenho é cheio de ação e luta, embora para os padrões aceitáveis da época) deixa bem claro que na verdade ele é um bobalhão de miolo mole, dependente de sua couraça. Um detalhe curioso é que em um episódio bem à frente, um Zé ninguém encontra a jóia de Cyttorak que confere os poderes de Juggernaut e se torna um pit boy irresponsável, indo parar, em conflitos com o Juggernaut verdadeiro, no set de filmagem dos Power Rangers, referência que teve origem talvez por o  seriado, que também é da Saban assim como essa animação dos X-Men, estar fazendo sucesso na mesma época. 



Dentes-de-Sabre é um personagem que não pode faltar, mas teve sua origem mal trabalhada e mal desenvolvida nessa animação. Ficou sem explicação do porquê Wolverine odiá-lo tanto, não podia nem ver o cara que já ficava de TPM. Nos episódios futuros, suas sequencias com o Wolverine, seu envolvimento nas descobertas da Arma X e a união com outros personagens, foram dando um tempero adicional ao personagem. Mas sem dúvida o maior deles foi mesmo Apocalipse, merece levar a menção honrosa de melhor vilão da série. Nem mesmo Sr Sinistro se mostrou tão terrível (lembrando que os arcos de aventura dele são chatos). Já Apocalipse em todas suas formas, seus planos, seus vilões derivados, Arcanjo, os quatro cavaleiros do apocalipse, Pestilência, Guerra, Fome e Morte, enfim, já nem deixaria mais espaço para outro personagem bicão se estivessem em todos episódios.  Tão estiloso quanto ele, mas não mais amedrontador, é o Molde-Mestre, que fabricava Sentinelas numa escala absurdamente grandiosa. 




Não sou um cara preso ao passado, acredito e torço para que futuras gerações conheçam animações de qualidade de super herói como foram as do meu tempo. Ao menos que conheçam as originais, por que não, desenho bom não fica datado. Os personagens estão sempre se reciclando, nas animações, no cinema, em adaptações live-action, só vamos esperar que não descaracterizem nossos heróis em produções preguiçosas e infantis abaixo da média. Pode ser inclusive que X-Men precise de uma nova adaptação, mas nada parecido com X-Men Evolutions. Só que na direção que caminha as produções atuais quem sabe ser comparado com X-Men Evolutions não seja mais tão ruim assim.

quarta-feira, 9 de maio de 2018

Street Fighter The Movie - O Jogo baseado no filme, baseado no jogo


Acho Street Fighter: The Movie um jogo muito bom, pena que seja tão injustiçado. A adaptação para os cinemas do jogo de luta da Capcom não foi nenhum motivo de orgulho, ao menos sua adaptação para os games salva um pouco essa infeliz experiência. Se bem que é melhor você jogar esquecendo o filme, ficando apenas com a sensação de estar jogando uma versão realista de Street Fighter II, mais necessariamente da versão Super. Eu estranhei um pouco quando joguei pela primeira vez ainda na segunda metade dos anos 90, isso na versão para Sega Saturn, mas recentemente, jogando no emulador de Ps1, percebo que esse Street não é tão diferente assim, a jogabilidade é a mesma, os comandos, os golpes especiais, é tudo feito da mesma maneira que qualquer outra versão. Inclusive os golpes são bem fáceis de se mandar. Mesmo o filme sendo ruim, a escalação dos atores não tem nada de tão errado, e Street Fighter: The Movie acaba dando um rosto para esses personagens que estávamos até então cansados de conhecer em sua versão cartunesca. E para os produtores o lançamento desse jogo veio bem a calhar, pois acaba de uma forma ou outra promovendo o filme, despertando o interesse daqueles que não se deram o trabalho de assistir, ou fazendo os gamers considerarem dar uma nova chance ao filme depois de ver que o jogo é tão bom. Mas acontece que o jogo é melhor que o filme, e o que ambos tem em comum é apenas a caracterização dos personagens, e aliás, o filme está longe de ter esses golpes todos que tem nos games. 


O Jogo

Street Fighter II era um grande sucesso dos arcades lá no início dos anos 90, quem viveu a época lembra bem disso. Chegaram muios jogos parecidos para concorrer com essa inovação dos jogos de luta, e o que mais se destacou até então, que chegou a disputar com Street a preferência desse gênero, foi Mortal Kombat, apresentando elementos que nunca houveram antes, como os fatalities e gráficos digitalizados dos personagens, lembrando bastante Pit Fighter, porém bem mais próximo dos jogos do estilo de Street Fighter mesmo. Nada mais justo para a Capcom se inspirar nesse jogo também, lançando uma versão bem parecida, com personagens digitalizados e uma pegada mais realista. Para isso se uniram à Acclaim, a mesma empresa de desenvolvimento de games que tornou MK o sucesso mundial que passamos a conhecer, eu só não imaginava que na época tinham pego umas horinhas dos atores de Street Fighter: O Filme para digitalizar suas imagens e capturar seus movimentos. Significa então que desde o início pensavam em fazer o jogo, mas eu cheguei a pensar também que apenas aproveitaram a cabeça dos atores para usarem em corpos digitalizados de dublês ou especialistas em artes marciais, já que nem sempre os figurinos dos personagens correspondem com os usados nos filmes, e também é difícil dizer se os atores saberiam interpretar certos movimentos e golpes com precisão. Mas o jogo foi feito com capricho, para nenhum fan de Street Fighter II clássico botar defeito, com fidelidade de personagens, só que numa versão realista. A história tinha que lembrar minimamente a do filme, antes de começar o jogo é exibido um tipo de trailer com as melhores cenas do filme para vender o produto, e infelizmente, já que a história não é exatamente sobre o torneio de artes marciais que conhecíamos, não tem essa de cada um lutar em sua casa, e nisso os cenários estão bem diferentes, e para falar a verdade eu não gosto deles. Tudo bem que os cenários precisam ser os que tem no filme, a cidade de Shadaloo, selvas, essas coisas, mas seria bom se lembrassem pelo menos um pouco aos que estávamos acostumados. Um ou outro eu acho bonito, mas que ficaria melhor para personagens trocados, por exemplo, o cenário da Cammy ficaria uma boa para o Ken, e o cenário do Capitão Sawada cairia como uma luva para o Blanka, se bem que achei que ficou legal o cenário dele, o laboratório onde esse monstrão verde foi criado. Mas gostei do cenário do Guile, combinou com ele, mas não podia ser diferente, sendo ele o personagem principal do filme. Eu só substituiria a base militar lá do fundo por um tradicional caça parecido com a versão do cenário clássico, mas está valendo. De todos eles, o cenário que chegou mais perto foi o do Vega (O cara da garra, que por alguma razão está sem a máscara), gostei bastante. Alguns outros cenários ficaram até bons mesmo com a falta de comprometimento com a fidelidade aos jogos originais, como o do Balrog e do Bison, mas detestei o da Chun-Li, pobrezinha, ela merecia qualquer coisa mais caprichada. Mas a trilha sonora compensa a falta de harmonia dos cenários, de fato esse jogo tem músicas muito boas, ao menos dessa versão que joguei, como toda grande produção de Ps1 deve ter. Só pecava por uns bugs quando a música terminava e reiniciava, como se o ´´técnico de som`` errasse o botão da música e logo corrigisse apertando o botão certo, quem jogar esse rom vai saber o que estou falando.


Personagens

Todos os personagens da versão Super estão presentes, com exceção de Fei Long (que não tem no filme), Thunder Hawk (que até tem no filme, mas está bem descaracterizado, e muito sem graça por sinal) e Dhalsin (que no filme é um cientista ´´nada a ver`` que não teria o menor encaixe nesse jogo).  Mas no geral, todos estão bem parecidos, salvo uma ou outra diferença. Balrog não é mais uns dos chefes finais de Bison, já que no filme ele não é um vilão da Shadaloo, apenas o cinegrafista da repórter Chun-Li Zang, e Dee Jay e Zangief passam a ser considerados os chefões finais de acordo com a história do filme. Particularmente adorei o Dee Jay, bem fiel ao Super Street Fighter II clássico, dessa vez com uma vibe mais psicótica, até mesmo por ser o vilão da vez. Se antes ele era um jamaicano sorridente, dessa vez ele continua sendo, só que agora seu sorriso dá medo. Seu cenário trocou o clima festeiro e musical por um clima mais tenso, mais soturno, além de ele continuar um ótimo lutador. Já o Zangief, tem aqueles que o consideraram mais magro e menos ameaçador, mas eu sinceramente não penso assim. Vamos esquecer do filme de uma vez por todas e pensar que essa é uma versão realista de Street Fighter, onde montanhas de músculo desproporcional não costumam existir com facilidade na vida real, e esse Zangief já é bem fortinho como uma pessoa normal que podemos conhecer por aí, em lugares como a academia, e o que é melhor, teve todos seus golpes respeitados. O Blanka também achei mais magro e menos verde que o original, mas é uma maravilha como conseguiram manter seus golpes originais com fidelidade e competência, e lembraram que, como ele era um soldado aliado de Guile, deveriam manter o calção camuflado que ele usava quando foi capturado e transformado, pequenos detalhes que fazem os gamers mais atentos ficarem pensando. Um importante personagem do filme que lembraram de acrescentar no jogo é o Capitão Sawada, outro aliado de Guile. Bom lutador, com golpes interessantes, não apareceu em mais nenhuma outra versão de Street Fighter, é difícil inclusive imaginá-lo em uma versão cartunesca, mesmo assim é lembrado por muitos gamers, até por aqueles que não gostaram nada do filme, já que sua participação no jogo o tornou um dos lutadores preferidos. Fiquei sabendo por aí que existe um código secreto de botões, e bem fácil de fazer, para liberar o personagem Akuma no menu, e pelo que vi em ação está bem caracterizado, bem realista, mas sem perder a essência selvagem e seus golpes especiais, inserido gentilmente no jogo mesmo sem sequer ter sido pensado no filme. Senti apenas um pouco da falta dos movimentos acrobáticos bem ligeiros da Chun-Li, ela me pareceu mais travada, mais comedida, porém sem deixar de ser uma boa lutadora. Talvez, por se tratar de uma versão mais realista, esses movimentos afoitos e turbinados não teria um bom cabimento aqui.


Por sorte, esse jogo foi lançado apenas para videogames de CD, com boa resolução e qualidade, portanto se distanciou bastante de MK, que, embora moderno para a época, os consoles para qual foi lançado não suportavam tanta memória e mesmo os personagens digitalizados de seus jogos ficavam com cara pixelizada. Street Fighter: The Movie tem toda um ar de filme mesmo, a trilha sonora de introdução, do menu da escolha de personagens, pena que tem o filme para comparar, e essa é a razão que muitos gamers bobos encontraram para hatear o jogo. Mas está ali, e podemos reconhecer, queridos atores como Van Damme e Raul Júlia em seu último personagem. Uma coisa interessante que percebi é que a digitalização é tão bem feitinha que podemos saber até mesmo o tipo de tecido que compõe a roupa dos personagens.
Já nos arcades, a recepção em grande parte do mundo não foi muito boa. Também pudera, sequer foi produzida pela Capcom, e definitivamente pareceram esquecer que ainda se tratava de Street Fighter. O que fizeram era um híbrido grotesco de Street Fighter com Mortal Kombat, com bem mais elemento de MK que de Street, só faltava os fatalities. Era sangue para tudo que é lado, movimentos ligeiros e péssima jogabilidade, alto grau de dificuldade, cenários chupados de MK, e uma agressividade nas lutas que é quase uma marca registrada do jogo da Midway. Só o fato de não ter Blanka nem Dee Jay, os preferidos de muita gente, já mostra que não pode ser boa coisa. Ainda empurraram um personagem novo mascarado a la Mortal Kombat, Blade, soldadinho insosso da Shadaloo. Para mim a única coisa interessante, mas não menos bizarra, é a magia em forma de dragão da Chun-Li. Por sorte, mesmo com a rejeição, foi lançada versões para consoles caseiros, dessa vez passando pela reformulação necessária, como lembrar que Street Fighter tem uma identidade própria e não precisa chupinhar outros jogos da geração. Ainda bem.


quarta-feira, 11 de abril de 2018

Megaman, um dos desenhos bons do SBT dos anos 90


Parece que só até os anos 90 foram produzidas animações de qualidade, ao menos para as TVs abertas. Se bem que hoje em dia, aqui no Brasil, não passe mais animação a não ser no SBT, que inclusive nos traz excelentes lembranças de bons desenhos. Um desses é Megaman, animação do personagem clássico dos jogos da Capcom, que a princípio demorei a me acostumar, mas logo percebi que não podia ter sido feito uma adaptação melhor para as crianças da época. 
Era em 1996 que estreava esse desenho na programação infantil das manhãs do SBT, se não me engano passava no Bom Dia e Companhia, mas eu assistia mesmo era de vez em quando no Sábado Animado. Nas primeiras vezes que assisti não gostei muito, eu era fascinado pelos jogos e achava que a animação ficava devendo em muita coisa. A começar por personagens que nunca existiram, como a Roll, irmã do Megaman, outra robô criada por Dr Light. Como bom purista que eu era e ainda sou, achei que devia manter as características originais dos jogos de videogame. Não que a personagem não fosse interessante e não se encaixasse nas histórias, pelo contrário, acredito que já que vão inventar um personagem novo, que disponibilizem mais espaço para suas ações e seu crescimento. Me incomodava bastante Dr Light falando bem mais com o Megaman, o designando para missões importantes, explicando detalhadamente seus planos para frustrar as investidas malignas de Dr Willy, deixando a pobre Roll de lado, sendo que os dois eram seus filhos e muitas vezes Roll mostrou força e poder, inclusive salvando Megaman várias vezes. Cadê as feministas que não vêem isso? Curioso também é o nome dos irmãos. Megaman é Rockman no original, mas Light o chamava carinhosamente de Rock, portanto, o nome do casal de irmãos fazia referência ao ritmo musical preferido de dr Light, ´´Rock and Roll``. Pois é, faria todo sentido se o nome do robô azul não fosse mudado para Megaman até o fim da série.  Me incomodava também a maneira como Megaman ´´roubava`` o poder dos inimigos, apenas tocando neles como faz a Vampira, dos X-Men, como se fosse um super poder mesmo, sem esforço nenhum. Nem mesmo ficar com a cor dos inimigos que ele tomava o poder ele ficava. Ora, eu imaginava, e muita gente também, que o processo em que ele tomava o poder dos inimigos fosse o seguinte; ao destruir o tal Robô Master, ele pegava dos escombros (carcaça, sucata, do robô destruído) o hardware responsável pelo conferimento de seus poderes e adquiria a arma/ poder que era conferido ao robô, tornando-se um item útil para sua jornada a partir desse ponto. Mas como adaptar isso para uma animação infantil? Ao menos podia botar o Megaman retirando o tanque canhão do braço do robô inimigo (aliás, todos os Robôs Masters deveriam ter esse tanque canhão no braço sempre que fosse conveniente) e acoplando em seu próprio braço, e prontinho. Eu ficava me perguntando por que o antagonismo fixo de Cutman e Gutsman, ambos do primeiro jogo do Megaman, estavam presentes em todos os episódios sem motivo aparente. Pelo menos o visual deles era bem caprichadinho. Fora isso, a estrutura dos episódios também não me agradou de início, eu queria era ver um Robô Master diferente por dia, que fosse uma grande ameaça, e ao ser destruído não aparecesse mais, tal como uma emulação das sensações que sentíamos ao jogar o game. Hoje, mais maduro, entendo perfeitamente que uma mídia é bem diferente da outra, e que, afinal, era uma animação infantil, e não necessariamente feita para quem conhecia os jogos. Os Robôs Masters aqui, mesmo sendo destruídos, eram recuperados em questão de segundos, e eram atrapalhados, palhações, por mais que fossem inconvenientes e conseguissem dar um pouquinho de trabalho para nossos heróis. Eu resmungava demais era pela falta de inimiguinhos que Megaman encontrava pelos estágios, como Mettall, por exemplo, que apareceu só no comecinho, e mesmo assim bem longe de como ele era de fato nos games. Mas será que haveria espaço para eles no seriado? Ao menos os robôs morceguinhos apareceram, e acabamos descobrindo algo a seu respeito; São robôs câmera (!)


Os robôs chefes apareciam aleatoriamente e numa sequencia sem muita explicação, sem respeitar suas aparições cronológicas nos games.  Enquanto uns apareciam de mais, outros apareciam de menos. E muitos sequer apareceram, como Crash Man, Flash Man, Charge Man, Bubble Man e Skull Man.
Embora produzida um ano antes (é uma produção feita por japoneses e americanos, da Ruby-Spears, a mesma que, entre outras coisas, produziu animações da Hanna-Barbera. Por isso Megaman não tem uma cara tãããão anime), estreava no SBT numa época em que animações baseadas em jogos de videogame estavam em alta. Chegou a alternar espaço na programação com Street Fighter Victory, teve uma audiência boa, e até hoje não teve mais nenhuma outra animação do robô azul que chegasse perto em termos de popularidade. O anime MegaMan NT Warrior é um desrespeito ao herói convencional, e ainda esperamos uma animação protagonizada pelo Megaman X.

Pontos positivos
Estive revisitando a série animada e percebi que hoje consigo respeitar e entender de uma maneira que não conseguia no tempo em que eu era moleque. Tem sim muita coisa legal nesse desenho para a justiça dos clássicos jogos da Nintendo. Dr Light ficou perfeito, o criador e mentor que o herói realmente precisa para seguir em frente frustrando os planos do Dr Willy, o antagonista, com aquele jeitão de cientista louco, bem fiel, até mesmo fisicamente, de sua versão em videogame. A relação entre os dois gênios da robótica assemelha-se bastante com a de Charles Xavier e Eric Lehnsherr, de X-Men. Achei muito interessante a história, a mitologia dos personagens, que não conseguíamos entender em profundidade apenas com os jogos do Nes 8 bits, a questão da inteligência artificial, a comparação com clássicos da literatura mundial como Pinóquio, os planos mirabolantes e contraditoriamente também simplórios de Dr Willy para a dominação global, e a solução encontrada por Dr Light, Megaman, Roll, Rush, e de vez em quando Eddie, para frustrá-los, os combates ingênuos entre Megaman e os Robôs Master, tudo isso me fez considerar o desenho como uma boa produção que merece ser lembrada e apresentada para a geração atual. É o tipo de animação que não morre com o tempo, até por se tratar de uma história futurista. E o que eu mais amei, Rush, o cachorro robô que é como um mascote para Megaman. Sua caracterização ficou perfeita. Se nos games ele era considerado uma mera ferramenta de auxílio para o herói azul, transformando-se em jato, mola e submarino, na animação suas transformações são ilimitadas, luta ao lado de Megaman e Roll mostrando seu real valor. Além disso, é engraçado, fofo, protagoniza momentos cômicos, e a dupla que faz com Megaman faz os dois parecerem bastante Salsicha e Scooby, ficando bem difícil renegar essa influência. Rush é também responsável pelos desfechos dos episódios, propositalmente dando uma cara ainda mais infantil e ingênua à série. Até mesmo Eddie tem aqui seu valor reconhecido, aparecendo sempre que o herói precisa de uma revitalizada em suas forças, lhe conferindo provisões de energia tal como faz nos games. Assim como Rush, Eddie é um personagem muito fofinho, bem kawaii, porém, seu protagonismo é menor.
Protoman (algumas vezes referido como Breakman), o irmão desafeto de Megaman e Roll, adotado por Willy como cria sua, também está bem caracterizado e seu antagonismo torna o enredo da série ainda mais interessante. Gostei de ele aparecer em todos os episódios como sidekick de Willy, e a questão mal resolvida de como deveria se relacionar de fato com Megaman.





A série teve uma quantidade de episódios razoável e só não teve mais por que a produção sofreu por falta de orçamento. Aqui no Brasil mesmo, fez um sucesso muito grande, gerando quadrinhos nacionais produzidos pelo estúdio PPA e publicados pela Editora Magnum, roteirizados por Sérgio Peixoto (idealizador de revistas como Japan Fury, Animax). Aqui, eles não eram muito fan do Rush e acabaram escanteando o personagem. De qualquer maneira, a história dos quadrinhos era bem diferente da animação, embora alguns personagens principais permanecessem. Lembro que dentro do gibi era feito um concurso de futuros desenhistas que trabalhariam na produção, e em geral, os desenhos não eram dos melhores. Tinha até mesmo uma pegada ´´hentai``, por assim dizer.





Megaman X
Lá para o penúltimo episódio temos um gostinho de como seria uma possível continuação, X aparece,
assim como Vile e um dos 8 chefes mais interessantes, ao menos visualmente; Spark Mandrill. Viajantes do tempo, de onde se passa as aventuras de X, a versão mais turbinada de Megaman não me agradou tanto em sua versão animada quanto na versão dos games, pois se na versão do Megaman normal ele tem um semblante adolescente, X parece já bem mais maduro e garboso, e eu esperava um tipo poderoso, mas inocente e ingênuo, como o Goku, por exemplo. Contudo, era apenas um protótipo, e ainda podemos sonhar com uma saga de qualidade com um X mais carismático, aproveitando as versões mais recentes de nosso herói do mundo dos games. Sonhar não custa nada, é só lembrar de Castelvania que teve uma excelente animação de quatro episódios (por enquanto) ano passado.



quinta-feira, 5 de abril de 2018

César Sandoval - Um Grande Mito dos Quadrinhos Nacionais


Você pode até mesmo não ligar o nome à pessoa, mas com certeza já se deparou com muitos trabalhos desse respeitado quadrinista, ilustrador, animador, diretor, produtor e design. Essa é para aqueles que continuam achando que nosso país é carente de bons artistas desse ramo, e o que é interessante, continua em atividade nos dias atuais. Nosso blog não podia deixar de fazer um post sobre ele, e começarei agora meu relato de como descobri esse querido artista nacional.
Em 1987 descobri nas bancas o gibi de Os Trapalhões, então humorístico de sucesso da época, em sua versão infantil. Como toda criança que se amarrava no quarteto da televisão, me encantei com os quadrinhos e sempre que podia trazia uma edição nova para casa cada vez que alguém me levava às bancas. Achava muito legal a maneira como os humoristas eram retratados nos gibis, lembrava bastante a turma da Mônica, de um jeito bem diferente da televisão, mas sem perder sua real essência, o seu humor, e, logicamente, era bem mais inocente e menos malicioso que sua versão televisiva. Em toda capa, abaixo da ilustração dos personagens, havia de praxe a assinatura do desenhista responsável pela arte, que já sanava minha curiosidade de quem era o responsável pela publicação; César Sandoval. Não preciso nem falar que o sucesso foi imediato e o que se seguiu foi uma enxurrada de produtos que levavam a imagem dos personagens numa ação intensiva de merchandising, como a conguinha dos Trapalhões, que vinha com uma maletinha que todo garoto era doido para ter, iogurte, alpargatas, salgadinhos Fandangos, bonecos, entre outros. César chegou inclusive a fazer umas vinhetas de animação para os filmes do quarteto.


Mais curioso ainda, os gibis eram publicados pela Editora Abril, enquanto o programa passava na Rede Globo, detentora também de uma editora que rivalizava diretamente com a Abril, isso numa época em que esta editora ainda sofria pela falta de publicação de gibis de sucesso desde que as produções de Maurício de Souza se mudaram para a concorrente. Os gibis de César Sandoval tinham sua participação de mercado para o remanejamento das publicações infantis da Editora Abril. Em 1989 chegava às bancas uma outra novidade, o gibi As Aventuras dos Trapalhões, também assinada por César Sandoval. O diferencial desses quadrinhos para os quadrinhos originais dos Trapalhões era que se tratava de uma publicação ´´luxuosa``, por assim dizer. O papel era mais classudo, a arte da capa mais trabalhada nas bordas, obedecendo um padrão, mudando a cor a cada edição, e as histórias eram paródias de filmes em cartaz da época, aqueles que faziam bastante sucesso, como Edward Mãos de Tesoura, Robocop, Indiana Jones, A Hora do Pesadelo, além de seriados e personagens que faziam muito sucesso entre as crianças, como As Tartarugas Ninja, Batman, Jiraya, entre outros, tudo protagonizado pelo quarteto em sua versão mirim. Apesar da revista ter a mesma quantidade de páginas, bem fininha por sinal (com exceção do número de estréia), o roteiro era bem caprichado em se tratando de produção voltada às crianças. Como esse autor parecia estar dominado as bancas e seu espaço entre os quadrinhos nacionais, o momento não podia ser mais oportuno para o lançamento da revista em quadrinhos de seus personagens originais, A Turma do Arrepio, dessa vez pela Editora Globo. Era um projeto audacioso, levando em conta que o que costumava fazer sucesso na época, tirando os gibis do Maurício de Souza e outras raríssimas exceções, eram publicações de histórias em quadrinhos de programas infantis e de apresentadores de televisão, mas mesmo assim a turminha criada por César Sandoval fez bonito em suas vendas, provando mais uma vez que esse era seu momento de se firmar de vez no mercado de quadrinhos nacionais. A Turma do Arrepio tratava-se basicamente de uma releitura infantil de personagens de clássicos do terror, como Drácula (Draky), Frankenstein (Stein), múmia (Tuty), bruxa (Medeia) e lobisomem (Luby), com uma história bem envolvente por trás de cada um deles, sendo na verdade ´´netos`` dessas grandes figuras lendárias, cada qual com uma característica peculiar. Ainda na época percebia uma forte semelhança com a turma do Penadinho, mas logo após ler o primeiro número percebi que não se tratava de uma imitação, e sim uma publicação de personagens de temas semelhantes. Hoje em dia temos algo muito parecido, como Monster High, voltada para as meninas. Um detalhe curioso é que o mascote da turminha, mais precisamente de Draky, o morcego Belfedo, era uma criação já antiga de César Sandoval aproveitada anos mais tarde para ser personagem integrante da turminha, nada mais apropriado para um morceguinho simpático. As ações de marketing da revista eram de uma criatividade absurda, como costumava ser a publicidade de quadrinhos infantis nos anos 80/ 90.





Uma observação que fiz ainda quando estava conhecendo o gibi é que eu achava que cada historinha tinha aventura demais, isso num gibi de três histórias em uma revista bem fininha, achava que ficava demasiado cansativo. Acreditava que as histórias deviam alternar, por exemplo, como a primeira sendo uma aventura envolvente, e as seguintes histórias mais curtas, mais humoradas e menos ambiciosas, algumas de uma página apenas. Mas penso que hoje em dia esse gibi era excepcional pelo capricho oferecido em uma revistinha de poucas páginas para o gênero infantil, algo praticamente impensado para os dias de hoje.






















E seguiu-se assim por um bom tempo, com os gibis dos Trapalhões e da Turma do Arrepio publicados periodicamente nas bancas. A revistinha dos Trapalhões sofreu um forte impacto com a morte do Zacarias, mesmo assim continuou firme e forte, mantendo o personagem. Nada mais apropriado, pois estava ali uma homenagem a esse querido personagem, e mesmo que uma criança como eu na época pudesse estranhar, era só pensar que tratava-se da infância daqueles personagens, e o Zacarias estaria morto apenas na fase adulta, ou seja, muitos anos depois. Os gibis não esqueceram de estampar na capa de suas publicações o selo comemorativo de 25 anos em que o quarteto estava em atividade, e As Aventuras dos Trapalhões foi ofuscando o gibi de Os Trapalhões pouco a pouco até substituí-lo de vez. Mas não fazia diferença, pois estavam Didi, Dedé, Mussum e Zacarias sempre ali nas bancas, alegrando as crianças em suas adaptações e paródias de versões famosas de clássicos dramatúrgicos. Porém, foi perdendo sua força com a morte do Mussum em 1994, assim como as atividades do grupo, que começaram a declinar. Mas podemos dizer que enquanto durou o grupo, durou o gibi dos Trapalhões, o que torna a publicação um sucesso absoluto ao lado do quarteto humorístico, sendo sua versão oficial em impresso.


Já a Turma do Arrepio seguiu-se até 1993, com uma quantidade de números razoável para uma publicação de revista em quadrinho nacional. Mas a crise em que passávamos, no governo Collor, mercado de quadrinhos, fez a publicação ser cancelada de vez. Mas restava ali diversos produtos estampados com as imagens dos personagens, como chicletes, mochilas, comercial de animação na TV, botinas, chinelos, entre muitos outros produtos infantis. Pelo que eu lembro, em 1997 estreava na Rede Manchete o programa da Turma do Arrepio com atores interpretando os personagens, produzido pela Chroma Filmes, do Odorico Mendes, e dirigido por Arlindo Pereira e Rodolfo Silot. Com historinhas criativas e a caracterização muito bem feita de cada um dos personagens, teve uma audiência muito boa numa época em que a emissora não andava lá muito bem. Com a morte de Adolpho Bloch, fundador da Rede Manchete, e o inevitável fim da emissora, os personagens saíram de cena de vez. Turma do Arrepio teve algumas edições lançadas em Portugal, além de se tornar um sucesso no México, sendo apresentada pelo nome de Creepy Monsters. Só não entendi o nome em inglês para um país de língua espanhola. Graças ao sucesso, o gibi foi distribuído também para Panamá e outros países de mesmo idioma da América Central.




O Autor

A criação da versão infantil de Os Trapalhões não foi o primeiro trabalho do autor. Antes disso ele já trabalhou com animação, na revista Recreio, na Editora Abril com gibis de personagens da Hanna Barbera, des de assistente de arte até diretor. Passou uns tempos na Europa para trabalhar e se especializar no ramo da animação, tornando-se freelancer na produtora Vision, da Inglaterra. Voltando ao Brasil abre sua produtora de animação, a Sketch, a mesma que, entre outros trabalhos, produziu a animação da campanha publicitária do banco Econômico protagonizada pelos três Sacis, da agência soteropolitana Propeg, que você pode saber mais a respeito clicando aqui. Também é criação sua campanhas publicitárias de clássicos personagens como a menininha loirinha Claybon (nhac, nhac), que eu amava devido à sua fofura com a qual aparecia nos intervalos comerciais, o Pacheco Camisa 12 da Gillete (personagem criado para a campanha da Copa de 1982), o Dodói do comercial do Band-aid da Johnson, entre outros tantos icônicos.









Mais além dos quadrinhos


Esse autor fez parte da minha vida apenas com suas publicações em quadrinhos e um ou outro comercial que eu assisti e hoje sei que era dele, mas devemos lembrar que César é um artista versátil, e fez e ainda faz bem mais que isso. Especializado também em criação de personagens, gags (piadinhas bem curtinhas representadas visualmente), animação, arte visual e campanhas publicitárias, criou vários mascotes por encomenda para marcas e produtos, como para a linha de produtos higiênicos infantis PomPom, raspadinhas da Caixa, a versão infantil do então jogador Marcelinho Carioca para um livro infantil, o personagem Beto Carreiro para a campanha do Unibanco, embalagens de alimentícios, cartaz de filmes, produtos publicitários de telefonia,  e personagens para animações estrangeiras, tanto em 2D quanto em 3D. 
Para a Copa de 2002 realizada na Coréia e no Japão, criou a mascote Corujinha, da Torcida Coruja RBS. Devido ao fuso horário, os jogos passavam tarde de noite para nós brasileiros, por conta disso César inventou esse personagem, que nada mais é que uma ave de hábitos noturnos, que não poderia se encaixar melhor. A RBS em questão é um conglomerado de mídia que atua na rádio e na TV aberta, subsidiária da Rede Globo, com uma sede em Porto Alegre, para a qual a mascote foi apresentada, aparecendo em pequenas animações e vinhetas, mas seu sucesso se deu mesmo foi nas tirinhas publicadas no jornal Zero Hora. 



Curiosidades

- O ator e humorista Marcelo Medici estreou sua carreira artística no programa Turma do Arrepio, da
Rede Manchete,  interpretando o porteiro zumbi Epitáfio (o nome é bastante sugestivo, vocês não acham?).
- Foi lançada pela Editora Melhoramentos, em 1994, a coleção de livros da Turma do Arrepio.
- Antes de virar uma série diária na Manchete em 1997, a turminha protagonizou um especial de Dia das Crianças no SBT, um ano antes.
- A revista em quadrinhos A Turma do Arrepio teve um breve retorno às bancas em 2009, pela Editora As Américas, que na verdade era republicação das melhores histórias com uma repaginada nas cores e com algumas correções necessárias, tal como feito em Turma da Mônica, Coleção Histórica. Porém, como os tempos eram outros, teve pouca tiragem e o custo de produção aumentou significativamente, tendo sido lançadas portanto apenas 8 edições.
- O gibi do Sérgio Mallandro também foi uma criação sua e de sua produtora, assim como o marketing da linha de produtos baseada no personagem, embora César não fosse responsável por seus desenhos.
- César Sandoval não ganhou nenhum centavo com a execução do programa A Turma do Arrepio pela Rede Manchete.


É com muita alegria que sabemos que o grande César Sandoval continua presente nos dias de hoje, mesmo não produzindo quadrinhos, ao menos com sua arte, concepção de personagens, desenhos, publicidade e animação feitas para conteúdos de terceiros, podemos contar em reconhecer seus trabalhos por aí. Como já devemos saber, e segundo ele mesmo se define, é um autor produtivo, inquieto, que tem como uma de suas paixões a criação, e isso quer dizer que podemos conhecer um bom trabalho dele a qualquer momento. De repente vamos ver uma animação com seus personagens, quadrinhos online, lançamento de coleções de livros, gibis, já que vontade para ele não falta e parece longe de se aposentar. E se você ainda não o conhece, corra atrás, pesquise, tente conhecer seus produtos, ao menos um que seja. Vamos todos valorizar nossos artistas, nossos gênios, tão bem sucedidos em outros tempos, que merecem ter seu talento reconhecido para todo o sempre.

quinta-feira, 15 de março de 2018

Mortal Kombat - Os Defensores da Terra


Quando eu era moleque passava nas manhãs da TV Record, no programa da Eliana, essa grande pérola ainda hoje pouco valorizada, Mortal Kombat - Os Defensores da Terra. Não era a primeira animação dessa franquia de games, a primeira é uma animação de 1995 de menos de uma hora de duração, que antecedia os eventos ocorridos no primeiro filme live action, embora produzido depois. Contava ainda com recursos de animação em 3D inovadores para a época. Já Mortal Kombat - Os defensores da Terra, feita um ano depois, é uma série animada de 13 episódios apenas, produzida em uma época em que o game estava bombando em sua terceira edição, mas mesmo assim não vingou. Ocorre após os eventos do filme com atores reais.  No roteiro, Outworld, império sob liderança de Shao Kahn, continua desejando dominar a terra e vive abrindo portais em diversos locais de nosso planeta, enviando exércitos malignos e hordas de monstros que conhecemos muito bem. Há quem diga que os traços de Os Defensores da Terra são muito mal feitos, mas não vejo problema, é uma produção destinada às crianças, e se o objetivo é entreter, tudo pode ser compensado com um bom roteiro. E nego acha que desenhar bonito é mole. Para não dizer que não é uma produção caprichada, tentaram levar para o desenho toda a atmosfera soturna dos games. Pois bem, nessa adaptação para os desenhos, a galera do bem de MK é bem unida e realiza missões como um autêntico grupo de super heróis. Liu Kang dessa vez, embora ainda bom mocinho, não é mais tão protagonista assim. Stryker, personagem tão desinteressante, é mais ´´protagonista`` que o Liu, mas ninguém se compara com o Rayden, O Deus do Trovão, des de sempre o mentor da equipe, mesmo que não precise fazer muita coisa além de aparecer de vez em quando, lançar uns raiozinhos bonitos e dar lição de moral. Nightwolf, um simples índio nos games, virou uma espécie de gênio da tecnologia, agindo por de trás dos computadores, dizendo para seus companheiros em qual lugar do mundo abriu um novo portal e os enviando para lá, tirando o dele da reta, lutando apenas em raríssimas vezes, o que é uma pena, pois seus poderes, como o arco e flecha de energia, é realmente bonito. Nightwolf conta também com a ajuda de seu lobo mascote Kiva, sempre presente e preparado para defender seus companheiros de equipe. Kiva não está presente nos games, mas é de praxe adaptações para as telinhas criarem um personagem novo aqui e ali (quem não lembra dos ´´Super Gêmeos ativar``, da versão animada da Hana Barbera dos Superamigos?). Mesmo de vez em quando quebrando o pau entre eles, a equipe dos ´´Mortal Kombat`` se dá muito bem e resolvem grandes problemas juntos, o que não deixa de ser engraçado, se pensarmos que nos games ninguém parece tão bonzinho assim, com aqueles golpes mortais todos. Jhonny Cage, como sabemos, morreu no comecinho do segundo longa live action, Mortal Kombat - A aniquilação, portanto não aparece nesse desenho. Pobre Jhonny Cage, mesmo o personagem não tendo tanta graça assim, mereceria uma morte bem mais interessante. Sony Blade e seu ``amigo colorido`` Jax continuam vivendo em sua relação de tapas e beijos. Kitana também marca presença, como a segunda expoente do gênero feminino da equipe, e continua fazendo par romântico com Liu Kang, mesmo aquele par romântico que vive no ´´chove e não molha``. É interessante o cuidado de lembrar dos fatos ocorridos nos filmes, as cenas do combate entre Liu Kang e Shang Tsung é refeita em flashbacks, dessa vez obviamente mais fiel aos jogos pela caracterização dos personagens, assim como a aparição de Kitana interferindo nos combates de Liu Kang, cheia de mensagens de sabedoria, e o combate entre Sonya e Kano. Kano, aliás, ficou perfeito nessa animação, tal como esperávamos que o personagem fosse retratado em outra mídia além dos games. Minha única reclamação é que na animação alternava sua aparência nos momentos em que ele aparecia, ora como o Kano do primeiro MK, ora como o Kano de MK III, não respeitando uma ordem cronológica. Dessa vez, a equipe do bem de MK, os ´´Defensores da Terra``, como o desenho bem faz questão de frisar, se desloca por aí de um lado para o outro com jatos, tal como uma equipe G.I Joe respeitável, para livrar o mundo de invasores de Outworld. Gostei da decisão de botar cada personagem do time dos vilões de Mortal Kombat como pertencentes de um exército de seres semelhantes, isso rende muitos inimigos, muitas lutas, e cria um roteiro interessante. Temos exército de ninjas cibernéticos, de onde pertencem Sektor e Cyrax, exército de Barakas, de lagartos, de onde veio Reptile, de criaturas de quatro braço, de onde vem Sheeva (Goro e Kyntaro também, mas enquanto Goro foi liquidado no primeiro Mortal por Jonny Cage, o coitado do Kyntaro sequer é citado. O nome dessa espécie é Shokan), exército de minotauros, de onde vem Motaro, e o clã Lin Kuei, de onde vieram Sub Zero, Smoke e outros ninjas. Sem deixar de lembrar de invenções da própria animação, criaturas que Os Defensores da Terra enfrentam em suas aventuras, como múmias, monstros, criaturas de pedra, dinossauros, e Zara, inimiga de Kitana, que aparece em um único episódio, mas um dos melhores da série, Espadas de Ilkan. Parecia até um episódio da She-Ra. Senti falta de uma participação melhorzinha de Sektor e Cyrax, que embora tivessem aparecido, foi bem superficialmente, não tiveram nem mesmo seus golpes especiais respeitados. Percebo que MK tem o tipo de história que funciona melhor como roteiro de série e de filme do que de videogame. A animação é boa, apareceu, senão todos, ao menos a maioria dos personagens, até mesmo os mais obscuros, como Kabal, Rain e Quan Chi, mas senti falta de Mileena, Jade, Syndel e Kung Lao. O desenho é bom, as cenas de luta são legais, o roteiro, para um seriado infantil, até que é bem feitinho, e apesar de uma ou outra tosquice, seja na animação ou no próprio roteiro, é uma produção divertida. Pena que não fez lá muito sucesso, a série termina de repente sem sequer ter um desfecho, os produtores não estavam preparados para o cancelamento da série. E ainda tem uns recalcados que vivem criticando, honestamente acho difícil encontrar uma razão para tanto. Não podemos esquecer do grande time de dubladores escalado para dar voz aos personagens, pois temos aqui, para citar alguns nomes, Elcio Sodré, Alexandre Marconatto, Armando Tiraboschi e Jennifer Carpenter.






quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Animação dos Sacis para o comercial do banco Econômico, quem lembra?

Esse ano tem Copa do Mundo. E pensar que já vai fazer quatro anos do vexame que nossa seleção passou, mas não vamos pensar nisso. Nesse ano estou desmotivado, principalmente por conta da seleção brasileira, mas é interessante ver essa data se aproximando, e com ela a promessa de um possível novo título mundial (duvido muito), a mania do brasileiro de enfeitar as ruas mesmo o país não merecendo nada disso, as propagandas, campanhas na TV, o assunto nas ruas, as farras, bebedeiras e suas eventuais confusões, barulheira de fogos em cada esquina e as crianças comemorando nas escolas, sempre aprendendo a importância que essa época significa na vida de todos nós. Sem contar quando os trabalhadores ganham uma folguinha nos dias de jogos da seleção brasileira. Acaba que mesmo quem não gosta de futebol se afeiçoe por essa data tão especial. Mas para mim essa época é mais interessante quando se é criança mesmo, como qualquer outra data comemorativa. Lembro dos álbuns de figurinhas que eu colecionava e nunca completava, dos gibis do Pelézinho, e, talvez minha lembrança mais interessante da Copa de 94, do comercial do Banco Econômico. Naquela época, passava na TV um comercial de uma animação com uns bichinhos da floresta jogando futebol em um campinho, logo depois apareciam uns Sacis e ajudavam o time perdedor a dar uma virada. Tratava-se de uma propaganda do Banco Econômico, extinto um ano depois, tinha uma animação muito bem feitinha e um jingle que eu achava o máximo, passava direto no período em que não se falava mais nada além da Copa de 94. Não demorei a aprender a adorar esse comercial, e logo que eu começava a ouvir o início da musiquinha ´´Era um time chamado, Esporte Clube Floresta Brasiiiil...`` corria para a frente da TV para ver esses Sacis entrando em ação numa curiosa disputa de futebol envolvendo times de animais. No entanto, não me interessava em saber do que o comercial se tratava, e passei os anos seguintes sem ouvir mais falar dessa campanha publicitária, mas sem tirar da memória totalmente, louco para encontrar informações a respeito desse comercial que tanto me encantou na infância. Para quem sabe do que estou falando e quer relembrar, ou mesmo conhecer, assista a esse comercial a seguir.



Gostou da animação? Não foi nada fácil encontrar informações a respeito, mas fico feliz em saber que já há tempos o Brasil produzia animação de qualidade em filmes publicitários, mesmo que bem curtinhas. A agência em questão é a Propeg, que criou a campanha para o Banco Econômico, numa parceria iniciada ainda em 1981. De lá para cá os três Sacis participaram de outras propagandas memoráveis para outras gerações, assim como a de 94 foi para mim, com os mesmos personagens carismáticos que são a cara do Brasil, o mesmo estilo de animação e os jingles fofinhos cheios de metáfora à economia, poupança e inflação.





Realmente é um comercial muito criativo. Os jingles não estão nada abaixo da qualidade da animação, pena ser difícil encontrar informação sobre os cantores. Os três Sacis, assim como todos os outros personagens, como os bichinhos da floresta e o dragão, são criações do desenhista argentino Hector Horácio Valdez. O estúdio paulistano Sketch se encarregou de produzir a animação. 
O Banco Econômico não existe mais, e consequentemente os personagens da campanha sumiram, mas o estúdio Propeg continua em atividade.
Que os estúdios de animação brasileiros continuem produzindo conteúdo, seja conteúdo publicitário, curtas, longas, e que conquistem cada vez mais gerações, assim como os personagens dessa querida e saudosa campanha. Criatividade temos de sobra, o que falta é um bom investimento. E eu quero ver animação dessa qualidade em franquias cinematográficas, ou mesmo séries televisivas. É só caprichar, que atinge até mesmo um público mais amplo.

Ps: Essa musiquinha que vocês vão ouvir a seguir eu não sei se era de um comercial na TV, mas ouvi falar tão bem dela que vou deixar aqui para vocês ouvirem. Vai que quem for mais velho que eu se lembre dela e mate a saudade.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Falar mal de Power Rangers não pode por que? (Vídeo)



Por que será que é comum em grupos de tokusatsu nego ficar putinho quando alguém critica Power Rangers? Será que não existe lugar para nós, os não apreciadores da adaptação da saban?